Stereophonics, “Scream above the sounds” (2017, Stylus Recs.)

Publicação: 2017-11-07 00:00:00 | Comentários: 0
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Os galeses Stereophonics surgiram no meio das centenas de bandas do (bom) Britpop na década de 1990. Chamaram a atenção quando ainda eram um trio e tocavam um rock barulhento e melódico (ficou hoje somente o segundo). Com o passar do tempo, este aqui já o 10º. álbum de estúdio da banda, o grupo acaba por quase imitar a si mesmo em alguns momentos de seu rock agora já bem domesticado, como nos singles “Caught by the wind” e “All in one night”, duas canções redondas e insossas, mas que os fãs de carteirinha não irão reclamar (antes havia menos baladas).

Nas 12 faixas novas, além de algumas faixas bônus em versão acústica ou ao vivo nas edições limitadas do disco, vez por outra acertam na melodia, no refrão, nas estrofes e na voz rouca do também guitarrista Kelly Jones, caso de “Taken a tumble”, o melhor momento do disco. Há surpresas aqui e ali, como a quase blueseira “Geronimo” ou a inquietamente dramática “What’s all the fuss about?”. Os rocks estão bem FM (isto não é elogio), a exemplo de “Cryin’ in your beer”, e ainda existe algum flerte com bases levemente eletrônicas em “Breaking dawn” e “Chances are”, mas tudo bem passageiro. Como mais um álbum da banda, dá vontade mesmo é de escutar os três primeiros discos da banda. Entretanto, ao menos eles não estão tentando imitar os timbres dos anos oitenta ou noventa. (por Alexandre Alves)

Garage Fuzz, “Celebrating 25 years” (2017, Hearts Bleed Blue)
Um dos ícones do rock independente brasileiro completa um quarto de século, um milagre. E o que dizer sobre isto, além de afirmar que a gravação ao vivo no Centro Cultural SP é digna de deixar muita banda gringa do estilo no chão? Aqui vão 22 faixas que atestam a durabilidade da banda, que começou tocando um hardcore melódico bastante acelerado – aliás, continuam assim ao vivo faixas já clássicas como “Shore of hope” e “Rocking chair”, do primeiro disco da banda –, mas hoje já meteram um pé no freio, a exemplo da excelente “Cortex”, com uma introdução de guitarra de derrubar paredes e corações.

O elo perdido entre hardcore, rock alternativo e indie rock está presente nas incisivas “After the rain”, “Fast relief” e “The morning walk”, com tudo aquilo que o ouvinte tem direito: guitarras distorcidas, aquelas paradinhas na bateria e vocais entre o raivoso e melancólico. Em suma, uma aula de rock com entrosamento perfeito (o baterista Daniel Siqueira é um monstro nas baquetas) e tudo também gravado em vídeo de altíssima qualidade para os interessados na edição mais completa. Que venham mais 25 anos para os santistas, pois o quinteto merece e os brasileiros também. Se puder vê-los ao vivo, compre dois ingressos e entregue um deles de presente. Eis um dos melhores presentes musicais que alguém pode ter na vida, se você gosta de rock, claro. (por Alexandre Alves).


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