Superpopulação de gatos preocupa

Publicação: 2010-06-23 00:00:00 | Comentários: 6
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Eles estão por toda a parte: no meio da rua, no Parque da Cidade e até na sala de aula da universidade. Às vezes sozinho, outras em bando. O fato é que a superpopulação de gatos - são mais de 37 mil gatos domésticos segundo o Censo do IBGE - preocupa não só as autoridades sanitárias, mas também a população, que tem que conviver com os felinos.

Maior preocupação das autoridades de saúde é com os gatos vadios porque o Centro de Zoonoses não tem estrutura para recolher todos os animais das ruasUma audiência pública, realizada na manhã de ontem, na Câmara dos Vereadores, discutiu as consequências a saúde e formas de combater a superpopulação de gatos.  A maior preocupação das autoridades sanitárias é com relação ao abandono desses felinos e os problemas de saúde.

“A nossa dificuldade é com relação aos gatos vadios. Infelizmente, o Centro de Zoonoses não tem estrutura para recolher todos eles das ruas. A cada dia esse número aumenta mais porque as pessoas abandonam os gatos em vários pontos da cidade”, disse o diretor do Centro de Zoonoses, Diógenes Soares da Silva.

No que diz respeito à saúde pública, a maior preocupação está ligada à transmissão da raiva e não da toxoplasmose. “O maior risco é com a raiva – que tem 99,9% de letalidade. No caso da toxoplasmose, o contato direto com os gatos não provoca a doença. É o contato com as fezes do animal, que pode provocar a doença. O contato direto com o gato, não provoca nenhum risco”, disse Diógenes Soares da Silva.

Uma das soluções discutidas na audiência pública seria a castração ou esterilização dos animais de ruas, para evitar a reprodução descontrolada dos gatos. A presidente da Associação de Proteção aos Animais (Amimais), Liana Monteiro, explicou que os animais estão sendo criminalizados. “Recomendamos um mutirão de esterilização, no entanto é preciso uma estrutura organizada para isso”, relata. Ela também alertou para a importância da educação ambiental nas escolas.

O CZ, tem um projeto para ampliação das suas instalações e assim poder recolher e cuidar desses animais de rua, mas esbarra na burocracia. “Estamos esperando a aprovação do projeto e liberação da verba para dar início às obras. Espero que seja o mais rápido possível”, disse o diretor do CZ.

O abandono de animais é um hábito tão frequente que já existem pontos estratégicos. Entre eles, a avenida Engenheiro Roberto Freire, a UFRN, o Parque da Cidade e o Parque das Dunas. Nesses dois últimos, tem ainda os riscos para o meio ambiente, já que os gatos destroem espécies da vegetação local.

O município não tem dados exatos da quantidade de gatos abandonados, mas acredita-se que são centenas de animais em cada um desses pontos. Para se ter  ideia, uma contagem da divisão de meio ambiente da Superintendência de Infraestrtura da UFRN, mostrou que há cerca de 300 felinos circulando pela instituição.

A maioria deles se concentra no Setor de Aula I -onde tem várias lanchonetes - e próximo ao Laboratório de Comunicação. “Eles causam um prejuízo grande para a gente que trabalha com comida. Temos que ter todo cuidado para afastá-los dos alimentos e assim evitar a contaminação deles. Há mais de 20 anos tenho uma lanchonete no Setor I e sofro com esse problema”, disse Cleonice de Oliveira Silva.

Alguns gatos são mais ‘atrevidos’  e usam as salas de aula como abrigo. “Acho super errado essas pessoas que vêm aqui alimentar os gatos. Isso só faz aumentar a quantidade desses bichos pela universidade. Dia desses tinha um na sala de aula, muito concentrado prestando atenção no professor”, disse a estudante do curso de rádio e TV, Jamaika Lima.

Para tentar inibir o abandono de gatos na UFRN, a Superintendência de Infraestrutura da instituição reforçou a vigilância no Campus, além de contar com a colaboração das câmeras de monitoramento. “Estamos tomando atitudes para evitar a proliferação dos gatos no Campus, mas a universidade não tem verba específica para isso e nem possui um curso de veterinária para ajudar no cuidado desses animais, Contamos com a colaboração da comunidade”, disse a engenheira da divisão de meio ambiente da UFRN, Marjorie Medeiros.

