Sobre a Oração

Publicação: 2020-09-25 00:00:00
Dom Jaime Vieira Rocha
Arcebispo de Natal 

Prezados leitores/as,
Quando rezamos a primeira atitude que devemos tomar é invocar o Espírito Santo. A Oração acontece na atmosfera de uma relação: a comunhão com Deus. E o primeiro elemento ou característica da oração é a ação de graças. Nela, nós agradecemos a Deus que nos deu a graça de dialogar com ele. De fato, Deus se comunica aos homens e as mulheres. Esta é uma comunicação que diz respeito à vida própria de Deus. Ele é comunicação em si mesmo: Deus, o Pai, se comunica ao Filho, aquele que deveria se encarnar, o Filho, que por sua vez, se comunica ao Pai, numa eterna entrega de amor; os dois, Pai e Filho, se comunicam ao Espírito Santo, que é a união ou a comunhão de Pai e Filho e, nessa comunhão intradivina, os homens e as mulheres são chamados a viver. E mais, a ação de graças se estende ao mundo criado por Deus, espaço onde acontece a mesma autocomunicação de Deus a nós. De fato, quando Deus pensou em criar-nos, Ele cria antes a própria realidade do mundo, da Terra, do Universo, para ser a habitação do homem e da mulher. Esse reconhecimento na ação de graças é a base que sustenta o que o Papa Francisco tanto nos ensina sobre o cuidado da Casa Comum. É na Casa Comum, no nosso mundo, onde se faz presente a comunhão de Deus com os homens e as mulheres, e dos homens e das mulheres entre si. A oração significa, em primeiro lugar, que nós agradecemos ao bom Deus por ter-nos feitos participantes desta comunhão e ter criado o mundo como espaço dessa comunhão.

O segundo momento característico da oração é a petição de perdão. Estamos diante do totalmente santo que é Deus, e nós somos pecadores, necessitados do seu perdão. Somos chamados a renovar o nosso coração e a nossa mente, para podermos viver no sentido da comunhão divina. Por isso o pedido de perdão purifica e assim ficamos aptos para o terceiro momento da oração, que é a escuta da Palavra. Sim, na oração nós escutamos Deus. Deus nos fala em primeiro lugar. Após agradecer porque Deus nos faz capazes de dialogar com Ele, e com o coração purificado, podemos agora escutar sua Palavra. A Palavra de Deus é luz para o nosso caminhar, ela indica que fomos feitos para esse diálogo permanente com Deus, e só podemos entender, compreender o que devemos fazer na oração e, em todos os momentos da nossa vida, se nós escutamos Aquele que é a origem e o sentido da nossa mesma vida. 

Depois da escuta da Palavra estamos aptos para os nossos pedidos, as nossas necessidades concretas reais, esse é o quarto momento da oração: a petição particular, o que necessitamos no nosso dia a dia, aquilo que nos preocupa, o que nos angustia. Sim, é válida a oração de petição, por termos feito já a ação de graças, o pedido de perdão e a escuta da Palavra, e já iluminados por ela, podemos fazer os nossos pedidos em sintonia com a Palavra. 

O outro momento da oração, após a ação de graças, o pedido de perdão, a escuta da Palavra e, feitos os nossos pedidos particulares, a penúltima fase da oração, é a intercessão. Na verdade, esse é um sumo grau da oração. Pedir pelos outros é uma forma de caridade. E quando pedimos Àquele que é a mesma caridade, o mesmo amor, isto é, Deus, então estamos vivendo e agindo segundo o seu coração. 

O último momento da oração se vive no silêncio da contemplação, no silêncio adorador: a adoração. Adorar a Deus significa que nós reconhecemos que para além dos nossos pedidos, para além das nossas necessidades, está o ser de Deus. Não um ser abstrato, não uma divindade genérica, mas o Deus que abraça, com sua ternura, toda criatura, o Deus bondoso, compassivo e misericordioso, o Pai de Jesus Cristo e Pai nosso. Na adoração nós reconhecemos que Deus é o ser maior, além do qual não se pode pensar outro, ou o Sumo Bem, além do qual não se pode desejar outro melhor, porque não existe outro além dele.







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