Super Pateta 55 anos

Publicação: 2020-09-29 00:00:00
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Os leitores do Mickey, de qualquer geração, se dividirão quando instados a dizer qual é o melhor amigo do rato que deu origem ao império de Walt Disney. É muito provável que o Pluto e o Pateta fiquem num empate técnico e que o Donald tenha uma considerável votação, fruto da parceria cinematográfica bastante difundida entre as décadas de 30 e 40 do século passado. Mas é óbvio que nos fatores parceria, convivência e boas aventuras, Pateta é o cara.

Surgiu em maio de 1932, quatro anos depois do melhor amigo e foi conquistando o público com seus trejeitos de bobalhão, estúpido e desengonçado. Ele e Donald eram coadjuvantes nas aventuras do Mickey, mas quando o pato ganhou seu próprio desenho, Pateta assumiu a condição de parceiro número um. E antes do fim daquela década, no começo da Segunda Guerra, ganhou seu próprio desenho e logo também tinha a própria revista.

No alvorecer dos anos 1960, com o mundo passando por transformações culturais profundas, Stan Lee e Jack Kirby resolveram revolucionar o universo dos super-heróis, criando uma plêiade de personagens que ficaram famosos.

Entre 1961 e 1968, a Marvel ganhou Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, Thor, Hulk, Homem-de-Ferro, X-Men, Demolidor e tornou-se rival dos heróis da DC, a maioria surgida antes da guerra. E os seres poderosos viraram pop art.

A veia criativa do grupo Disney percebeu o momento comercialmente relevante e em 1965 introduziu na edição número 2 de Mancha Negra (ladrão e inimigo do Mickey) um raio espacial atingindo os amendoins do atrapalhado Pateta.

O efeito energético do raio deu poderes ao personagem, mas na sua mente confusa ele achou ter sido apenas fruto do seu pensamento. Logo depois, na edição 102 do Pato Donald, acontece então a entrada triunfal do super-herói.

A terceira aparição do Super Pateta tem importância histórica para os leitores da Disney no Brasil, através das revistas da editora Abril. A história O Ladrão de Zanzibar saiu em outubro de 1965 nos EUA e em fevereiro de 1966 aqui.

A edição americana era do próprio Super Pateta e no Brasil foi publicada na edição do Mickey número 160, destacando na capa o herói voando acima do vilão João Bafo de Onça que sequestra Clarabela. O SP carrega um martelo.

Portanto, tendo completado 55 anos de publicação nos EUA em abril deste ano, sua chegada no Brasil faz os mesmos 55 em fevereiro de 2021. Na revista da Abril com 68 páginas há uma segunda historinha, O Zoológico Invisível.

Em 1966, meus pais saíram da Cidade Alta e foram para Santos Reis, o ano do espocar da minha paixão por futebol e revistas em quadrinhos. Meu exemplar do Mickey com o Super Pateta veio da cigarreira de Tributino, na Rio Branco.

Créditos: Divulgação

É hoje
Programa imperdível às 22 horas é o primeiro debate presidencial nos EUA entre Donald Trump e Joe Biden, com transmissão ao vivo na CNN (lá e aqui). Dois temas polêmicos no ar: sonegação de imposto e consumo de drogas.

Amazônia
O melhor e maior projeto do governo Bolsonaro está sendo conduzido pelo vice-presidente Hamilton Mourão. Trata-se da operação Verde Brasil 2, com o Exército tomando o controle da Amazônia e desbaratando tráficos das Ongs.

Francisco
A grande mídia omitiu descaradamente parte do apelo do papa durante a 75ª Assembleia da ONU, quando denunciou que “muitos países e instituições estão promovendo o aborto como um serviço essencial na resposta humanitária”. 

Delação
O ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, depôs diante da Justiça, PF e MP. Suas revelações estão de posse da Procuradoria-Geral da República e tem 70 anexos que assustam gente no Senado, na Câmara e no Supremo. 

Mariposas
Cientistas estão intrigados com a capacidade das borboletas do gênero “aellopos” em se comportarem como beija-flores para enganar predador. No mundo humano, há mariposas que agem como recatadas para atrair predador.

Clarice
Chegou no último dia 25 às livrarias o livro “Todas as Cartas”, reunindo correspondências de Clarice Lispector. A obra é comemorativa ao centenário de nascimento da ucraniana que o Brasil adotou. Há cartas inéditas no livro.

Clarice II
O livro com 284 cartas é da Editora Rocco e tem umas 50 inéditas enviadas para amigos como Lygia Fagundes Telles, Otto Lara Resende, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Nélida Piñon, João Cabral e Mário de Andrade.

Brigitte
Do médico e poeta Napoleão Veras: “Me lembro muito o frisson dela aqui em Búzios, as revistas eram poucas pra suas fotos. Não houve nada mais sensual sobre a Terra do que a louraça; o ar de descompromisso, a boca de peixe”.

Bardot
Do procurador e escritor François Silvestre: “Bardot no cinema e Gisele, a espiã nua que abalou Paris, na literatura, foram as maiores produtoras de jovens devotos do deus Onan no Ginásio Seridoense Diocesano, em Caicó”.

Editorial
Aspas do velho Ugo Vernomentti parafraseando o jornalão paulistano: “Por enquanto, o Estadão se sustenta graças a uma combinação de jornalismo barato com a cínica capacidade de fingir que é um veículo independente”.







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