Suspensão de aulas atinge 1,2 milhão

Publicação: 2020-03-18 00:00:00
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Luiz Henrique Gomes
Repórter

A suspensão das aulas das redes de ensino do Rio Grande do Norte a partir desta quarta-feira, 18, decorrente da pandemia do coronavírus, afeta diretamente cerca de 1,2 milhão de pessoas, entre alunos e funcionários. A paralisação ocorre nas redes públicas do Estado e dos 167 municípios e na rede particular, segundo determinado nesta terça-feira pela governadora Fátima Bezerra, e também nas instituições de ensino superior, por decisão dos próprios colegiados. O período de suspensão varia de acordo com a situação do vírus no Brasil e no Estado.

Créditos: Alex RegisDefinição sobre cancelamento de aulas na UFRN saiu na manhã desta terça-feira. A UERN já havia decidido pela suspensãoDefinição sobre cancelamento de aulas na UFRN saiu na manhã desta terça-feira. A UERN já havia decidido pela suspensão


O número de pessoas afetadas significa um terço da população do Rio Grande do Norte e é maior ainda se considerar os familiares dos alunos da educação infantil, que também podem ter modificações na rotina de maneira indireta. Em relação às redes publicas e particular do ensino básico, a Secretaria Estadual de Educação e Cultura (SEEC) estuda outras medidas para diminuir a consequência para famílias em situação de vulnerabilidade social que dependem da merenda escolar para garantir alimentação saudável do filho ou da escola para permitir os pais trabalharem.

A princípio, a paralisação determinada pelo Estado é durante 15 dias, mas vai ser reavaliada de acordo com a situação do vírus. Essa é a medida mais radical do Estado até o momento para conter a propagação do vírus. A Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) também recomenda a suspensão de eventos e aglomerações acima de 100 pessoas. Até o fim desta terça-feira, apenas 1 caso da doença foi confirmado e 33 pessoas eram consideradas suspeitas.

Segundo a governadora Fátima Bezerra, a medida é necessária para "proteger a saúde dos estudantes e profissionais de educação". "Estamos falando de uma decisão que diz respeito a vida de 220 mil estudantes da rede estadual, mais 600 mil das redes municipais e cerca de 170 mil de escolas particulares", declarou.

O secretário estadual Getúlio Marques ressaltou que a decisão sobre a reposição das aulas cabe a cada rede. No caso do Estado, está em análise o uso de plataformas online para manter uma parte das atividades escolares. "Dependendo das orientações do Conselho Nacional da Educação, nós vamos avaliar o que deve ser reposição de aula ou contar como atividade letiva. Tudo isso está sendo discutido e até o final dessa semana teremos algumas definições sobre outras questões", afirmou.

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a Universidade Rural do Semiárido (Ufersa) e o Instituto Federal (IFRN) também suspenderam as atividades acadêmicas nesta terça-feira, 17. No dia anterior, a Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN) já havia suspendido as suas atividades por 30 dias. Eventos acadêmicos e administrativos também foram adiados.

Todas as instituições alegaram "necessidade de maximizar as medidas preventivas" para reduzir a chance de contaminação do vírus e atender uma demanda da comunidade acadêmica. Na UFRN, pelo menos duas professoras estão com suspeita de contrair o Covid-19, doença do coronavírus. Ambas aguardam o resultado dos exames.

A maioria das instituições de ensino já haviam adotado medidas preventivas, como liberar servidores dentro do grupo de risco (acima de 60 anos e portadores de doenças crônicas ou graves) para o trabalho remoto e determinar a quarentena por 14 dias caso houvessem viajado para locais de contágio recentemente. Nos próximos dias, devem definir como atividades administrativas irão seguir e publicar novas medidas baseadas na portaria normativa do Ministério da Economia publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira.

A portaria do Ministério suspende viagens internacionais e domésticas a serviço, permite a adoção de jornada de trabalho em turnos alternados e flexibilização do quadro de servidores e a liberação de servidores pais de crianças no ensino infantil.

Merenda escolar
A Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEEC) vai realizar um levantamento com as escolas estaduais para saber quantas famílias necessitam da merenda escolar para garantir a alimentação adequada dos filhos, mas ainda não há um plano definido para o fornecimento. "Estamos pedindo aos diretores de cada escola para traçarem esse perfil", afirmou o secretário de Educação, Getúlio Marques. "Vamos orientar as famílias a procurarem as escolas e aquelas que tem dificuldade na área alimentar para que a gente possa fazer um trabalho com elas para saber de que forma nós vamos suprir a merenda", complementou.

