Sobe número de mortes por síndromes respiratórias no RN

Publicação: 2020-07-09 00:00:00
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Entre os anos de 2019 e 2020, a quantidade de pessoas que morreram por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), mais do que dobrou no Rio Grande do Norte. Os dados mais recentes publicados no Boletim nº 105 da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN) mostram que 81,3% dos 881 óbitos por SRAG confirmados em 2020 foram pela covid-19, e 165 óbitos, correspondentes ao 18,7% restantes, tiveram resultado negativo para o novo coronavírus.

Créditos: Vinicius MagalhãesA Síndrome Respiratória Aguda Grave é um estágio para o qual doenças respiratórias podem evoluir, como ocorre com a covid-19A Síndrome Respiratória Aguda Grave é um estágio para o qual doenças respiratórias podem evoluir, como ocorre com a covid-19


No ano de 2019, a quantidade de quadros gripais que evoluíram para síndromes respiratórias agudas não especificadas e resultaram em morte foi de 77, o que indica um salto de 114% de um ano para o outro apenas em casos não confirmados para o novo coronavírus, analisando o mesmo período, de janeiro ao dia 6 de julho. 

A Síndrome Respiratória Aguda Grave é um estágio para o qual algumas doenças respiratórias podem evoluir. Elas podem ter como causa diferentes vírus respiratórios, sendo o SARS-CoV-2 (o que causa a covid-19) um desses. Em geral, os sintomas começam a se agravar a partir do momento em que é registrada febre, tosse seca e, posteriormente, dificuldade respiratória. A pandemia atual tornou a condição uma das principais causas de morte no país.

De acordo com a Sesap/RN, alguns fatores explicam o aumento no número de óbitos por SRAG “não especificado”, a maior parte deles relacionados ao aumento nas testagens e notificações decorrentes da pandemia.  A Secretaria afirmou que há “maior sensibilidade das equipes para as notificações e consequentemente coleta dos exames, maior oferta de insumos para exames e capacitação de profissionais para coleta". O número de notificações saltou de 277, em 2019, para 3.005, em 2020 (janeiro a julho de cada ano).   

Esse fato, somado à ampliação das unidades qualificadas para coletar e testar o material - no Rio Grande do Norte, entidades como o Instituto de Medicina Tropical da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (IMT-UFRN), por exemplo, passaram também a testar para o coronavírus -, aumentaram a velocidade e capacidade de testagem no Estado. 

Mesmo assim, a Secretaria de Estado da Saúde Pública ressalta que, em virtude da alta demanda voltada para análise de SARS-Cov-2, ocorreu, consequentemente, uma “diminuição na análise de exames para outros vírus respiratórios, e sabe-se que alguns óbitos suspeitos de covid não tiveram a coleta de exames, ou apresentaram exames negativos", o que também poderia explicar a quantidade de óbitos “não especificados”.
 
Classificação de óbitos 
Apesar de atualmente o encerramento de óbitos por covid ser feito por critério laboratorial, o que amplia as testagens, a recomendação do Ministério da Saúde deve mudar para que o critério clínico seja adotado nos próximos dias. De acordo com a Sesap/RN, o Ministério da Saúde apresentou, em coletiva de imprensa, a recomendação de encerramento de óbitos por covid a partir de critérios clínicos e vínculo epidemiológico, entretanto, ainda não houve encaminhamento de uma recomendação oficial para que o novo critério fosse adotado pelos Estados.