Solidão

Publicação: 2019-09-22 00:00:00 | Comentários: 0
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Faz uns cinco anos. A TV Câmara me escolheu para indicar o local mais marcante em minha vida do bairro em que moro para fazer uma reportagem. Escolhi o Estádio Juvenal Lamartine. Não vi o auge, restaram-me migalhas de emoção, aconchego e o futebol em delícia provinciana.

Fomos autorizados pelo gentleman assessor de comunicação social Alan Oliveira a entrar e uma onda de encantamento me tomou. De paletó e gravata, uniforme do escravocrata atual, saí a percorrer cada palmo do gramado, aliás, muitíssimo bem cuidado.

Concentrei-me no gol de entrada, aquele da avenida Hermes da Fonseca e parei diante da trave vazia como deserto estava o nosso berço da bola. Já não havia a majestosa cobertura da arquibancada de madeira, acinte. 

Emoção pura. Fiquei na marca do pênalti sem que pênalti algum fosse batido. Quis sentir a solidão não só do goleiro, como cantou divinamente Belchior, mas do atacante, o algoz mais vítima do universo da bola. De um chute, vai-se à consagração ou ao cadafalso. Do heroísmo à vilania.

A trave diminui. Sou  perna de pau diplomado, certificado. Certamente bateria de olhos fechados, forte e no meio do gol. Bateria para me livrar do pânico. Fui entrevistado e voltei à zona do agrião, o trecho entre a trave e a marca da penalidade máxima, onde o sicário tantas vezes fica sem pescoço, humilhado.

Vi grande cobradores: Alberi, Danilo Menezes, Mário Sérgio Pontes de Paiva, Geovani, Zico, eles e a grandiosidade sumindo à medida em que o chute se aproximava. Eram exemplares da categoria, do balanço a desabar o goleiro. Dentre todos, meus consultores Maeterlinck Rêgo, médico do América e o ex-supervisor e ministro das relações humanas, Ribamar Cavalcante, pré-históricos do JL, me contam que o melhor mesmo foi Zé Ireno, do América.

Ele ficava de costas para o goleiro, dava uns passinhos, virava o corpo e fazia o gol em calma tibetana. Saí do JL com a solidão tomando conta de meus sonhos perdidos no barroco de um estádio que não pode desaparecer aos olhos gordos. Queria ter ficado. Eu, o JL e a solidão.

Olha o respeito

Nem bem assumiu o novo consultor do ABC, Marcelo Sant’ana que merece respeito como qualquer profissional, entrou na mira da oposição. Estão brindando-o com o apelido de Pai Santana, falecido massagista e macumbeiro, famoso no Vasco.  Deixem o rapaz trabalhar. Vão reclamar dos coveiros do ABC, os que enterraram e ficaram no clube.

América

As atrações da inauguração da Arena América (ou de cinco mil lugares) começam com shows ao meio-dia. Razão pela qual a diretoria do clube pede que todos os que compraram ingresso comecem a chegar cedo para acompanhar a programação. Ingresso a partir de 20 reais, segundo o América.

Grana da Globo

O futebol vem salvando a receita da Rede Globo.  Com TV aberta e pay-per-view, a renda prevista para o fim de 2019 é de R$ 3 bilhões. Os números totais da emissora, no entanto, vêm em queda livre. De 16 bilhões em 2014, pode terminar este ano com menos de 13 bilhões.

Gaúchos 

Do supercraque, chato e ótimo colunista Paulo César Caju n ‘o Jornal o Globo defendendo a contratação de um treinador estrangeiro para a seleção brasileira. PC ajeita o biquinho e fulmina: “Perderemos mais uma geração nas mãos da escola gaúcha, retrógrada, velha, burocrática e retranqueira”.

Futebol bonito


PC é a favor do futebol livre, a exemplo de quem aprecia a beleza do esporte e com resultado. A mania dos brucutus é dizer que jogar bonito não dá título. Em 2006, 2010, 2014 e 2018 fomos horríveis e ainda perdemos pela porta dos fundos, com um 7x1 de excesso de bagagem.

Por exemplo 


Para tocar de primeira é preciso tocar com classe. Grosseria é rebaixamento de escalão. Para a reserva.

Presepada

Quem criou o filme de apresentação de Diá no ABC ganharia disparado o troféu Cangalha de Ouro em Passa e Fica, divisa com a PB. O ABC é de cinema, mas é uma comédia. Coitado de Diá, exposto às sacanagens.

Claudinho


O ex-presidente do Alvinegro, Leonardo Arruda liga e diz que sempre quis ter o artilheiro Claudinho, por ele trazido para ser ídolo no ABC, como técnico da equipe abecedista.

Tudinho

Foram pelo menos duas ou três tentativas. Leonardo, o Bimbo, conta que Claudinho sempre colaborou com o clube, indicando e avalizando contratações. Bimbo completou: “Hum, tudinho, ele sempre gostou do ABC. “

Leguelé 


Hoje faz 39 anos da estreia no Alecrim, do polêmico Alberto Leguelé, meia do Bahia, campeão carioca pelo Flamengo em 1978 e destaque brasileiro nas Olimpíadas(4olugar) em 1976.

Rebolado


Leguelé era um bom meia, mas se achava melhor que a mistura de Zico e Sócrates. No dia 22 de setembro de 1982, ele abriu o placar para o Verdão aos 25 minutos do segundo tempo. Um minuto depois, Marinho Apolônio empatou para o ABC. Püblico no Castelão: 7.674 pagantes.

Times


Alecrim: Sérgio Maria; Elói, Domício, Cláudio Oliveira e Luís Antônio; Hélio, Edmo e Alberto Leguelé; Haroldo(Brás), Freitas e Djalma. ABC: Carlos Augusto; Dão, Joel, Sérgio Nunes e Escada; Gelson, Jadir e Marinho Apolônio; Tinho, Neinha(Alberi) e Noé Macunaíma.

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