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Rubens Lemos Filho
Super Matutão, bola e prosa
Publicado: 00:00:00 - 04/05/2022 Atualizado: 21:04:16 - 03/05/2022
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

É esperança que renasce no peito do velho colador de palavras a novidade do Super Matutão, campeonato de seleções municipais a ser lançado pelo presidente da Federação, José Vanildo. 

Zé Vanildo – aos que torcem por birra o nariz para seu estilo – fez um golaço. Sou macaco de arquibancada do velho Matutão, filho não carnal do saudoso jornalista Everaldo Lopes. 

O Super Matutão vai ser regionalizado e o campeão vai receber um carro zero quilômetro de prêmio. Um senhora recompensa. 

O limite de idade será de 22 anos, é óbvio, para revelar jovens craques dos quatro cantos do Rio Grande do Norte. Há meninos sensacionais no interior chuvoso ou seco de caatinga. 

Uma novidade dessa enche de sonho quem vive de esmolas do bom futebol, mendigando aqui e acolá, um drible bonito, uma arrancada ousada, um gol belíssimo dos garotos. Na minha região adotiva, a de Pau dos Ferros, a 500 quilômetros de Natal, existem 32 municípios em seu entorno. 

Um a cidade igual a Francisco Dantas, com menos de três mil habitantes, lá na ponta da Tromba do Elefante (formato do mapa do Estado), forneceu moleques atrevidos para o Vasco(hoje, jogariam no titular), interior de São Paulo e de Minas Gerais. Vão incógnitos, seguem desconhecidos da torcida potiguar. 

É que nem ABC ou América – espero que o Super Matutão – mude o proceder dos dois gigantes -, dá muita bola para uma competição que é uma produção de bons jogadores em escala industrial. Todos eles, claro, a serem burilados pelos componentes das categorias de base, ainda que esses não sejam lá tão familiarizados com a bola. 

O primeiro Matutão foi disputado em 1971 no velho estádio Juvenal Lamartine e teve Pau dos Ferros erguendo a taça ao derrotar Macaíba(foto) em tranco de sair lascas do campinho sofrido. Em 9 de janeiro de 1972, o placar final foi de 2x1, com Raimundinho abrindo o placar para os macaibenses e a virada sendo consumada nos gols de Aldemir e Bobô. 

O dia 9 de janeiro virou data eternizada em Pau dos Ferros. É o nome do estádio da cidade. Do time campeão, treinado pelo folclórico (e craque), Jácio Salomão, do Alecrim e 120 times, foram revelados o goleiro Salvino, um dos melhores do Nordeste, destacado no futebol cearense, o volante Varela, contratado pelo Alecrim. Suas duas estrelas, os atacantes Bobô e Chiquinho, disputaram o Estadual de 1972 pelo América e não repetiram as boas atuações.

Há lendários no Matutão: Canteiro, craque do Centenário de Parelhas, e com passagem no Náutico, Arnauld e Nô, Silva de Ouro, de Caicó, Nêgo Chagas, também de lá. Zinho, que se consagraria no ABC e futebol paulista.  O driblador Batucada, o cerebral Marco Moreno. 

Quando Alberi entra em conversa, sai história e essa aconteceu comigo: na final do Matutão de 1988, de novo no Juvenal Lamartine, o Centenário enfrentou  o Flamengo de Bento Fernandes, cidade que tanto fica no Mato Grande quanto na Região Central,  regiões entrecortadas por uma estrada sinuosa.

Estádio cheio, entra o Flamengo com um crioulo parecendo gêmeo do Deus do ABC. Nêgo Tó, peladeiro cheio de rebolado lá de Igapó, trazia nos punhos aquelas pulseiras de pano dos tenistas de Wimbledon.Uma bossa terrível, única semelhança com o Negão da Bola de Prata. 

Tranquilo, o Centenário batia bola esperando o jogo com Júnior, seu camisa 10 que viria ser vice-campeão pelo ABC em 1989 e jogava um bocado.  Nego Tó aos microfones, eu de cadernetinha de repórter iniciante: 

- Tó, será que você se parece com Alberi também no futebol ?
O camisa 10 de Bento Fernandes tomou fôlego e reagiu: 

- Sou o bambambã  e se a bola dele for melhor é só uma “coisinha”
- José Ivo , repórter da Rádio Poti, sacaneou: 

- Na fita aí nas mãos, você já é superior...
No que Tó perdeu as estribeiras: 

- Vá encher o saco da madrinha,  tomar no rabo. Essas pulseiras são em homenagem a Gabriela Sabratino(Sabatini, lindíssima tenista argentina). 

Deu Centenário, sem dificuldades:2x0. Nego Tó saiu de  táxi, fugindo da torcida de Bento Fernandes, que ele enganara por 90 minutos. Guardou as pulseiras no short. Super Matutão, bom de  bola e prosa.  

ABC 
Nenhuma euforia. Enfrentar o Altos como se fosse o último jogo da vida. E encher de gente o Frasqueirão contra o Voltaço. 

América  
Ridículo. Basta essa definição para o episódio do técnico Edson Vieira, o sujeito mais bizarro dos últimos anos. Demitido sem trabalhar e se vacinar. Errado ele, errado quem trouxe. 

Campeão 
O novo técnico do América, Brigatti, é campeão mundial de juniores de 1983 como goleiro reserva. Aquele timaço de Geovani, Bebeto, Mauricinho, Dunga, Jorginho e Paulinho. 

Brasileiro 
Rio Grande do Norte tem  campeão brasileiro de tiro esportivo. É João Xavier(Xaxá), da Polícia Federal, Divisão Production Super Sênior(Pistola). 

Macaé 
Xaxá, lenda entre atiradores, ganhou em Macaé(RJ).Deu seu habitual show de pontaria. 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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