Solenidade de Cristo Rei – Dia do Leigo

Publicação: 2020-11-20 00:00:00
Dom Jaime Vieira Rocha
Arcebispo de Natal

Queridos irmãos e irmãs!
No 34º Domingo do Tempo Comum,  este ano no próximo domingo, 22, a Igreja celebra a Solenidade de Cristo, Rei do Universo. É uma solenidade que marca o fim do Ano Litúrgico, que se inicia com o Tempo do Advento. O reconhecimento de que Jesus Cristo é Rei não tem comparação com nenhum reinado deste mundo, pois o seu Reino é reino de paz, de justiça, de verdade e de amor. E Ele reina por sua vida entregue em favor de muitos, pela redenção realizada na cruz e na ressurreição.

Cristo Rei! Essa não é uma expressão para justificativas de nenhuma forma humana de poder ou de despotismo. Pelo contrário, o reinado de Cristo apresenta a humildade e a simplicidade como características principais. Cristo é Rei pela sua doação aos outros, Cristo é Rei pela sua compaixão pelos pobres, enfermos e descartados da sociedade. Cristo é Rei pela inclusão de todos os seres humanos na fraternidade universal e na amizade social. Cristo é Rei para coroar a criação com dons e bênçãos e para dar a todos uma vida digna e sustentável.

Mas, celebramos também, na solenidade de Cristo Rei, o dia nacional do leigo. É uma oportunidade para o reconhecimento da importância de todos os batizados na vida da Igreja. Um dia de reflexão sobre a identidade, vocação e missão dos leigos, sua presença nos espaços sociais, econômicos e culturais do país. É preciso que todos nós valorizemos os leigos por uma questão de fé, ou seja, é no significado do Batismo, pela própria natureza da Igreja onde encontramos a identidade do leigo.

Os leigos, ditos assim, não porque não sabem ou não são importantes, indicam a vocação primordial ou fundamental provinda do Batismo. De fato, a Igreja proclama que todos os batizados são configurados a Cristo Sacerdote, Profeta e Rei. “Cristo Nosso Senhor, Pontífice escolhido de entre os homens (cf. Hb 5,1-5), fez do novo povo um «reino sacerdotal para seu Deus e Pai» (Ap 1,6; cf. 5, 9-10). Na verdade, os batizados, pela regeneração e pela unção do Espírito Santo, são consagrados para serem casa espiritual, sacerdócio santo, para que, por meio de todas as obras próprias do cristão, ofereçam oblações espirituais e anunciem os louvores daquele que das trevas os chamou à sua admirável luz” (CONCÍLIO VATICANO II. Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen gentium, 10). Ainda fala o Concílio: “Com efeito, o apostolado dos leigos, que deriva da própria vocação cristã, jamais poderá faltar na Igreja” 

(Decreto sobre a atividade dos leigos Apostolicam actuositatem, 1). Este ensinamento do Concílio está presente no Documento de Aparecida, como também nas diretrizes gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil. Todos os batizados são chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo. E a Igreja tem como missão levar os batizados a reconhecerem esta necessidade. Somente vivendo como discípulos missionários é que os leigos poderão se sentir responsáveis pela Igreja. O Papa Francisco ressaltou isso na sua visita ao Brasil e chamou a atenção para o que o Documento de Aparecida apresenta sobre os instrumentos de participação e de comunhão dos leigos que são os Conselhos paroquiais, espaços reais para a participação laical na consulta, organização e planejamento pastoral. 

Desejo que o dia nacional do leigo leve todos a uma reflexão sobre a importância do laicato e a necessidade de investirmos na sua formação, para que afugentemos de nossa Igreja o perigo do clericalismo que paralisa a ação evangelizadora e não reconhece a dignidade dos leigos.




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