Técnico Waguinho Dias se apresenta no América e diz ter capacidade para transformar time barato em vencedor

Publicação: 2019-10-09 00:00:00 | Comentários: 0
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Sei aonde estou, o que posso fazer e não estou caindo de paraquedas no América. Foi de forma taxativa que o treinador, Waguinho Dias, enfatizou o início do seu trabalho no clube potiguar. Apresentado ontem, junto com o executivo de futebol, Luciano Mancha, o novo comandante americano ressaltou que encara a chance de trabalhar no América como uma oportunidade para mostrar o cartão de visitas numa região onde quase não trabalhou, mas também apontou que será um grande desafio em sua carreira.

Treinador Waguinho Dias ressalta que buscou muita informação do América antes de dizer o sim
Treinador Waguinho Dias ressalta que buscou muita informação do América antes de dizer o sim

De acordo com o treinador, ele espera dar inicio aos trabalhos com o elenco, visando a temporada de 2020, apenas no final de novembro. Confrontado com a informação que a Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF) trabalha com a possibilidade de iniciar o Campeonato Estadual na primeira semana de janeiro, ele disse que o prazo de início de trabalho pode ser antecipado, desde que as reformas necessárias no CT do clube, em Parnamirim, estejam concluídas.

“O prazo que trabalho na minha apresentação é esse, mas pode ser antecipado contanto que as reformas no campo do nosso centro de treinamentos estejam concluídas. Também não gosto de iniciar trabalho com metade do grupo, tem de ser com elenco inteiro senão já começa errado. Todos iniciando o trabalho no mesmo período favorece a homogeneidade e é justamente dessa forma que meus times jogam. Só iremos nos apresentar ou antecipar a data desse início de trabalho, se tudo estiver em ordem para receber os atletas”, destacou Waguinho Dias.

Detalhista e meticuloso, o treinador revelou que ficou dois dias e meio negociando com o futuro presidente americano, Leonardo Bezerra, antes de aceitar bater o martelo. No período ele soube do planejamento do clube para o próximo ano, ressaltando que se agradou da proposta de trabalho apresentada. Dias também assegurou que chega otimista em desenvolver um bom trabalho no Alvirrubro.

“Tive muitas sondagens e um dos fatores que pesou na minha vinda foi a estrutura física que esse clube possui. Outro fato foi o número de competições que teremos no ano: Estadual, Copa do Nordeste, Copa do Brasil e a Série D. O Campeonato do Nordeste me atrai demais pela sua grandeza, o fato de disputar a conquista de um bicampeonato estadual também, além, é claro, das duas competições nacionais, sendo que a Série D conheço demais”, frisou Dias, considerando que em termos de calendário, o clube potiguar estará muito bem servido.  

Notabilizado no mundo do futebol por trabalhar com elencos baratos, mas competitivos, Waguinho Dias antecipou que alguns dos atletas contratados podem até nem ser conhecidos do público potiguar e que a prioridade na busca será por aqueles que têm vontade de vencer, objetivos na vida e que respeitem o América.

“Sou muito conhecido em montar elencos desconhecidos e que depois ficam conhecidos. O que seria isso? Eu gosto de trabalhar com jogadores jovens, mas gosto de ter lideranças no grupo. Não me apego a nomes, gosto de cara que já jogou, tenha rodagem, mas que seja líder dentro de campo. Essa peça é que irá fazer, num momento de maior empolgação, os jovens se acalmarem  e, também, no momento que as coisas não estiverem funcionando bem, colocar o grupo para cima. Gosto de mesclar teremos atletas habituados a atuar nos estádios da região, eles irão orientar os demais sobre qual a melhor forma de se comportar. Acredito que teremos uma equipe muito competitiva”, adiantou.

Indagado se o poder financeiro costumava fazer muita diferença no momento de disputar uma Série D, o treinador ilustrou a resposta com três momentos de sua carreira, para mostrar que numa competição como esta, nem sempre aquele que investe mais sairá campeão ou com o acesso.

“Quando cheguei no Internacional de Lajes (RS), nós disputamos a Série D e, naquela oportunidade, mantivemos uma base do Estadual e iniciamos esse trabalho sem dinheiro, sem perspectiva de receber salários. Mas sabíamos da dificuldade e apostamos, pelo fato de existir alguma possibilidade de pagamento depois. Então passamos da primeira fase com a classificação obtida no último jogo, no segundo lugar. Estamos falando do ano de 2016, depois pegamos o Caxias, a melhor equipe, a que tinha investido alto para buscar o acesso: vencemos eles em Caxias por 2 a 1 e, na volta, empatamos e eliminamos eles. Depois encaramos o Ituano, outra potencia, perdemos em casa,  vencemos fora e fomos desclassificados no saldo de gols”, contou o treinador.

O segundo ato da explicação ocorreu no Tubarão-SC. “Esse investiu pesado, colocou muito dinheiro na formação do grupo. Passamos na primeira fase invicto, classificamos em primeiro, só que cometemos um erro muito grande na rodada final da fase, inventei de poupar o meu grupo titular  e preservar os jogadores para entrar bem no mata-mata. Não tínhamos a noção da necessidade de ser o primeiro sempre numa competição como a Série D. Então tivemos a vantagem e passamos pelo Brusque, na segunda fase, depois enfrentamos o São José, que no cômputo geral possuía uma vitória a mais que a gente,  tivemos de fazer o primeiro jogo em casa e decidirmos na casa deles, num gramado sintético. Empatamos 1 a 1, depois fomos lá perdemos por 1 a 0, desperdiçamos um pênalti e fomos eliminados”, recorda.

O exemplo mais enfático ocorreu justamente neste ano no Brusque, onde ele chegou ao título com um investimento ínfimo. “Lá a prioridade foi manter a equipe do estadual, do volante para zaga, inteira. Então já estávamos com uma boa formação defensiva e fomos pontuando os atletas para atuar como meia e o que mais precisa, atacantes para fazer gol. Chegamos ao título com um elenco de vinte atletas, bastante enxuto para os padrões. Todos tinham uma faixa salarial parecida e a folha do clube foi de R$ 100 mil. O determinante foi que fizemos toda uma situação de treinamento e conscientização, passando para os nossos jogadores a importância de pontuar para terminar líderes em todas as etapas. Com a oportunidade de decidir em casa, perdíamos fora e garantíamos a classificação em casa. Foi assim que subimos, todos tinham na cabeça onde desejavam chegar”, ressaltou Waguinho Dias.





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