SOS Beach Handebol

Publicação: 2017-07-16 00:00:00 | Comentários: 0
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Um esporte que eleva o Brasil a primeiro do ranking mundial, o Beach Handebol está pedindo socorro. Os cortes realizados pelo governo federal no patrocínio aos esportes atingiram em cheio as seleções masculina e feminina que estão em treinamento para disputar o World Games, na Polônia. Com isso, o sonho da potiguar Carol Lima de defender o país e tentar a conquista de mais uma medalha, já que foi prata com o selecionado ano passado na Hungria, corre o risco de não se realizar.

Carol Lima estava bastante motivada com a convocação e continua dedicando boa parte do seu tempo aos treinos, visando aprimorar a forma técnica e física para chegar na competição na plenitude da forma. Em se tratando de ser a única atleta potiguar na seleção principal, ela sequer sabe explicar direito o que sente.
Bruno Carlos é jogador da Seleção Brasileira de Beach Handebol
Bruno Carlos é jogador da Seleção Brasileira de Beach Handebol

“Na verdade se trata de um misto de sentimentos: ansiedade, alegria, amor pelo esporte e muita felicidade em poder representar o Brasil. Me dedico bastante aos treinos para chegar bem na Polônia”, disse.

Agora todos esses sentimentos estão resumidos em um só. Com a falta de verbas na Confederação Brasileira de Beach Handebol, os atletas confirmaram a participação no World Games e agora estão tentando levantar os recursos com uma campanha junto a sociedade.  

Bruno Carlos, integrante da seleção masculina, falou a respeito do problema com a TRIBUNA do NORTE e explicou o drama vivido pelas delegações masculina e feminina.

Qual o problema que vem ocorrendo com a seleção de Beach Handebol?

O problema que estamos enfrentando hoje, na verdade iniciou com a equipe juvenil da Seleção Brasileira de Beach Handebol, as equipes masculina e feminina estavam treinando em Mogi-Mirim em São Paulo e, três dias antes da viagem para disputar o Campeonato Mundial, foram informadas pela Confederação Brasileira de Handebol que não existiam verbas para cobrir os custos da viagem. Essa competição é praticamente um pré-olímpico, uma vez que garante vaga para os Jogos Olímpicos da Juventude que será realizado no próximo ano na cidade de Buenos Aires, na Argentina. Junto com essa triste notícia, que causou um baque muito grande na categoria, por se tratar de um primeiro passo para tornar o Beach Handebol um esporte Olímpico, também fomos informados que não teria verba para equipe adulta, da qual eu faço parte, participar do World Games, na Polônia. Essa competição é considerada a Olimpíada dos esportes não-olímpicos.

É muito frustrante para um atleta deixar de participar de uma competição por falta de verbas?

O que aconteceu foi que perdemos a batalha nos casos das nossas equipes juvenis, pois ser avisados apenas três dias antes de que não havia dinheiro para participar da competição, nos impedia de tentar qualquer outra coisa. Mas em relação a equipe adulta, nós não aceitamos pacificamente essa questão a ponto de nos desmotivar, pedimos a Confederação Brasileira que confirmasse a nossa participação nos jogos da Polônia e partimos para realizar campanha para arrecadação de recursos. Iniciamos pela internet essa busca de doações e parceiros e graças a Deus a iniciativa tem se mostrado muito positiva. Acredito que iremos levantar os recursos necessários para comprar essas passagens.

Qual montante vocês conseguiram arrecadar?

Conseguimos por volta de treze passagens, ainda estamos na batalha, pois vamos levar as delegações masculina e feminina o que dá em torno de 25 membros. São dez atletas de cada uma das equipes, dois técnicos, mas o assistente e dois fisioterapeutas.

Se não conseguir a totalidade das passagens, o grupo vai quebrado ou ninguém viaja?