Especialistas pedem para não alimentar animais na rua

Outro problema apresentado na audiência pública diz respeito às pessoas que alimentam os gatos de rua. Essa ação gera um ciclo vicioso, que só faz aumentar o número de gatos abandonados, já que muita gente deixa os bichos na rua porque sabe que tem quem os alimente.

A professora da UFRN, Nadja Cardoso é contra a proibição de alimentar os gatos de rua. Há 30 anos ela alimenta diversos gatos em vários pontos de Natal. Por mês ela compra, em média, 60 kg de ração, 30 litros de leite e 30 kg de carne. “Se eu não alimentá-los eles vão morrer de fome e isso não é justo. O poder público deveria se preocupar com os gatunos da política e não com quem alimenta os gatos. Se existisse um cuidado com esses bichos abandonados eu não precisaria dar comida a eles. Mas enquanto não tiver uma atenção a esses bichos, vou continuar alimentando-os”, disse a professora.

Para a promotora Elaine Cardoso, que atua na defesa da saúde,  “se alguma pessoa gosta de animais e se preocupa em cuidar deles, a melhor alternativa é adotar um animal e não apenas colocar comida na rua; pois esses gatos, apesar de alimentados, continuam sem cuidados veterinários, sem vacinas e sem controle sanitário”.

A veterinária Fabíola Medeiros, da ONG Amimais, afirmou que melhor do que distribuir alimentação para os gatos, é achar um dono para eles. “Na semana passada encontramos uma gata em trabalho de parto abandonada na rua. Infelizmente, os filhotes não sobreviveram, mas a gata está bem e já tem um novo dono”, disse a veterinária.

Outra proposta da ONG Animais é a implantação de chips nos felinos que passarem pelo Centro de Zoonoses para que os donos sejam encontrados e punidos, no caso de abandono. “Mas esbarramos na questão da lentidão do poder público, que ainda não estruturou o CZ. Diferente do que acontece em outros Estados, onde é oferecido atendimento aos animais carentes” disse Fabíola Medeiros.   

A promotora de Justiça, Rossana Sudário, ressaltou a necessidade de uma campanha informativa nos veículos de comunicação. “Através de verba publicitária podemos informar e educar a população quanto aos riscos. Vivemos em sociedade e precisamos saber que nossas ações provocam resultados”, disse Rossana Sudário.

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Comentários

  • alinefranca19

    É um absurdo a qtd de gente ruim! Isso mesmo, gente ruim. Pq a bondade do ser humano se mede pelo jeito que ele trata os animais, pq não se ganha nada em troca. Eu concordo comletamente com a \"tcamara\". Em relação às doenças, humanos tbm passam doenças, sabiam? Vamos deixar de alimentar as pessoas doentes, para que elas fiquem fracas, morram, e assim não corremos o risco de nos adoentarmos tbm. Eu tbm ajudo gatos de rua, e não, eu não os levo pra casa, mas é porque eu não posso! Se o nosso limite está em alimentar, se é o que podemos fazer, que façamos! É necessário um projeto decente para ajudar animais carentes. Boa idéias foram comentadas aqui, mas existe muito descaso onde há poder de fazer. As pessoas deveriam se juntar tbm. Pq esperar por esses canalhas não ta adiantando

