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Política
Tebet fala em 'pacificação' e mira eleitorado feminino
Publicado: 00:01:00 - 26/05/2022 Atualizado: 23:15:46 - 25/05/2022
Um dia depois de ser escolhida como pré-candidata do MDB à Presidência, a senadora Simone Tebet (MS) disse ter "total confiança" no apoio do PSDB a seu nome e prometeu atuar na campanha pela "pacificação" do País A tendência dos tucanos é fechar acordo com o MDB e o Cidadania para que Simone seja lançada como o nome da terceira via na disputa, mas uma ala ainda insiste na candidatura própria.

FáTIMA MEIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Simone Tebet concede entrevista coletiva na sede do Diretório Nacional do MDB, em Brasília

Simone Tebet concede entrevista coletiva na sede do Diretório Nacional do MDB, em Brasília


Desde segunda-feira, quando o ex-governador de São Paulo João Doria desistiu de concorrer ao Palácio do Planalto - após ser rifado pelo próprio partido -, a cúpula do PSDB tenta encontrar uma solução para o impasse. Diante das divergências, a reunião da Executiva Nacional foi adiada para o próximo dia 2.

Única mulher na corrida rumo ao Planalto, Simone amenizou as resistências a seu nome no PSDB e a divisão em seu próprio partido. Embora a Executiva Nacional do MDB tenha aprovado a pré-candidatura da senadora, diretórios da legenda no Nordeste defendem a aliança com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na outra ponta, os do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste apoiam o presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Nós não temos a unanimidade do partido, mas teremos a unanimidade na convenção. Isso que é importante", disse Simone. A convenção nacional do MDB será realizada em julho. Nos bastidores do PSDB, muitos avaliam que a senadora poderá ser barrada nesse encontro. Um dos maiores focos de resistência vem da ala controlada pelo deputado Aécio Neves (PSDB-MG), em guerra com o presidente do partido, Bruno Araújo.

"Eu não tenho dúvida de que estaremos com aqueles que sempre foram nossos aliados de primeira hora, homens e mulheres de bem do PSDB", afirmou ela. "Vamos falar mais do Brasil e menos de Lula e Bolsonaro", completou.

Na prática, porém, a polarização entre Lula - favorito nas pesquisas - e Bolsonaro, que ocupa o segundo lugar, não tem ainda um competidor de peso. Simone, até agora, é inviável eleitoralmente. O ex-ministro Ciro Gomes, do PDT, aparece em terceiro lugar nesse ranking, mas se recusa a vestir o figurino da terceira via e diz não estar no campo das "viúvas de Bolsonaro", como chama o colegiado composto por MDB, PSDB e Cidadania. Nos últimos dias, Ciro chegou a fazer um aceno para a senadora, mas não obteve sucesso.

Ao lado dos presidentes do MDB, Baleia Rossi, e do Cidadania, Roberto Freire, Simone disse que, se eleita, vai recriar o ministério destinado apenas à Segurança Pública e terá um primeiro escalão composto igualmente por homens e mulheres. "A nossa missão é pacificar o Brasil com os brasileiros", insistiu

Apesar de não contar ainda com o apoio do PSDB, a pré-candidata se apresentou como concorrente do grupo batizado como "centro democrático" e fez acenos ao eleitorado feminino. É entre as mulheres que Bolsonaro enfrenta a maior rejeição.

"Quando eu comecei a minha vida pública, realmente tinha dificuldade de convencer as mulheres a votar em mulheres. Hoje é o processo inverso", afirmou a senadora. "Não só mulher vota em mulher, homens votam em mulheres."

Lula e Bolsonaro se mantêm estáveis
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) se mantiveram estáveis nas intenções de voto aferidas pela pesquisa PoderData divulgada ontem. O petista segue na liderança com 45% das intenções de voto, um a mais que o levantamento anterior, ante 35% de Bolsonaro, que se manteve no mesmo patamar

Apesar de ser a primeira pesquisa divulgada após a desistência do ex-governador João Doria (PSDB) da corrida presidencial, o tucano ainda pontua no levantamento, por ter anunciado sua saída em meio à realização das entrevistas. O efeito da decisão, porém, ainda é pequeno em relação aos demais candidatos. Ciro Gomes (PDT), terceiro colocado duas semanas atrás, se manteve com 5% das intenções de voto. O mesmo vale para André Janones (Avante), com 3% e Simone Tebet (MDB), que tem 2%.

Doria vinha pontuando entre 2% e 4% desde o começo do ano, mas agora ficou com 1%, 3 pontos porcentuais a menos que o último levantamento. As entrevistas foram realizadas entre os dias 22 e 24 de maio; o tucano anunciou a desistência na última segunda-feira, 23.
Em uma possível disputa de segundo turno, Lula teria 50% das intenções de voto, contra 39% de Bolsonaro. A distância é a metade do que foi identificado no começo do ano, quando o petista tinha 54% ante 32% do presidente.

A pesquisa PoderData foi realizada entre os dias 22 e 24 de maio Foram entrevistadas 3 mil pessoas por telefone. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais.

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