Startup do RN cria coleira de alerta para cães cegos

Publicação: 2019-08-14 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
NUMEROS - TECNOLOGIA

Ícaro Carvalho
Repórter

Um cachorro com deficiência visual que bate em vários móveis da casa. Tapetes infantis e dispositivos específicos são espalhados pela residência para evitar os choques do animal. De nada adianta. O problema afligia a potiguar Natália Dantas, 29 anos, que encontrou outra pessoa, Luana Wandecy, 29, se deparando com o mesmo problema. De uma barreira, surgiu um produto  genuinamente potiguar e que está se inserindo aos poucos no mercado: trata-se do BlinDog, uma coleira inteligente para cães cegos evitarem colisões em locais e objetos.

Natália Dantas, administradora da empresa incubada, fala sobre como surgiu a ideia do BlinDog, coleira que alerta o cão cego
Natália Dantas, administradora da empresa incubada, fala sobre como surgiu a ideia do BlinDog, coleira que alerta o cão cego


Essa ideia da dupla do RN, criada em 2015, se transformou em uma das 17 empresas incubadas na Inova Metrópole, incubadora do Instituto Metrópole Digital, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e que também compõe o Parque Tecnológico Metrópole Digital, na zona Sul de Natal. O produto é uma coleira para o cão, que ao identificar obstáculos, emite alertas vibratórios que vão se intensificando à medida que o animal se aproxima.

“O cão vai tentar entender o que é aquilo e com pouco tempo ele já entende que toda vez que o dispositivo vibrar é porque ele vai bater em algum lugar”, explica Natália Dantas à TRIBUNA DO NORTE, acrescentando ainda que as vibrações não estressam o animal. Ela cuida da parte administrativa,  além do contato externo com os clientes. A parte de desenvolvimento e hardware fica a cargo de Luana, formada em Engenharia da Computação.

As vendas começaram em outubro do ano passado e as projeções para o primeiro ano de atividades é para a comercialização de quatro mil unidades, vendidas a R$ 449,00. O dispositivo já foi vendido para outros estados do país, inclusive, para países como Estados Unidos, Colômbia e até para a Europa. Por mês, cerca de 15 unidades são fabricadas em Natal, nas cores branca, preta e rosa. 

A projeção, segundo explica Natália, já está atrelada a um dos próximos desafios e metas da empresa: a venda em pontos físicos, uma vez que o BlinDog só está à venda na internet. Esta  última prerrogativa, inclusive, surgiu após a participação das duas no reality show Shark Tank, da Sony, quando receberam um investimento de R$ 300 mil de João Appolinário, fundador e presidente da Polishop, uma das maiores do ramo de varejo do Brasil.

“Fomos em busca de investimento justamente para conseguir chegar onde queremos chegar. Já temos alguns produtos em processo de desenvolvimento. Foi uma das condições do João Appolinário. Estamos agora melhorando, fazendo com que eles fiquem mais interessantes para o mercado”, explica, acrescentando ainda que pretende ampliar os horizontes do produto para outros animais e até diminuir o tamanho do dispositivo.

Estando dentro do Parque Tecnológico, Natália explica que o contato com outras empresas, sejam startups ou não, é interessante pela rede de contatos de diferentes áreas e as abrangência de conteúdos e conhecimentos.

“Com o parque a gente tem acesso a todo tipo de profissional. Tudo que a gente precisa temos esse suporte técnico aqui. Além do quê a gente é visto por estar aqui, porque é a cabeça do polo tecnológico. Tanto temos acesso a profissionais quanto a gente é visto estando aqui”, conclui.

O dispositivo
Pesando 59 gramas e tamanho único, as desenvolvedoras explicam que a coleira não oferece nenhum tipo de risco para os cachorros. A bateria é recarregável e tem duração de um a três dias, com apenas uma hora de carga.

Aliado a isso, elas explicam que o tempo de adaptação dos cães varia, com alguns aprendendo em um dia e outros levando até uma semana para assimilação. Todas as raças e tipos de cães são contemplados com o dispositivo, entregue de acordo com as particularidades de cada cãozinho.

“Estamos melhorando o aspecto físico do produto, deixando ele mais profissional. Estamos importando peças da China, para fazer com que a bateria renda mais e depois disso, com o produto redondo, nosso próximo passo é colocar em clínicas e pet-shops”, explica Natália.

Estudo mostra crescimento de incubadoras
Um estudo divulgado nesta semana trouxe à tona a realidade do número de incubadoras e aceleradoras em todo o país. O Mapeamento dos Mecanismos de Geração de Empreendimentos Inovadores, mostrou que o Brasil conta com 363 incubadoras e 57 aceleradoras. O levantamento também trouxe outros números: em 2017, a estimativa era de que as 3.694 empresas incubadas no Brasil fossem responsáveis pela geração de 14.457 postos de trabalho e faturaram conjuntamente R$ 551 milhões.

A maior incubadora do Rio Grande do Norte, a Inova Metrópole, acompanha o desenvolvimento de 17 empresas incubadas, a capacidade máxima atingida. A ideia é prestar um auxílio para essas novas organizações   se tornarem um negócio sustentável, gerador de renda e de qualificação profissional.

As incubadoras são instituições que oferecem espaço físico e suporte para alojar os empreendedores, promovendo consultoria e acesso a serviços que as empresas teriam dificuldades para encontrar no mercado. As aceleradoras, por sua vez, tratam de ajudar os inovadores, já num estágio de trabalho avançado, a dar passos maiores e mais rápidos, sendo geridas por empreendedores ou investidores experientes.

O levantamento foi feito em parceria entre a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Números
4.000 unidades é a projeção inicial de vendas do BlinDog para o primeiro ano

R$ 300 mil é o investimento pela empresa

363 é o número de incubadoras o Brasil

57 é o número de aceleradoras no país

Por Trás dos Números - Tecnologia
A TRIBUNA DO NORTE trabalha nesta semana a série “Por Trás dos Números”. A cada dia, uma reportagem é publicada abordando histórias de empresas e startups vinculadas ao Parque Tecnológico Metrópole Digital (PTMD), fundado há dois anos e tendo 46 organizações vinculadas, criando mais de 700 empregos.  A primeira reportagem da série foi publicada no último domingo (11), “Empresas de tecnologia crescem no RN”, trazendo o contexto por trás do Parque Tecnológico, suas particularidades as expectativas de crescimento.








continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários