Superman na versão dos fãs

Publicação: 2020-07-05 00:00:00
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com 

Dos anos 1980 para cá, com as muitas produções de filmes de super-heróis no cinema e na televisão, o encanto com as revistinhas impressas perdeu força nas gerações para quem a sétima arte apontava seus investimentos. A grande maioria de lá para cá prefere ver seus heróis em ação na interpretação de atores do que nos desenhos inanimados das publicações. Antes disso, eu que sou anterior, sempre preferi colecionar as aventuras do Superman no papel.

Quando o vi pela primeira vez voando na tela do Cine São José, nas Quintas, a partir de 1969, confesso que não tive o mesmo impacto de quando o conheci nas revistinhas das bancas de jornal. Apesar de ver semanalmente as séries.
Créditos: Divulgação
O cineminha do bairro exibia capítulos das duas séries existentes, a de 1948, com o ator Kirk Alyn, e a de 1952, com George Reeves, evidentemente em preto e branco. Se revezavam com episódios de Flash Gordon e El Santo.

Já os desenhos animados a partir dos anos 1970, tanto os específicos de Superman ou os da Liga da Justiça, nunca me animaram a repetir o culto que eu dedicava nas revistinhas da EBAL. Mas aí veio 1978 e foi bem diferente.

Inesquecível a sessão no Cine Rio Grande da primeira grande produção de um filme sobre meu personagem predileto. A interpretação de Christopher Reeve foi um divisor de águas e de formato, dando aos fãs uma nova adoração.

O advento do Superman do diretor Richard Donner abriu caminho para outras produções, novos seriados de TV, e aí a partir dos anos 80 eu diminuí as compras de revistas e passei a dar manutenção nas das décadas anteriores.

Aprendi também a consumir filmes e curtas alternativos criados e dirigidos por fãs do personagem, e eles não são poucos, apesar da maioria não ter ainda as edições de legendas em português. Mas há no espanhol, que quebra o galho.

Os filmes de fãs (fan film) representam um lugar muito específico da cultura nerd e adquiriram força com ofertas sem fins lucrativos para outros personagens como Batman e até para sagas do tipo Star Wars e Harry Potter.

Recentemente assisti “Superman World War”, de 2018, uma bela obra do diretor Donald Callahan e estrelado por Kevin Caliber. Aventura de época, boa cenografia, com o Super enfrentando as tropas nazistas em plena Berlim.

Outra maravilha é Olá, Sr. Kent, de 2013, do chinês Daryl Lim, um professor de Boston. Com custo zero ele mostra Clark Kent indo para a Malásia representar o Planeta Diário num evento universitário, onde se destaca a clássica timidez.

Em 2017 foi feito Sylvia, uma narrativa bem típica da curiosidade e improviso dos fãs, exibindo um Superman fora da curva quase centenária do seu perfil. É um cara sensível para unir o alienígena que é com o humano que se tornou.

Já Homem de Amanhã é de 2016, um curta feito na França com a marca da DC Comics, onde a morte do pai e do amor adolescente provoca a ira do herói que vai de Smallville para Metrópolis destruir tudo, e tem apoio do Batman.

Superman vs Coringa é um curta de 2015, criado para ser uma aula na New York University. O inimigo do Batman espalha bombas em Metrópolis e terá que encarar o maior herói do mundo, tudo gravado ao vivo e numa tacada só.

Em 2016 foi feito um puta filme, Superman encontra Batman, do fã Kacey Baker que também fez o roteiro. Além de dois bons atores como os protagonistas, uma grande atuação do cara que interpreta o Coringa. Se jogar nas telas do cinema, os fãs vão aplaudir o colega. Há muitas outras produções de fãs, todas dignas do culto ao Superman. O YouTube tem algumas.