Sonho, combustível

Publicação: 2019-08-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

É sonhando sem dormir que amenizo decepções. Sonhar é o combustível da esperança. No esporte, tenho sonhado um bocado ao rever imagens de TV no Youtube, recortes de jornais empoeirados e na vida, usando a solidão de cúmplice, parceira. Quem  sonha, não mama. Ama.

Outro dia,  postei no Instagram uma fotografia real e impossível hoje em dia. Nelinho, um dos melhores laterais-direitos do mundo, é driblado pelo pequenino Noé Macunaíma, em ABC 2x2 Cruzeiro em dezembro de 1977. Entrei de mascote.

Nelinho derruba Macunaíma que bate o pênalti e o elegante goleiro Raul não sai no click dos fotógrafos, um deles certamente Deodato Dantas. Macunaíma bateu com efeito, Raul caiu no outro canto.

Deodato Dantas foi um fotógrafo gorducho, nascido em Jucurutu, que disparava sua máquina para vender aos atletas. Não trabalhava em jornal mas parecia onipresente. Campeonato de Porrinha, lá chegava Deodato.

Sonhei também com um drible de corpo de Hélcio Jacaré, ídolo do América, no lateral-direito Eurico, da seleção brasileira de veteranos, em 1986. Foi um jogo pela manhã, num domingo luminoso, de sol e futebol-arte. Quem foi ver Alberi na seleção local, aplaudiu Hélcio. Terminou 2x0 para o Brasil, gols de Lola e Edu do Santos , o Urubu Bonito, de drible charmoso e imarcável.

O sonhador é um visionário, imagina retroagir para não conviver com  o tempo atual. Quando, em tempo real, o ABC vai sequer jogar contra o Cruzeiro , muitíssimo pior do que a máquina então vice-campeã do mundo? Que veteranos formariam a seleção daqui ? E uma seleção dos momentâneos, dos enganadores? Perderia para o Amapá, em casa, sem gol de pênalti nem VAR.

O sonho oferece um preço maravilhoso: é gratuito. O pesadelo custa caro. Basta assistir a uma pelada dos clubes do Rio Grande do Norte disputando migalhas de pontos para não cair ao sumidouro da 4aDivisão. O ABC na lanterna? Jamais nos tempos de Maranhão, Danilo e Alberi, Nicácio, De Dora e Marinho ou Sérgio Alves e Robgol.

O América inativo, passivo na masmorra da bola? Nunca para quem foi o melhor do Norte/Nordeste com Hélcio, Almir Garrinchinha e Gilson Porto, depois fez bonito com Juca Show, Alberi e Hélcio e uma série A impecável em 1997, com Moisés, Carioca, Moura, Biro-Biro, Richardson e Gian.

Experimente sonhar. Sonhar é seletivo. É assim como ir ao cinema e escolher apenas as cenas em que o mocinho não apanha para se vingar no final. Quando as paixões impossíveis triunfam. É apostar que a vida, ao contrário da prática, é para ser curtida. De primeira. Sonhando.

Milagre
O caso do ABC contra o Sampaio Correa foge da esfera do sonho. O time é um terror. A situação é de UTI. Com médico realista e preparando a família para o luto. O Sampaio vem mordido pela derrota para o Náutico.
Vida Mas o combustível do alvinegro é o sacrifício.

Max
Quem tem encontrado o atacante Max, do Globo, nota seu entusiasmo além da conta para a última rodada, quando receberá o ABC. A plumagem americana motiva Max a desejar rebaixar o alvinegro. Estímulos não faltam.

Barbárie
Desculpem-me, mas quando matarem um rico ou uma autoridade, as facções criminosas travestidas de torcidas organizadas serão banidas. Pobre é para estatística. Ódio e futebol são compatíveis como azeite e água.

Loterias
A Comissão do Esporte da Câmara promove audiência pública nesta quarta-feira (14) para debater o Projeto de Lei 2.937/2019, que redistribui os recursos das loterias.Autor do pedido para o debate e também do projeto, o deputado  Julio Cesar Ribeiro (PRB-DF) quer destinar verbas para esportes escolares e universitários.

Matutão
O querido e saudoso Everaldo Lopes, eterno titular deste espaço, mobilizava o Estado com o Matutão, campeonato interiorano que movimentava cidade, sacudia os campinhos e aguçava a malandragem de ex-jogadores e celebridades de subúrbio.

Causo
Em 1987, Nego Tó, do Flamengo de Bento Fernandes, quase na pequena área, driblou um do Juventude de Arês, ameaçou o chute, cortou o outro beque pra dentro.

Gagueira
Veio o terceiro, Nego Tó deu o tapa pra fora, não satisfeito, aplicou o gancho no lateral. Torcida histérica pelo gol e ele rebolando. Aí o bêbado gritou: “Tira esse fdp, ele é gago do pé, não faz gol.” Vi menino, colado ao alambrado do Juvenal Lamartine.

Corrida da Força
Terminam sábado(17/8) as inscrições para a Corrida da Força Tática do 9o Batalhão de Polícia Militar, cujos guerreiros  combatem na Zona Oeste, enfrentando bandidos e colocando-os no seu devido lugar. Para a corrida, os praticantes da vida saudável podem acessar o site.




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