RN terá 10 leitos de UTI contratados pelo Ministério
O Rio Grande do Norte vai ser contemplado com 10 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) contratados pelo Ministério da Saúde para ampliar a rede de assistência aos casos de Covid-19, doença causada pelo coronavírus. Os leitos serão instalados nos próximos 15 dias, segundo anunciou o Ministério da Saúde nesta segunda-feira, 16. A Secretaria de Estado de Saúde Publica (Sesap) ainda analisa em quais hospitais os leitos serão distribuídos.

A quantidade destinada ao RN faz parte da contratação de 2 mil leitos de UTI planejada pelo governo federal na semana passada para distribuir entre os Estados. Nesta segunda-feira, 16, a instalação de 540 desses leitos foi anunciada.

O secretário estadual, Cipriano Maia, informou que esses leitos vão além dos 60 pré-estabelecidos no Plano de Contingência ao Covid-19 apresentado na sexta-feira, 13, para serem referências e retaguardas ao tratamento dos casos graves de Covid-19. Desses, 25 são exclusivos para assistência aos pacientes infectados pelo novo vírus, mas a maior parte ainda está em instalação e apenas 7 funcionam.

Cipriano Maia afirmou que o local dos novos leitos não deve ser o Giselda Trigueiro, que já conta com leitos exclusivos. Um dos hospitais mais cotados para recebê-los é o Tarcísio Maia, em Mossoró.

Incluindo os leitos do plano de contingência, a rede de saúde pública do Rio Grande do Norte possui 463 ao todo, incluindo os da rede privada contratados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para o tratamento dos diversos casos clínicos. A ocupação é de 100%, segundo Maia, e pode gerar um problema caso o vírus se alastre no Estado nas próximas semanas. “Nós vamos melhorar o gerenciamento desses leitos para que eles tenham uma utilidade maior e uma rotatividade maior”, afirmou na segunda-feira, 16.

Questionado se as cirurgias eletivas podem ser canceladas, seguindo o exemplo de Estados como Rio de Janeiro e Santa Catarina, Cipriano Maia afirmou que o assunto ainda está em discussão. Já a governadora Fátima Bezerra disse que a equipe “está definindo isso com todo cuidado e responsabilidade”. No Rio de Janeiro, o secretario estadual de Saúde reservou os leitos que seriam utilizados nas cirurgias para o tratamento de casos graves de Covid-19. Apenas cirurgias cardíacas e oncológicas continuam.

Números

Instituto Federal do RN
30 mil alunos matriculados em cursos regulares

1,5 mil professores

1,1 mil técnicos

Universidade Federal Rural do Semiárido
10 mil alunos matriculados em cursos regulares

705 docentes

350 terceirizados

Universidade do RN
40 mil alunos matriculados em cursos regulares

2,6 mil docentes

3,1 mil técnicos

Universidade Estadual do RN
12 mil alunos matriculados em cursos regulares

1,2 mil docentes

904 técnicos

Rede estadual de ensino
220 mil alunos

15 mil professores

7 mil técnicos

5 mil terceirizados

Rede privada de ensino
35 mil professores

170 mil alunos

Redes municipais de ensino
58 mil professores, técnicos e terceirizados*

600 mil estudantes
*Número estimado


Fonte: SEEC e Instituições de ensino

Veja como se dá a transmissão do vírus

Como o novo coronavírus é transmitido?
As investigações sobre transmissão do novo coronavírus ainda estão em andamento, mas a disseminação de pessoa para pessoa está ocorrendo.

Alguns vírus são altamente contagiosos (como sarampo), enquanto outros são menos. Ainda não está claro com que facilidade o novo coronavírus se espalha de pessoa para pessoa.

Apesar disso, a transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como:

gotículas de saliva;

espirro;

tosse;

catarro;

contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão;

contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Os coronavírus apresentam uma transmissão menos intensa que o vírus da gripe e, portanto, o risco de maior circulação mundial é menor.

O vírus pode ficar incubado por duas semanas, período em que os primeiros sintomas levam para aparecer desde a infecção.

Como prevenir o novo coronavírus?
O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o novo coronavírus. Entre as medidas estão:

evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias agudas;

realizar lavagem frequente das mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente;

utilizar lenço descartável para higiene nasal;

cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;

evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;

higienizar as mãos após tossir ou espirrar;

não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;

manter os ambientes bem ventilados;

evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença;

evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações.

Quais são os sintomas do novo coronavírus?
Os sinais e sintomas clínicos do novo coronavírus são principalmente respiratórios, semelhantes a um resfriado. Podem, também, causar infecção do trato respiratório inferior, como as pneumonias.

Os principais são sintomas são:
Febre.

Tosse.

Dificuldade para respirar.











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