Fátima Bezerra defende gestão e garante que vai disputar novo mandato

Publicação: 2020-11-21 00:00:00
A governadora Fátima Bezerra afirma que o grande desafio da segunda metade mandato é recuperar a capacidade de investimento do Estado principalmente em infraestrutura. Ela afirma que, com isso, vai criar um ambiente mais favorável ao crescimento, ao unir melhores condições de logística com “a modernização da política tributária”. 

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“O cenário é promissor, com a chegada de novos investimentos em energia eólica, petróleo, gás, fruticultura”, avalia a governadora diante da pergunta sobre como pretende estimular a retomada do desenvolvimento do Estado. 

Ela destaca também que o governo está preparado para o enfrentamento de uma segunda onda de covid-19, embora afirme que há um “trabalho duro” para que não se chegue a essa situação. 

Com relação à possibilidade de concorrer à reeleição, Fátima Bezerra responde que está integralmente dedicada à recuperação do Estado e ao trabalho de “tirar o RN do colapso financeiro e social”, mas acrescenta: “Sou uma mulher que nunca fugiu da luta e no que depender de mim e dos nossos aliados estaremos firmes para que este novo ciclo de um governo de perfil progressista, que quebrou paradigmas em 2018, não sofra retrocessos”.

A senhora está completando dois anos de mandato. Que avaliação a faz, neste momento, de sua gestão?
Estamos chegando no final do segundo ano de um Governo que trabalha muito, tem se esforçado para consertar erros e injustiças do passado e pensa o futuro com responsabilidade e inclusão. Não tem sido fácil, dado o colapso econômico e social que herdamos. Mas, já no início da nossa gestão, conseguimos virar uma triste página, que era os salários atrasados dos servidores, e reduzimos os alarmantes índices de violência, na época uma mancha negativa na imagem do estado. Foi um ano de ajustes, de botar ordem na casa, mas também de formatar ações para o futuro. No meio dessa travessia nos deparamos com a pandemia do Coronavírus e foi aí, num momento de imprevisibilidade e de temor no mundo todo, que fomos testados e que passamos pelo crivo da boa gestão. Neste período, foram mais de 600 leitos criados em tempo recorde, o que equivale a seis hospitais de campanha do porte do que foi anunciado para Natal. Levamos cestas básicas a quem precisava, distribuímos com os nossos parceiros quase cinco milhões de máscaras para a população, o maior programa neste aspecto em todo o Brasil. Também contratamos mais de três mil profissionais da área de saúde para atuarem na pandemia. Todo esse esforço salvou muitas vidas e sou muito grata por ter tido a oportunidade de coordenar esse processo ao lado de pessoas sérias e abnegadas, como nossa equipe de Governo; os profissionais da área de saúde, segurança e os que estavam na linha de frente; Poderes; setor produtivo; trabalhadores em geral. Também soubemos fechar e abrir o comércio no tempo certo, mais um acerto de gestão. Não fosse isso o desdobramento poderia ter sido muito diferente – e certamente mais preocupante. Praticamente todos os estados já entraram na chamada segunda onda e nós continuamos em um cenário de estabilidade. Quando encontramos um ambiente de segurança mínima e decidimos retomar a rotina que faz a economia girar apresentamos um planejamento que visava dar suporte ao setor produtivo, com incentivos fiscais e outros atrativos, como a lei da micro e pequena empresa, refis, etc. Ao mesmo tempo, demos seguimento às ações que visam o desenvolvimento do estado com inclusão social. Não abrimos mão disso. Então, ao mesmo tempo em que procuramos ser esteio para os que movimentam a economia, também alicerçamos o social. Com a parceria do Governo Cidadão, ajustamos os projetos que recebemos repletos de gargalos e reconstruímos estradas, escolas sustentáveis na zona rural e reformaremos, até fevereiro de 2021, mais 40 escolas nos municípios do estado. Não é pouca coisa, mas queremos e vamos fazer mais.

E com relação à pandemia, qual a opinião da senhora sobre a forma que o governo do Estado enfrentou o problema? Acha que houve algum erro ou algo que poderia ter sido feito melhor?
A nossa equipe de Governo – e aqui quero dar um destaque para o acompanhamento e fiscalização importantíssimos dos Ministérios Públicos, enquanto órgãos de controle, que nos deram o suporte e segurança institucional para encaminhar as iniciativas necessárias – não mediu esforços. O que foi possível foi feito, aliás, para além de possibilidades, limites e imensas dificuldades, diante da realidade em que nos encontramos o SUS no Estado - colapsado. Falou mais alto o relevante espírito público. Eu tenho dito que não fiz concessão ao populismo e tomei as decisões necessárias, tendo como norte a orientação da ciência, sempre visando a proteção da população. O nosso Governo fez muito e 600 leitos, percentualmente um dos mais substanciais do país, não foi uma meta qualquer a ser atingida. Repito: trabalhamos de forma incansável, não medimos esforços para a emissão de decretos, para a abertura de leitos, contratação de profissionais, articulação com os municípios, ampliação da testagem, além da emissão diária dos boletins epidemiológicos para alertar aos potiguares sobre o cenário diário e também os riscos de transmissão. Nossas ações foram e continuam sendo fundamentais para amenizar os impactos dessa doença devastadora no nosso estado. A estratégia que adotamos foi correta: investir no SUS e estruturar uma rede de leitos de UTIs críticos e clínicos que ficarão como legado para a população, em vez de um único hospital de campanha. Repito: é um legado imensurável que ficará para melhorar a assistência à saúde da população do Rio Grande do Norte em todas as regiões do estado.

A TN noticiou ontem que está havendo aumento de casos de covid no Estado. Qual o posicionamento do governo com relação a isso e o que está sendo pensado caso o RN seja atingido pela 2ª onda? Estamos preparados para isso?
Os casos que estão tendo um aumento estão sob análise e observação constante da vigilância epidemiológica da SESAP e de discussões e avaliações junto ao Comitê Científico. Estamos realizando ainda reuniões constantes com o Ministério Público e todos os órgãos responsáveis pela fiscalização, alinhando as estratégias e preparados caso venha um novo pico da pandemia em nosso Estado. Ainda não é possível afirmar que estamos vivenciando uma segunda onda de infecção pela Covid-19, mas o mais importante é a população saber que o Governo do Estado está preparado, caso isso venha a acontecer. Esperamos que não e estamos trabalhando duro para isso. Mas nossa estratégia de saúde já previa que os nossos leitos da rede pública, todos eles, poderão ser revertidos para atender os acometidos pela pandemia. Mas mais uma vez conclamo a população a fazer a sua parte, não descuidar dos cuidados sanitários, como a obrigatoriedade do uso da máscara, higienização e evitar aglomerações.

A senhora vai anunciar um calendário de pagamento para 2021? Quando? E com relação aos atrasados das folhas que recebeu pendentes? Está definido quando será o pagamento?
Olha, mesmo diante da desorganização administrativa, do descontrole fiscal e financeiro que encontramos o estado, posso aqui assegurar: primeiro, esse é um governo que nunca atrasou salário na sua gestão e ainda está pagando a conta herdada pelos outros. Temos pago o salário religiosamente dentro do mês, o décimo terceiro salário, inclusive de forma antecipada, como fizemos esse ano. E quanto às folhas que herdamos do Governo anterior já quitamos duas e no próximo ano, além de continuar pagando os salários dentro do mês, iniciaremos já em janeiro o pagamento das duas folhas que ainda restam. Neste momento, a Seplan, SET e Sead estão debruçadas em um estudo para construir esse calendário.