Sobrevivente à chacina pede para ser preso temendo execução

Publicação: 2017-05-19 09:47:00 | Comentários: 0
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Júlio Pinheiro
Editor do TN Online

A chacina que ocorreu na terça-feira (16), no município de Serra do Mel, no Oeste potiguar, ainda não tem pistas sobre os autores do crimes. No entanto, o sobrevivente à chacina se apresentou à Polícia na quinta-feira (18) e confirmou que poderia ser o alvo dos bandidos, que mataram seis pessoas com tiros na cabeça. Após confessar outros crimes, o homem, identificado como Gago, pediu para ficar preso - que não foi atendido. "Ele diz que a morte dele pe questão de tempo", disse o delegado da 2ª DP de Mossoró, Caetano Baumann, responsável pelo caso.
                                                                                                                     Marcelino Neto/O Câmera
Sobrevivente prestou depoimento à Polícia
Sobrevivente prestou depoimento à Polícia

O sobrevivente à chacina afirmou que já cometeu crimes, como furtos e assaltos. Segundo ele, várias pessoas já o ameaçaram de morte e acredita que o alvo principal dos criminosos era ele. De acordo com o delegado, no entanto, o depoimento do sobrevivente não deu elementos suficientes para garantir que a chacina ocorreu motivada pela presença dele na cena do crime.

"Ele sabe que era alvo de algumas pessoas e disse que desconfia que as execuções ocorreram por causa dele, por isso queria ficar preso na delegacia para não ser morto. Mas ele não trouxe nada de muito concreto. É muita gente que ele mexeu, por isso não temos como confirmar quem pode ter cometido o crime", disse o delegado.
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Seis pessoas foram mortas em chacina em Serra do Mel

Apesar da declaração de que o sobrevivente seria a causa da matança, o delegado afirmou que havia uma desproporção grande entre o fato e a possível reação de algumas pessoas que ele citou durante o depoimento.

"O furto de uma moto, um assalto sem violência... Foram crimes que ele disse ter cometido, mas existe uma desproporção muito grande para uma reação desse modo. A chacina pode ter sido causada por uma coisa mais grave, uma mágoa grande de alguma pessoa ou algum grupo com quem ele mexeu", analisou o delegado.

Mesmo com a confissão de crimes por parte do sobrevivente, o delegado Baumann explicou que não tinha como mantê-lo preso porque não houve flagrante ou mandado de prisão, além de justificar que não havia investigação em curso sobre o depoente. "Nesse caso, ele é vítima. Deveremos investigá-lo posteriormente", explicou Baumann, afirmando ainda que não pôde garantir segurança policial ao sobrevivente e que a vítima está escondido por conta própria.

Sobre as vítimas, o delegado reafirmou que elas, de fato, não pareciam ser os alvos do crime. Porém, ele ponderou que era de conhecimento de todos que a casa em que eles estavam era um local onde havia costumeiramente consumo de drogas, prostituição e noitadas. "Era um local de má reputação, para se dizer assim".

Investigação

Até o momento, ainda não há pistas sobre os autores da chacina. O delegado Caetano Baumann disse que fez a solicitação de apoio da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa de Mossoró (DHPP), para se formar uma força tarefa e apurar as circunstâncias do crime. Porém, o delegado disse que isso não é garantia de que o caso será elucidado.

"Nesse tipo de caso, não há como se prever. Podemos resolver em poucos dias, podemos levar meses ou pode até não se chegar aos autores. Vamos formar a força-tarefa e trabalhar para chegar aos criminosos", garantiu.


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