  • m_anilorac

    DENÚNCIA GATICÍDIO! Moro em Cotovelo e a população de gatos de rua por aqui é bem alta. No entanto acredito que não devemos equivocarmo-nos quanto aos valores que orientam nossas ações e decisões. Tenho uma vizinha gaticída! É um problema que vários outros moradores já testemunharam tal como o APEDREJAMENTO e ENVENENAMENTO dos bichanos. Lembro a todos que uma tijolada não mata o animal de primeira,muito menos o veneno. O sofrimento é énorme. Conversamos com os responsáveis, mas a mulher argumenta que tem as costas quentes no judiciário daqui. Aquela velha história brasileira da vantagem e do privilégio que te excusa perante à lei e aos valores civilisatórios. Problemas sanitários não podem dar vazão à solução do extermínio; que por aqui recomeçou coincidententemente ontem. Sou à favor da esterilização, assim como campanhas educativas que imponham um prazo de reflexão para a adoção dos bichos a partir do ato de compra. Eles são comercializados como objetos e, portanto, são descartados como tal. Mais um simples e infeliz ato de consumo. Cuidar de um animal é RESPONSABILIZAR-SE pela vida de forma geral. A falta deste valor em qualquer dimensão desàgua na enxurrada de absurdos que são praticados inclusive contra nossas crianças. A questão do respeito à vida não pode ser relativisada sem conseqüencias desastrosas. Por isto também quero dizer que aqueles que sabem e sentem que toda manifestação de vida merece todo o respeito e que delas devemos ser guardiões e turores devem organizar-se. Temos que nos organizar para que atos de amor como o dessa professora não sejam desperdiçados nem ridicularizados pela sociedade. Vamos?

  • karlaemagrecimento

    acho uma certa injustiça por parte das autoridades esse tipo de incentivo á nao alimentaçao dos animais.existem pessoas de corações bons que sem nenhum interesse alimentam os gatinhos.ouvi uma frase de madre tereza de calcutá que diz:se conhece um povo pela forma como trata seus animais. infelizmente existem pessoas com tanta maldade na vida que maltratam os animais e nao tem coragem de jogar um bico de pao para um animal faminto. queria pedir que quem puder adote um gatinho.ja temos 10 aqui em casa...todos adotivos e sao as melhores companhias.

  • tenninshi

    @Etsilvio: Silvio, eu acho que vc não leu o que eu disse acima... e se leu não entendeu mesmo. Eu NÃO sou a favor que os gatos fiquem abandonados em vias e locais públicos. Eu sou a favor da criação de uma campanha utilizando a TV e internet e de centros comunitários em cada bairro, com apoio a ONGS e veterinários, o que ajuda a resolver o EFEITO do problema... o que vai erradicar mesmo é a conscientização por parte da população ao agir de forma adequada. E sim Sílvio, o nosso governo tem responsabilidade para com as situações destes animais quanto de outros porque nós quem invadimos o espaço deles e contribuímos para esse problema. Vá fazer protesto contra deputados e outros \"governantes\" que dispõem de milhares de auxílio-despesas que desperdiçam totalmente o nosso dinheiro, sendo isso mais óbvio que os direitos dos animais. Já te disse inúmeras vezes: entre sua opinião e uma Lei existe uma diferença monstruosa, entre o fato de vc gostar dos animais e o advento deles, uma maior ainda. Já em relação ao que vc acha a meu respeito, é pura e exclusivamente problema seu...

  • virgemdost

    Os orgãos competentes a esse assunto deveriam arrumar uma melhor forma de ajudar esses animais ( digo ajudar, não matar!) porque não fazem um local só p/ animais abandonados? e lá esterelizavam , vacinavam e colocava p/ adoção... assim seria mais fácil. Agora de uma coisa temos certeza, graças a esses felinos, Natal não tem super população de ratos. Isso já é bom demais!! Parabéns a professora Nadja Cardoso!! Continue c/ a sua boa ação aos animais, pois eles não sabem protestar por um mundo melhor.

  • marlimoraess

    O desequilíbrio dessa fauna não-humana nos centros urbanos é causado pela excessiva oferta de animais pelo comércio não só dos petshops mas de feirinhas e partiuclares q viram nos animais uma fonte de lucro fácil e da OMISSÃO do poder Público diante do problema. Matar animais nos CCZs pode resolver os problemas do CCZ, mas não dos animais q sofrem nas ruas nem dos Protetores q cuidam e recolhem esses animais. Só nos resta rezar pra essa verba pro CCZ não se tranformar em mais uma mamata pros cofres públicos e campanhas políticas enquanto isso a Prefeitura enrola com as CASTRAÇÕES GRATUITAS.