Suspense... Sucessão federal e estadual flutua em céu tempestuoso

Publicação: 2009-10-04 00:00:00
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Agnelo Alves - O repórter

A oposição ainda não definiu o seu candidato para sucessão presidencial, se o governador de São Paulo, José Serra ou o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Também os partidos que formam a “Base” governamental do presidente Lula, não decidiram, tão pouco. A chefe da Casa Civil, a petista Dilma Rousseff ou o deputado Federal Ciro Gomes do PSB?

No Rio Grande do Norte, quem disputará o Governo do Estado, pela oposição que não faz oposição, a senadora Rosalba Ciarlini? E pela “Base” que apoia o governo da governadora Wilma de Faria, Iberê Ferreira de Souza, do PSB, João Maia do PR, Carlos Eduardo do PDT ou Robinson Faria do PMN?

Ainda no Rio Grande do Norte, a disputa por duas cadeiras no Senado da República pelos três chamados ícones de maior densidade eleitoral do Estado, Garibaldi Filho, do PMDB, Wilma de Faria, do PSB e José Agripino, do DEM, se constitui num capítulo à parte pelos candidatos, mas de capital importância, dentro do contexto, pela influência que terá, indubitavelmente, nos rumos da campanha sucessória.

Dilma

Na “Base” governamental, que apoia o presidente Lula, as nuvens caminhavam bem, dentro do percurso em “céu de brigadeiro” para a candidata do presidente, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Mas os ventos começaram a tomar força e o que parecia uma travessia sem maiores atropelos, salvo os naturais, na ordem externa como oposição, começou a se envolver em obstáculos perturbadores com consequências danosas para a candidatura de Lula.

O primeiro foi o câncer linfático, felizmente superado, graças ao tratamento a que se submeteu com determinação, embora sem abandonar o trabalho árduo na Casa Civil da Presidência da República. Todos os sintomas da doença desapareceram, mas a cura somente será confirmada após cinco anos. É da técnica da medicina.

O segundo foi de uma tempestade totalmente fora de qualquer previsão, num embate absolutamente fácil de ser transposto, mas que causou um dano forte na candidatura de Dilma. O embate com a secretária Nacional da Receita Federal, a nossa conterrânea Lina Vieira. Mas, pesquisas qualitativas são, aparentemente, mais danosas para a queda nas pesquisas quantitativas da candidata.

As nuvens mudaram de lugar e de formato, mas não com o poder de uma derrocada. Tempestade, verdade. Furacão, também. Tufão, idem. Até o PMDB, que agendara audiência com o presidente Lula para levar o nome de seu presidente, Michael Temer, para a vice-presidência, recuou. A própria candidatura entrou num perigoso espaço de sobrevivência do qual ainda não saiu.

Ciro

No vácuo quase abismal da candidatura Dilma, apareceu a candidatura do deputado Federal Ciro Gomes, do PSB, candidato já duas vezes à Presidência da República. Ciro Gomes foi valorizado pelo próprio presidente Lula ao fazê-lo candidato, pelo PT, ao governo de São Paulo.  Lula não estava com informações do serviço de meteorologia política. Não sabia das dificuldades que Dilma iria enfrentar. O “céu não é de brigadeiro”.

O deputado Ciro Gomes é paulista, mas sempre faz política no Ceará, onde apoia e tem apoio do PSDB, o partido que faz, com o DEM, oposição ao governo de Lula. As pesquisas qualitativas, entretanto, não sinalizam previsão mais otimista da candidatura de Ciro. Tudo vai depender da musculatura política e eleitoral que apresentar, dentro do seu próprio partido, o PSB. Pelo sim e pelo não, Ciro transferiu o domicílio eleitoral para São Paulo.

Marina Silva

Outro nome que surgiu na “Base” do presidente Lula é o da senadora Marina Silva, que deixou o PT para ser candidata à Presidência da República pelo PV. Não há previsão de progressão para a disputa final. Mas os votos que tiver, no primeiro turno, serão subtraídos da candidatura de Dilma.

Interrogação

Acabou a fase de “céu de brigadeiro” para os candidatos à Presidência da República. Restam indicações sem respostas. José Serra ou Aécio Neves pela oposição? Dilma ou Ciro pela “Base” de Lula? Marina Silva manterá sua candidatura sem caracterizá-la como de oposição ou apoio ao governo Lula?

Resposta, quem tiver, para quem desejar receber como palpite, porque, como certeza, ninguém saberá.

No Rio Grande do Norte

No Rio Grande do Norte, as nuvens estão em movimento. Mas as tempestades têm sido desviadas até com mudanças de rotas. Alguém que está apostando num embate entre Garibaldi e Henrique estará apostando no risco. Se alguém está desafiando para aposta em Rosalba Ciarlini antes de uma decisão de Garibaldi, sim ou não, está mais disposto a perder com risco do que ganhar fácil.

