Sobre o tempo de vida dos vinhos excepcionais

Publicação: 2019-09-06 00:00:00 | Comentários: 0
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Dando continuidade à matéria em que abordamos o tempo de vida útil dos vinhos comerciais e especiais, esta semana abordaremos a longevidade dos vinhos excepcionais, especificando o que os tornam excepcionais, e os elementos que creditam esta longevidade. Antes, porém cabe ressaltar que o que chamo aqui de vinhos excepcionais não necessariamente será reconhecido e validado por todos que apreciam vinhos, visto que a maioria dos consumidores e apreciadores experimentados confundem qualidade com agradabilidade. Vamos então à distinção: qualidade é algo que pode ser aferido por parâmetros técnicos mensuráveis numa avaliação, agradabilidade é aquilo com que eu estou afeito, me identifico e que, portanto, norteia minhas escolhas.

Vinhos de guarda em geral são muito caros e raros, pois representam a exceção da vitivinicultura. Quando jovens, podem não agradar
Vinhos de guarda em geral são muito caros e raros, pois representam a exceção da vitivinicultura. Quando jovens, podem não agradar

Classificamos de excepcionais os vinhos cujas uvas vêm de terroirs muito específicos e especiais, onde a gestão do vinhedo é muito distinta, com baixíssima produção por planta e baixo número de vinhas por hectare, e que geram uma matéria prima concentrada e de excepcional qualidade, para serem produzidos de forma muito artesanal (com a mínima interferência humana), algumas vezes apenas em safras excepcionais (pontuais), com uvas fenolicamente maduras, frescas e sãs, e cujas técnicas de produção (extração e maturação) visam a excelência da bebida.

Por terroir entenda-se uma área, em geral muito pequena, cujas as condições climáticas, geológicas, topográficas, de ventos e humidade são propícias a melhor expressão vegetativa de uma determinada variedade de uva, e cuja interação humana (manejo) potencializa essa expressão gerando as melhores uvas para a produção dos melhores vinhos. São exemplos vivos do terroir os grandes vinhos da Bourgogne e de Bordeaux, como de várias outras denominações não clássicas do velho e do novo mundo. Estes vinhos, por sua composição, bastante substanciosa, podem viver uma longa vida desde que bem guardados, alcançando, depois de envasados um lento crescimento que podem demandar décadas até atingirem o seu platô (ápice), onde permanecem por alguns anos até declinarem gradualmente rumo a decrepitude.

Em geral estes vinhos são muito caros e raros, pois representam a exceção da vitivinicultura no planeta, e quando jovens podem não agradar em razão da sua força, austeridade e robustez acentuada, algo que só uma boa aeração e/ou decantação, ou, melhor ainda, uma longa guarda (décadas às vezes), em adega climatizada, poderão lapidá-lo.

O Percentual e Longevidade dos Vinhos Excepcionais do Planeta
Cogita-se que nos mercados vitrines de vinhos do mundo, como o é o caso do concorrido mercado americano, existam mais de 100.000 rótulos distintos a disposição do consumidor. Algo capaz de deixar mesmo os especialistas confusos. Mas dentro deste universo gigantesco cerca de 80% seriam de vinhos comerciais, vinhos ligeiros para consumo diário. E dos 20% restantes, 15% seriam de vinhos especiais, com uma longevidade capaz de atingir uma a duas décadas no máximo, restando apenas 5% com fôlego para suportar algumas décadas em garrafa rumo a plenitude, e mesmo dentre estes pouquíssimos, menos de 1% ultrapassam os 100 anos ainda vivos, como alguns Madeira, Sauternes, Porto, etc., mas mesmo estes, a exemplo de nós humanos, declinam e morrem um dia.

Vinhos de tirar o fôlego nesta degustação lusitana com 3 ícones: Quinta de S. Sebastião Cercial 2015 (branco ícone da QSS), “Quinta de S. Sebastião Grande Escolha 2015” (tinto ícone da QSS), ambos de Lisboa, e “Inevitável 2016” (tinto ícone da Casa de Santa Vitória) do Alentejo, ganhador do prêmio Melhor Tinto da Península Ibérica no Rio Wine & Food Festival 2019. DETALHES: Data/Dia: 14/09 (sábado). Horário: 10:30 horas | Inscrições: (84) 99838-0241 com Milena. Vagas limitadas.




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