Soja e milho devem ficar sem tarifa de importação até 2021

Publicação: 2020-10-18 00:00:00
Com os preços da soja e do milho em alta no mercado brasileiro, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) deverá zerar a tarifa de importação dos dois produtos. A ideia é ter mais oferta dos grãos internamente para aumentar a competição e puxar os preços para baixo. Com o real desvalorizado favorecendo os preços no mercado externo, os produtores destinaram a produção para a exportação, o que aumentou o preço dos produtos vendidos no Brasil.

O pedido para zerar a tarifa partiu de produtores de proteína animal, que usam os insumos em ração. Representantes dos Ministérios da Economia, Relações Exteriores, Agricultura e Presidência da República se reuniram virtualmente na sexta-feira (16), mas decisão não tinha sido publicada até o fechamento desta edição impressa.

De acordo com fontes que acompanharam a reunião, apesar de haver consenso na câmara sobre a necessidade de zerar a tarifa, ainda se debate por quanto tempo poderá valer a isenção: até janeiro, março ou junho. Em setembro, a Camex zerou a tarifa de importação do arroz (até 400 mil toneladas).

A soja e o milho não chegam a faltar no mercado brasileiro, mas o preço alto preocupa o governo e os produtores de carne. No caso da soja, depois de embarques recordes para o exterior, o País passa por entressafra e a nova produção só chega ao consumidor no final de fevereiro. Já o milho, apesar de o País estar colhendo a segunda safra, boa parte da colheita já foi vendida e uma nova safra só chega em janeiro.

Segundo o Ministério da Economia, o Brasil exportou US$ 27,162 bilhões de soja de janeiro a setembro, 27,8% a mais ante mesmo período de 2019. Mais de 70% das vendas foram para a China. Em igual período, as importações somaram US$ 160 milhões, alta de 314,7%, quase a totalidade do Paraguai.

Já as vendas de milho recuaram ante 2019, que teve safra recorde, caindo 32,1%, para US$ 3,308 bilhões. Os principais destinos foram Japão, Vietnã e Taiwan. As importações somaram US$ 109 milhões, recuo de 7,3%, e vêm principalmente do Paraguai e Argentina.