Taxa de desemprego fica em 14,3% e atinge maior patamar na 4ª semana de agosto, diz IBGE

Publicação: 2020-09-19 00:00:00
A dispensa de trabalhadores formais puxou a queda no emprego no País na quarta semana de agosto. A redução no número de funcionários que permaneciam afastados não se reverteu em retorno à atividade, pelo contrário, a maioria deles foi dispensada, segundo Maria Lucia Vieira, coordenadora de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Entre esses que estavam afastados e não estão mais, uma parcela pequena se ocupou, voltou para o trabalho, mas a maioria não voltou", contou Maria Lucia.

Créditos: Magnus NascimentoPesquisa constatou aumento na incidência de informais no mercado de trabalho potiguarPesquisa constatou aumento na incidência de informais no mercado de trabalho potiguar

Com menos pessoas empregadas e mais brasileiros buscando trabalho, a taxa de desemprego no País aumentou de 13,2% na terceira semana de agosto para 14,3% na quarta semana do mês, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid (Pnad Covid-19), divulgados pelo IBGE. O resultado foi o mais elevado desde que a pesquisa teve início, em maio deste ano. 

A população desempregada foi estimada em 13,7 milhões de pessoas na quarta semana de agosto, cerca de 1,1 milhão a mais que o registrado na terceira semana do mês, quando essa população totalizava 12,6 milhões.

A reabertura de atividades econômicas e flexibilização do isolamento social têm encorajado as pessoas que estavam na inatividade a buscar uma vaga. "Quando estava com as medidas restritivas, as pessoas não podiam se locomover, não podiam buscar emprego, as empresas estavam fechadas. Agora vamos ver como o mercado de trabalho responde a essa maior procura (por emprego)", lembrou Maria Lucia.

Embora haja mais trabalhadores em busca de uma vaga, meio milhão de pessoas que estavam ocupadas perdeu o emprego em apenas uma semana. O total de ocupados foi de 82,2 milhões na quarta semana de agosto, cerca de 500 mil a menos que o patamar da terceira semana do mês,  quando havia 82,7 milhões de pessoas ocupadas. O nível de ocupação foi de 48,3% na quarta semana de agosto, ante um patamar de 48,6% na semana anterior, segundo o IBGE.

A proxy da taxa de informalidade ficou em 34,0% na quarta semana de agosto, ante 33,4% na semana anterior. Como aumentou a incidência de informais no mercado de trabalho na mesma semana em que houve redução na população ocupada, é possível dizer que as demissões atingiram mais os trabalhadores formais. "Sim, foi o pessoal com trabalho mais formalizado", confirmou a coordenadora do IBGE.

Afastados
Na quarta semana de agosto, ainda havia cerca de 3,6 milhões de trabalhadores ocupados, porém afastados do trabalho, devido às medidas de isolamento social, 400 mil pessoas a menos que o patamar de uma semana antes, quando esse contingente somava 4,0 milhões ou 4,8% da população ocupada. A população ocupada e não afastada do trabalho foi estimada em 76,1 milhões de pessoas, apenas 200 mil a mais em uma semana. Na semana anterior, eram 75,9 milhões de trabalhadores. Na quarta semana de agosto, 8,3 milhões de pessoas permaneciam trabalhando remotamente.

A população fora da força de trabalho - que não estava trabalhando nem procurava emprego - somou 74,4 milhões na quarta semana de agosto, sendo que 26,7 milhões deles disseram que gostariam de trabalhar.

Aproximadamente, 16,8 milhões de inativos que gostariam de trabalhar alegaram que não procuraram trabalho por causa da pandemia ou por não encontrarem uma ocupação na localidade em que moravam. Economistas acreditam que esse contingente deva pressionar a taxa de desemprego nas próximas leituras, conforme forem tomando a iniciativa de voltar a buscar uma oportunidade. Pela metodologia da pesquisa do IBGE, são consideradas desempregadas apenas as pessoas que efetivamente tomaram alguma iniciativa de procurar emprego.
"Ainda tem bastante gente nessa condição, mas nem todos buscarão trabalho. Essa população vai diminuir, mas não vai zerar. Quando terminar a pandemia, vai mudar a motivação para não procurar trabalho", previu Maria Lucia Vieira.