Esse problema – Garibaldi e seu plano de voo – é o que os aviadores políticos têm um nome para defini-lo nós também, meros observadores dos voos dos políticos e candidatos, temos, também, como chamá-lo: impublicável.

Estória da história

Acompanho, desde 1950, todas as sucessões governamentais no Rio Grande do Norte, mas não me habilito a fazer comparações entre elas, exceto, quanto a uma afirmação que faço com absoluta convicção: Todas elas foram traumáticas, a partir da primeira, a do governador José Varela, do PSD.  

UDN e Varela se namoravam. O PSD morria de ciúme. A UDN vinha de duas mal sucedidas campanhas eleitorais. A do brigadeiro Eduardo Gomes, em 1945 e a primeira governamental, quando perdera para o próprio José Varela, do PSD,  ocasião em que os udenistas fizeram acordo com Café Filho e apoiaram, em 1947, a candidatura do “cafeísta” Floriano Cavalcante, contra Varela.

Como ir para a terceira campanha sem perspectivas? No plano nacional, a campanha do brigadeiro Eduardo Gomes, visando à candidatura presidencial, não atraía. E em Natal, sofria um rejeição injusta. Era preciso uma aproximação com o PSD, pois “ninguém é de ferro”. Mas o PSD não queria. Por que repartir o bolo que não dava para todos? Não, em termos, porque o governador José Varela topava o acordo. E de conversa em conversa, chegou-se ao nome de Manoel Varela de Albuquerque, líder do primo e governador José Varela, na Assembleia Legislativa. O PSD reagia sob o comando do senador Georgino Avelino, apoiado pela maioria do partido. João Câmara, industrial, que uniria sem questionamento, morrera. O nome teria que ser, com todos os traumas, o de Manoel Varela de Albuquerque, primo-irmão do governador.

Mas, na UDN, uma voz ponderável, surgia entre silêncios que apoiavam a voz autorizada do ex-prefeito de Mossoró, Dix-sept Rosado. Aceitava qualquer nome do PSD. Menos o de Manoel Varela de Albuquerque. Aceitava, inclusive, o nome de outro primo do governador José Varela, também Manoel Varela, mas, em vez de ser de Albuquerque, era Santiago.

Nesse sentido, Dix-sept Rosado foi na nossa casa, na Deodoro da Fonseca, conversar com Aluízio Alves. Ante a perspectiva de chegar outra pessoa, os dois, Dix-sept e Aluízio, saíram para conversar na rua. A Deodoro não era pavimentada no trecho de nossa casa. Acompanhei as idas e vindas, entre buracos, dos dois. Dix-sept, de calça de mescla e camisa cáqui. Aluízio, de calça branca e camisa de mangas compridas, também branca.

Na volta da conversa, Dix-sept Rosado entrou no seu carro, acenou para mim e Aluízio e dali mesmo seguiu para Mossoró, segundo anunciou. Aluízio estava visivelmente feliz. Gostava e admirava Dix-sept. Botou a gravata e o paletó e foi conversar com José Varela que aceitou, de imediato, a troca entre os dois primos, de Albuquerque pelo Santiago.

O deputado mossoroense, Walter Fonseca, “peessedista”, entretanto, era contra a troca. Foi para o rádio da polícia no Palácio Potengi, mandou chamar Gabriel Varela em Mossoró, irmão do governador, dizendo que “a solução proposta por Dix-sept através de Aluízio, era o fim do PSD”. A vitória seria da UDN mossoroense. Gabriel mandou chamar o irmão governador e disse que os udenistas mossoroenses estavam fazendo a festa. José Varela, então, reagiu. O nome seria Manoel Varela de Albuquerque mesmo e não Santiago.

Georgino mandou a reação no PSD. O senador, hospedava-se na própria Vila Potiguar, residência oficial do governador, na praça Pedro Velho, retirou-se da sala junto com a maioria do PSD. Apanhou a sua mala no quarto e atravessou a praça.  Na casa de Gentil Ferreira de Souza, no terraço que os udenistas chamavam de “placa”, todos acompanhavam o movimento na Vila Potiguar, em frente. Vibraram e comemoraram, quando viram Georgino fazendo a travessia da praça a pé.

Os candidatos foram Manoel Varela de Albuquerque e Dix-sept Rosado. Ganhou Dix-sept Rosado que catalisou, ainda, o apoio de Getúlio Vargas e de Café Filho. Mas, Dix-sept morreu meses depois, em desastre aéreo. Assumiu Sílvio Pedrosa, do PSD, cuja sucessão teve lances traumáticos, com rompimentos lado a lado.


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