Taxa de desemprego no Brasil fica em 11,6% no trimestre até fevereiro

Publicação: 2020-04-01 00:00:00
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A taxa de desocupação no Brasil ficou em 11,6% no trimestre encerrado em fevereiro, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta terça-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em igual período de 2019, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 12,4%. No trimestre até janeiro, a taxa foi de 11,2%.

Créditos: Alex RégisTaxa de desemprego no Brasil deve terminar 2020 com uma média de 13%, estimam especialistasTaxa de desemprego no Brasil deve terminar 2020 com uma média de 13%, estimam especialistas


A renda média real do trabalhador foi de R$ 2.375 no trimestre encerrado em fevereiro, queda de 0,3% em relação ao número do mesmo período do ano anterior.  Em relação ao trimestre móvel imediatamente anterior, houve uma ligeira alta, de 0,1%. O valor do rendimento médio real não foi alterado. A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 217,6 bilhões no trimestre até fevereiro, alta de 1,9% ante igual período do ano anterior. Em relação ao trimestre móvel imediatamente anterior, a massa de renda caiu 0,6%, já conforme os dados revisados. 

Antes da crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus se abater sobre o mercado de trabalho, foram criadas 1,8 milhão de vagas no Brasil no trimestre encerrado em fevereiro na comparação com um ano antes. O contingente equivale ao crescimento da população ocupada, que somou 93,7 milhões de pessoas no trimestre encerrado em fevereiro.

O movimento ainda foi puxado pelo crescimento das vagas associadas ao trabalho informal, mas, ainda assim, em um ano, foram incorporados 646 mil trabalhadores no contingente dos empregados com carteira assinada. No trimestre móvel até fevereiro, são 33,6 milhões de trabalhadores nessa condição.

Em termos setoriais, o destaque foi a indústria. Em um ano, 578 mil trabalhadores foram agregados ao contingente de empregados na indústria, um crescimento de 5,0% em relação ao trimestre móvel até fevereiro de 2019.

Ainda assim, a população desocupada somou 12,3 milhões de pessoas no trimestre móvel até fevereiro passado. Em um ano, o contingente de desempregados encolheu em 711 mil pessoas, uma queda de 5,4%.
Informalidade 
O Brasil alcançou uma taxa de informalidade de 40,6% no mercado de trabalho no trimestre até fevereiro, com 38 milhões de trabalhadores atuando como informais, segundo os dados da Pnad Contínua.

O trabalho por conta própria alcançou 24,477 milhões de brasileiros no trimestre encerrado em fevereiro. Em apenas um ano, o trabalho por conta própria ganhou a adesão de 766 mil pessoas.

O trabalho sem carteira assinada no setor privado somou 11,644 milhões de ocupados nessa situação. O emprego sem carteira no setor privado aumentou em 569 mil vagas em um ano, crescimento de 5,1%.

O setor público abriu 91 mil vagas em um ano, chegando a um contingente de 11,370 milhões de trabalhadores. Já o trabalho doméstico, em um ano, incorporou 41 mil pessoas ao contingente de 6,209 milhões de empregados.

Deterioração
A Pnad Contínua mostra que o mercado de trabalho apresentava sinais de deterioração antes mesmo do avanço do novo coronavírus no Brasil. Se o cenário já não era animador, tende a ficar pior com a pandemia. A taxa de desemprego, que ficou em 11,6% no trimestre encerrado em fevereiro, deve terminar 2020 com uma média de 13%, após chegar a 16% nos próximos meses, estimam especialistas consultados pelo jornal O Estado de São Paulo.

Um dos sinais de preocupação mostrados é a diminuição do ritmo de melhora, observa o economista-chefe do ASA Bank, Gustavo Ribeiro. Ele ressalta que são os empregos sem carteira assinada que impulsionam a criação de vagas - um indício de menor qualidade do mercado de trabalho - e destaca que a massa salarial voltou a cair, de R$ 218,5 bilhões em janeiro para R$ 217,6 bilhões no mês passado. “Em suma, são dados mornos, mostrando piora mesmo quando se olha pelo retrovisor", diz.

Números
40,6% foi a taxa de informalidade no mercado de trabalho no trimestre encerrado em fevereiro

38 milhões de trabalhadores estão atuando como informais, segundo os dados da Pnad Contínua