Startup potiguar produz máscara em 3D para compor EPIs de profissionais da saúde

Publicação: 2020-03-26 00:00:00
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Mariana Ceci
Repórter

Diante da alta demanda mundial por equipamentos de proteção individual e a incapacidade dos fornecedores de atender aos pedidos, empresas de tecnologia em todo o mundo se mobilizam para produzir a nível local equipamentos de proteção e segurança para os profissionais que estão atuando diretamente no combate ao Coronavírus. Em Natal, a Void3D, empresa parte da incubadora do Instituto Metrópole Digital, da UFRN, começou a produzir máscaras protetoras com viseira para os profissionais de saúde, para distribuir gratuitamente em unidades de atendimento e hospitais. 

Créditos: Magnus NascimentoVoid3D: capacidade é de produzir até 10 máscaras/dia por máquina e atualmente conta com 12 impressorasVoid3D: capacidade é de produzir até 10 máscaras/dia por máquina e atualmente conta com 12 impressoras


A iniciativa faz parte de uma movimentação internacional, que teve início na República Tcheca, com a fabricante de impressoras 3D Prusa, e envolve códigos livres, trocas incessantes de informação e muito trabalho voluntário por parte das equipes envolvidas. A empresa tcheca iniciou a impressão das viseiras, e liberou o código para que outros fabricantes e entusiastas de impressoras 3D pudessem replicá-lo em suas realidades. “Os caras começaram uma campanha para fazer essas máscaras e distribuir para os profissionais de saúde da República 

Tcheca. Como tudo que é feito pela Prusa é disponibilizado em código livre, a nação que possui impressoras 3D começou a se mobilizar para imprimir também. Aqui, como temos um volume muito grande de impressoras, pegamos o arquivo dele, ajustamos para que as nossas impressoras pudessem trabalhar mais rápido”, explica Arthur Andrade, diretor da Void3D. 

Os ajustes tiveram resultado: enquanto o idealizador da tecnologia consegue produzir cerca de 2 máscaras por dia por impressora, no IMD a empresa é capaz de produzir de 8 a 10 máscaras diariamente por máquina. Ao todo, a empresa conta com 12 impressoras, o que resultaria em, pelo menos, 96 máscaras por dia. "Ao ouvir a nossa iniciativa, muitos proprietários de impressoras 3D em Natal entraram em contato para auxiliar nesse processo e contribuir com a produção, então esse número deve crescer", afirma Arthur.

O custo de produção atual, por máscara, varia entre R$ 12 e R$ 15, mais elevado do que seria normalmente, em virtude da dificuldade de obtenção dos materiais no mercado. “Acredito que quando conseguirmos aperfeiçoar essa produção, o custo deve cair para cerca de R$ 8 por máscara. Isso deve demorar cerca de 20 dias para ser estabilizado. A produção tem que acontecer, e não dá para ficarmos esperando para comprar o mais barato para começar a produzir, pois é uma necessidade para esses profissionais”, explica o diretor. 

Para financiar a produção, a empresa organizou uma Vaquinha Online, na qual tinham arrecadado, até a manhã desta quarta-feira (25), cerca de R$ 9,4 mil. A meta total de arrecadação é de R$ 50 mil, dinheiro que deve financiar não apenas a produção de todas as máscaras, mas também o início das pesquisas para  produção de respiradores que também serão distribuídos para o sistema público de saúde. “Os recursos da vaquinha ainda não foram liberados, então, enquanto isso não chega, estamos investindo os próprios recursos da empresa para sustentar a produção”, diz Arthur. Para a produção, é necessário adquirir materiais como filamento de impressão, acetato, elástico, embalagem para acomodação e disponibilização e caixas para o envio.

Atualmente, seis pessoas estão atuando nos grupos de impressão, enquanto 15 estão voltadas para a pesquisa dos respiradores e outras cinco integram a Void3D. “Estamos morando no IMD. O último de nós costuma sair por volta de 1h da manhã, e o primeiro chega todos os dias entre  4h30 e 5h para iniciar a impressão”, relata.

A distribuição das máscaras deve iniciar ainda essa semana. De acordo com ele, a ideia inicial é distribuir para os profissionais do Hospital Giselda Trigueiro, referência para internação de casos graves de Covid-19 na capital, e para os profissionais do SAMU Natal. Em sua página do Instagram, a empresa criou um formulário que profissionais da saúde podem preencher, indicando sugestões para onde as máscaras podem ser enviadas. 

Reportagens divulgadas nesta terça-feira (25) na TRIBUNA DO NORTE revelam que a grande demanda nacional por EPIs está dificultando a aquisição dos equipamentos para o Estado. Apesar de terem aberto processos extraordinários de compra dos equipamentos recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o RN não tem previsão de quando vai receber os equipamentos, que estão sendo requisitados por todos os outros Estados brasileiros. 

Em relação aos respiradores, necessários para expandir o número de leitos adequados para os pacientes que apresentam casos graves de Coronavírus, a situação é semelhante: a falta de equipamento no mercado impede a compra tanto para a rede pública como para a rede privada do Estado.









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