Rubens Lemos Filho
Solidão de um país
Publicado: 00:00:00 - 14/07/2021 Atualizado: 23:51:46 - 13/07/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Divulgação


O brasileiro foi institucionalizado povo parvo, atordoado, boquiaberto, desnorteado. O brasileiro pacato, o brasileiro comum, o brasileiro que perdeu a esperança-mor de combustível espiritual. O brasileiro bom, simples, generoso, esse está em silêncio, esmagado pelo ódio dividido entre lulistas e bolsonaristas, gente que caricaturiza  política e vomita recalque em redes sociais. Do Twitter, por exemplo, eu, um brasileiro que me considero convencional, me afastei faz tempo. 

Para o brasileiro amorfo, nada faz diferença. Ou tanta diferença faz que ele desistiu nem cedo nem tarde demais. Entregou-se de cansaço. Quando ele liga a televisão para assistir à CPI da Covid, assiste ao espetáculo de dois senadores do naipe de Omar Aziz e Renan Calheiros. 

CPI que não convoca governadores que pagaram por equipamentos vitais nunca entregues. O filho de Renan é governador.  Procure no Google o que tem de corrupção sobre os dois da comissão. O brasileiro exausto vai confiar? Não vai. 

 O país perdeu a natural alegria, a sua temperatura quente e a capacidade de reagir às injustiças. Não se chama mais ninguém de demagogo, mas de filho de quenga e nem de incompetente, mas de bicho de chifre. Esse é o Brasil de hoje alimentado pela dicotomia perversa instalada nas eleições de 2018 e que se repetirá no próximo ano. 

Ou alguém acha que quem defende Delubio Soares, Palloci e Lula está preocupado em recuperar o país que sua turma mesmo arrasou e não apenas em retomar o poder? Menos. 

A passividade brasileira assiste a um presidente que minimizou uma desgraçada pandemia e se atola a cada declaração furiosa. Aí, o brasileiro lulista insulta e o brasileiro bolsonarista responde agredindo. O brasileiro essencial, se cala. Para não ser picotado. 

Um país com mais de meio milhão  de mortos é um continente dimensional em catalepsia. Ou morto de alma. Olhando como o obtuso personagem de Nelson Rodrigues, apenas atravessando a rua sem dizer nada e arrancando comentários: “Lá vai Flodorval, o homem que foge de todo mal”. 

Então, é preciso nivelar o Brasil à meio-pau moral com a seleção de Tite derrotada pela Argentina. Nenhuma surpresa. Para um time que tem Renan Loide, Danilo, Thiago Silva entregando ouro(deveria trabalhar em filmes de trens pagadores), Fred, Roberto Firmino, rapazes cheios de grana e futebol sacana. 

O Brasil que perdeu para a Argentina é o Brasil gozado todos os dias pelos jornais internacionais que passo à vista pela internet. Um país ridicularizado.
 
O Brasil perdeu a Copa América e, sabe, o brasileiro preocupado com suas contas não perdeu o sono de sábado para o domingo nem chegou ao trabalho na segunda alimentando resenhas específicas sobre o jogo. Porque a seleção de Tite não merece do jeito que Tite não merece ser treinador da seleção. 

Criaram caso porque alguém famoso ou famosa vestiu a camisa da Argentina antes da decisão e disse que torceria pelos Hermanos. A patriotada ridícula caiu em campo. Se Neymar tem jogado com a ira com que reclamou da torcida pelo adversário, a seleção não teria perdido. 

E, se alguém pode chamar de troco, Messi não ter jogado bem, é confissão de ressentimento. Messi está acima de avaliações fúteis, notas de um jogo só. E eles também  contam com   Di Maria e o ótimo De Paul, esse vai brilhar em Copa do Mundo. Nós somos ilhéus. Somos a solidão de um país. 

Guerra
Quanto mais se está distante das divisões principais(A e B), do futebol brasileiro, mais desamparado fica o clube que joga limpo. Pulando logo na Terceira para a Quarta Divisão, que onde se debatem ABC e América, o fim de semana passado sinalizou para a certeza de que não basta vencer em campo. 

De cuecas 
O América foi simplesmente assaltado. Ficou de cuecas(ou ceroulas) no Amigão graças à atuação cínica da arbitragem. Nem houve pênalti no primeiro gol do Treze e a anulaão do terceiro gol do América é caso para ser apurado pela Divisão de Roubos e Furtos da Polícia Civil. 

Saindo 
ABC e América saem para jogos fora de casa. Os concorrentes estão se aproximando do ABC e o América precisa, até com desespero, subir para mais perto da cabeça da tabela do Grupo 3. 

Profissionais
O que ocorreu domingo foi crocodilagem e os jacarés estão famintos, no pântano da Série D. Não é parada para inocentes ou ingênuos. É briga para profissionais. Para um Bira Rocha, um Jussier Santos. Gente desse gabarito. 

Aniversário
América faz 106 anos. Sua diretoria e seu time têm obrigação de devolver a alegria a uma torcida leal e presente nas horas boas e ruins. América da Taça Almir, da Copa Nordeste, América do acesso de 1996, com narração celestial de Hélio Câmara, América da subida em 2006 no Mineirão. Craque do América: para mim, Hélcio Jacaré. Em nome de todos os americanos, meu abraço especial ao médico Maeterlinck Rêgo, 50 anos de amor rubro.









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