O grupo está fechado, não vamos parar a campanha enquanto não conseguir a totalidade que necessitamos. Caso isso não seja possível, iremos partir para autoajuda. Ou seja, quem tiver limite no cartão paga a passagem daquele atleta que não tiver em condição de arcar com os custos. No final esse endividamento, que seria pessoal, será rateado pelo grupo. Infelizmente nós estamos  tendo de apelar para sociedade para resolver uma questão que não era nem para existir, mas a receptividade tem se mostrado muito boa. Eles sabem da importância do esporte, que tira o garoto da rua e afasta da criminalidade.

Esse grupo, com todo esse problema, está treinando aonde?

Hoje estamos trabalhando em João Pessoa. A equipe que está sem apoio algum, conseguiu se reunir essa semana para iniciar os trabalhos visando a conquista de mais uma medalha de ouro. O grupo possui muitos atletas de João Pessoa e do Rio de Janeiro, todos vieram para cá e a maioria fica na casa dos atletas locais e de parentes e amigos destes. Não existe verba para abrigar a delegação.

O grupo segue quando para Polônia?

A viagem está marcada para o dia 22 de julho, teremos poucos dias de trabalho e preparação, mas vamos confiantes em realizar um bom papel.

Quem negou esses recursos a vocês?

A informação dada pela Confederação Brasileira de Beach Handebol foi que não existiam verbas. O patrocinador hoje da confederação é o Banco do Brasil, a gente não possui maiores detalhes, fomos informados apenas que não poderíamos disputar as competições por falta de recursos.

Já havia ocorrido isso antes?

A gente sempre ouviu das dificuldades, mas antes contávamos com os patrocínios do Banco do Brasil e também dos Correios, estou desde 2006 integrando a seleção, reconheço que sempre passamos por dificuldades na área financeira, mas essa foi a primeira vez que fizeram isso, deixaram também para comunicar o problema faltando pouquíssimo tempo para o início das competições. Se tivéssemos mais tempo, talvez não estivéssemos enfrentando esse problema. O Beach Handebol vem crescendo e trazendo muitos bons resultados para o Brasil, tanto que as empresas mesmo se interessam em associar a marca a nossa seleção. Somo tetracampeões mundiais no masculino, tricampeões no feminino, bicampeões do World Games nas duas categorias também. Ou seja, no cenário internacional o Brasil está no topo do ranking.

Em termos financeiros, quanto vocês teriam de arrecadar para tonar possível o sonho dessa viagem até a Polônia?

Nós estamos fazendo de tudo para tentar arrecadar esses recursos, apelando até para os moradores das cidades vizinhas de João Pessoa. Estamos tentando baratear o máximo, mas o preço médio de uma viagem até a Polônia gira entre R$ 5.500 e R$ 6.100, as passagens de ida e volta.

Vocês vão necessitar de recursos para o período que irão passar na Polônia?

Não, como é uma competição mundial, uma espécie de Olimpíada, os organizadores vão montar uma estrutura que irá oferecer de tudo aos participantes: hospedagens, deslocamentos locais e alimentação. Nós temos apenas de arranjar um meio de chegar até lá.

Caso a delegação não consiga viajar e participar do World Games, o Brasil estará passível de algum tipo de punição?

Sempre ocorre punição. Não tenho certeza se esse tipo de falta pode acarretar numa penalidade de suspensão em participar das competições oficiais, mas a multa financeira é certa. Sempre que ocorre uma desistência, a confederação recebe uma penalidade financeira. Existe um prazo estipulado para confirmação da participação e no caso da desistência das delegações juvenis do Brasil, praticamente faltando três dias para competição, esse valor deve ser alto. Pois vai mexer na organização da competição. Quanto mais perto da competição, mais grave é considerada a infração.

Essa é a primeira vez que ocorreu um fato dessa natureza, em se tratando de Seleção Brasileira?

Sim, já havíamos deixado de participar dos Jogos Pan-americanos pelo fato de termos ganho uma competição anterior e já estar com a vaga garantida no Mundial. Neste caso a Confederação, por questão de economia, optou por não participar, mas comunicou antes aos organizadores. Agora estando com confirmação de viagem, vaga garantida numa competição, estar em fase de treinamento e ocorrer o cancelamento de tudo, essa é a primeira vez que ocorre sim.

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