Tem acarajé no tabuleiro da cantora

Publicação: 2018-02-09 00:00:00 | Comentários: 0
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Mais conhecida como a voz potente à frente de projetos como Orquestra Boca Seca e Clara e a Noite, a cantora Clara Pinheiro mostrou recentemente que a música não é seu único talento. Desde dezembro a artista investe na produção de acarajé, que ela vende mensalmente em um projeto gastronômico/musical, e também por encomenda. Mais do que um investimento comercial, a saborosa iguaria afro-brasileira tem para Clara uma conexão com ancestralidade e identidade.

Cantora faz acarajés artesanais por encomenda, e uma vez por mês recebe o público na calçada de casa, em Ponta Negra
Cantora faz acarajés artesanais por encomenda, e uma vez por mês recebe o público na calçada de casa, em Ponta Negra

Clara faz acarajé há dois anos. No começo, só para a família. “Confesso que antes eu não gostava. A família do meu marido sempre amou e fazia altas ‘acarejadas’ em casa, mas eu ficava longe. Até que um dia, na feirinha de Pium, conheci um vendedor que fazia um acarajé incrível, mais leve e saboroso que os outros. Passei a gostar, e também a fazer. Minha sogra dizia que eu deveria vender, pois era muito bom. Surgiu a oportunidade”, conta.

Foi em dezembro do ano passado que Clara pôs seu acarajé para jogo. Primeiro, na banca de uma feirinha em Ponta Negra, “só para fazer um teste”, diz. Em janeiro, teve mais acarajé no Festival 360 Graus, na Ribeira. E na semana passada estreou o projeto Tabuleiro na Calçada, com os quitutes à venda na calçada de sua casa, em Ponta Negra, com direito a show musical. “Vieram mais de 150 pessoas, ficamos felizes com o resultado”, disse. E no próximo dia 02 de março terá outra. Os acarajés de Clara também estarão à venda no concurso de karaokê que será iniciado às quintas-feiras de março, no Canal Gastro Bar, Praia dos Artistas. 

A produção de Clara é totalmente artesanal. “Se vou vender na sexta, começo a preparar na segunda. Faço todos os processos, desde a massa até os recheios e o feijão. Eu bato a massa até antes de fritar, senão perde o ponto. É um prato que precisa de força, quem faz dedica muita energia”, diz. Há alguns detalhes, como o camarão seco, que Clara faz o seu próprio, pois achou os do mercado artificiais. Ela também oferece a opção de acarajé vegano, que não leva o caruru (tem camarão na base), e o camarão seco é substituído por castanha de caju na montagem.

Ancestral
A cantora afirma que o processo da feitura do acarajé sempre a encantou. “Ele tem todo um ritual. É uma comida sagrada, ofertada para Iansã no candomblé”, diz. A história do quitute fascina Clara, assim como a ancestralidade. “Fui mãe ano passado, e passei a me posicionar mais como mulher, negra, vinda da periferia. Resgatei minha identidade, e tudo isso estará no meu novo disco, meu primeiro álbum solo”, conta. “Muita escrava comprou a alforria vendendo acarajé. É meio como a vida de artista, que precisa se virar muito para sobreviver”, diz.

Serviço:
Tabuleiro na Calçada. Encomendas para eventos no 99806-9930.


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