Sonho de gerações

Publicação: 2020-06-04 00:00:00
A+ A-
Garibaldi Filho
Ex-senador

Os desafios que enfrentamos no Nordeste sempre estiveram entre as minhas principais preocupações nos mandatos que exerci e entre os assuntos aos quais me dediquei, prioritariamente, na minha vida pública. Trata-se, é verdade, de um debate que tem, ao longo da história do país, ocupado os que se voltam com responsabilidade e sensibilidade aos problemas da região, uma vez que não se pode ficar indiferente às implicações das secas periódicas e de grandes intensidades, que impactos tão traumáticos têm para nossa população. Isso sem esquecer que, paradoxalmente, enquanto algumas áreas sofrem os revezes das estiagens; outras são, em certas ocasiões, duramente castigadas por enchentes que impõem sofrimentos ainda maiores às populações que nestes locais residem.

A distribuição natural dos recursos hídricos no semiárido é desequilibrada e isso exige, dos governantes, obras de infraestrutura, com planejamento e gestão, que permitam a regularização dos escoamentos, para a transferência da água armazenada aos locais carentes, ao mesmo tempo em que se controla eventuais cheias. Assim é possível democratizar a disponibilidade recursos, permitindo o abastecimento das populações e melhoria das condições para as atividades produtivas. 

No Seridó, a Barragem de Oiticica, uma obra que tem essas funções de controle de cheias e armazenamento de água para distribuição aos diversos usos — como abastecimento, atividades produtivas e lazer — é um sonho de tantas gerações de seridoense, compartilhado pelos demais potiguares, agora próximo de se tornar realidade. 

Por isso, quero aqui saudar a retomada das obras de construção da barragem e das casas que abrigarão as pessoas que habitam as áreas que serão alagadas quando do enchimento do lago.

Confesso que esse fato me enche de alegria, ainda mais intensa ao recordar que dediquei muito da minha energia, enquanto político, em prol da busca da segurança hídrica para o nosso Estado, convencido que sempre fui, de que a trilha do desenvolvimento no semiárido passa pelo caminho das águas. 

O esforço conjunto do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), do Departamento Nacional de obras contra as Secas (DNOCS), do Governo do Estado, em consonância com os movimentos sociais e produtivos e da empresa responsável pelas obras civis, permitiu que, de forma responsável e segura, mesmo durante a pandemia da Covid-19, tenha sido possível retomar os trabalhos. Como nos brindou o poeta: “Sonho que se sonha só é sonho de uma só pessoa, mas sonho que se sonha junto, se torna realidade”.

Neste momento, precisamos reforçar que a presença da Barragem de Oiticica deve operar em conjunto com a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves como um organismo único. Esse conjunto, associado à chegada da Transposição das Águas do Rio São Francisco, moldará um novo horizonte de possibilidades tanto para a região do Seridó como para o Vale do Açu. 

Com água suficiente garantida, o potencial de setores tais como, agricultura irrigada em larga escala, pecuária, carcinocultura, piscicultura e turismo e lazer, por exemplo, terão o condão de poder transformar a Bacia Hidrográfica do Rio Piranhas Açu em território Potiguar num grande polo de desenvolvimento, se políticas públicas adequadas forem aplicadas. Aliás, refletindo sobre o atual momento, gostaria de concitar os políticos, técnicos e tomadores de decisão à promoverem esforços no sentido de perscrutar potenciais aqui instalados para a superação do instante pós-pandemia. Como nos ensina a ancestral sabedoria chinesa - grandes crises são também palco de grandes oportunidades.

Diante de nossas características particulares de posicionamento no semiárido setentrional, ocupação humana e suas potencialidades, com o suprimento de água garantido, o território potiguar poderá se configurar num grande polo de desenvolvimento e contribuir diferenciadamente no esforço de reconstrução nacional no novo mundo que surgirá na era pós coronavírus.






Deixe seu comentário!

Comentários