STF determina afastamento de Aécio Neves; PGR pede prisão do senador

Publicação: 2017-05-18 07:58:00 | Comentários: 0
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O Supremo Tribunal Federal afastou o senador Aécio Neves (PSDB) e o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB) de seus cargos no Congresso Nacional após pedido da Procuradoria-geral da República com base na delação de Joesley Batista e pessoas ligadas ao grupo J&F. Aécio foi gravado solicitando R$ 2 milhões ao empresário e Rocha Loures foi filmado pela Polícia Federal recebendo valores do empresário. A Procuradoria-Geral da República pediu a prisão dos parlamentares, mas o ministro do STF Edson Fachin, relator da Lava Jato, disse que o assunto deveria ser analisado pela Corte do Supremo.
Aécio Neves
Na conversa gravada, Joesley e Aécio negociam de que forma seria feita a entrega do dinheiro. O empresário teria dito que se o senador recebesse pessoalmente o dinheiro, ele mesmo, Joesley, faria a entrega. E, se Aécio mandasse um preposto, o empresário faria o mesmo. Foi quando o senador disse a seguinte frase: "Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do c***.".

O "Fred" citado no diálogo é Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio, ex-diretor da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e um dos coordenadores da campanha do tucano à Presidência em 2014. O responsável pela entrega teria sido o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, de acordo com a reportagem do jornal.

Rocha Loures, por sua vez, teria sido filmado pela Polícia Federal recebendo cerca de R$ 500 mil em propina.

Além dos afastamentos dos parlamentares, o STF também determinou a prisão da irmã de Aécio Neves, Andrea Neves, que não foi encontrada em seu endereço residencial e era considerada foragida da Justiça, até ser presa em Minas Gerais. A irmã do senador teve o mandado de prisão expedido pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF.

Operação

A manhã desta quinta-feira começou com ação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal dentro da operação Lava Jato, em que o principal alvo foi o senador e presidente do PSDB, Aécio Neves. Com autorização do Supremo Tribunal Federal, são cumpridos 40 mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro e Brasília. Entre os alvos do mandados estão o apartamento de Aécio Neves no Rio e de Andréa Neves. Um assessor do ex-deputado Eduardo Cunha, identificado como Altair Alves Pinto, também foi alvo da operação, deflagrada logo após a divulgação do teor da delação premiada do presidente da JBS, Joesley Batista.

Desde as 6h15, a operação está na rua, cumprindo os mandados nos apartamentos de supostos envolvidos, em três bairros do Rio de Janeiro.

A ação também está ocorrendo no Congresso Nacional. Pelo menos 5 carros descaracterizados da polícia Federal chegaram à chapelaria do Congresso, em Brasília, que é a principal entrada e a mais utilizada pelos parlamentares. Não há, contudo, a confirmação oficial sobre quais gabinetes são alvos, mas informações preliminares dão conta de que os alvos seriam os gabinetes de Aécio Neves, do senador Zezé Perrela (PSDB/MG), além do gabinete do deputado Rodrigo Rocha Loures. O presidente do Senado, Eunício Oliveira, está ciente e a Polícia Legislativa do Senado acompanha o trabalho.

O dono do frigorífico JBS, Joesley Batista, entregou à Procuradoria-Geral da República uma gravação em que o senador Aécio Neves pede R$ 2 milhões ao empresário. Na gravação, obtida com o conhecimento da Polícia Federal e com quase 30 minutos de duração, Aécio justifica o pedido alegando que precisa do dinheiro para pagar advogados na Lava Jato.


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