Tem plié no mundo fitness

Publicação: 2017-12-24 00:00:00 | Comentários: 0
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Tádzio França
Repórter

À primeira vista, a elegância do balé clássico e a cadência automática das academias de ginástica não possuem nada em comum. Até que, há dez anos, a modalidade 'balé funcional' entrou em cena, juntou os dois mundos, e desfez de vez essa impressão. O intenso trabalho aeróbico do balé passou a ser praticado por pessoas que, apesar de não almejarem o palco, desejam a postura e as formas perfeitas dos corpos das bailarinas e bailarinos. Se falta talento para dançar, não falta disposição para malhar.

A bailarina e fisioterapeuta Raphaela Miranda dá aulas de balé funcional desde 2015. Para aprender a modalidade, foi a São Paulo ter aulas com a 'mãe' da matéria, a bailarina e educadora física Betina Dantas, que criou a atividade há dez anos. Em Natal, as aulas são na Studio Corpo de Baile, primeira escola de dança da cidade a trabalhar com esse segmento.
O intenso trabalho aeróbico do balé clássico passou a ter lugar em academias de ginástica e é cada vez mais praticado
O intenso trabalho aeróbico do balé clássico passou a ter lugar em academias de ginástica e é cada vez mais praticado

“As mulheres que procuram esse método geralmente não se identificam com a musculação das academias convencionais. O objetivo delas é um corpo tonificado e alongado”, diz. A modalidade já está entre a favorita de gente famosa como Flávia Alessandra, Taís Araújo, Danielle Winits e Ingrid Guimarães. Academias de fora do Brasil, na Europa e Estados Unidos, também já adotaram a invenção brasileira. 

A versão fitness do balé pode ser praticado por qualquer pessoa a partir dos 14 anos de idade. Por enquanto, em Natal, as mulheres dominam a procura. Mesmo que o perfil do público ainda pareça com a do balé tradicional, esse exercício estilizado beneficia qualquer tipo de corpo com  atividade aeróbica, postura, condicionamento físico, tônus muscular, flexibilidade, equilíbrio, e respiração. “O balé funcional tonifica o corpo e o deixa alongado e longilíneo como o das bailarinas”, ressalta a professora.

Plié fit


A combinação de elementos fitness e clássicos é devidamente harmonizada pela série de exercícios. Raphaela explica que foram mantidos os movimentos de braços e posições dos pés, ou seja, os famosos pliés, développés e dégagés são interligados com agachamentos, flexões, exercícios de isometria e abdominais. As atividades podem ou não utilizar a barra de apoio, mas sempre são reforçadas as questões da postura, costas retas, mãos e pés esticados.

A coordenação motora, musicalidade, equilíbrio e  consciência corporal, elementos essenciais no trabalho das bailarinas profissionais, também são incorporados ao trabalho fitness. Como os exercícios não utilizam pesos ou qualquer tipo de  peça e máquina, apenas o peso do corpo e a repetição dos movimentos garantem os benefícios físicos.

Mas se engana quem pensa que as aulas de balé funcional são leves como os movimentos da dança. Quem pratica garante que é tão – ou mais – puxado que a malhação comum das academias. Em apenas uma aula, o corpo tem o gasto energético de cerca de 800 quilocalorias. O que diferencia, é que as sessões fitness não são tão rígidas como uma aula real de balé. As pessoas se divertem e não precisam se preocupar em fazer os passos corretamente.

“Não precisa ter conhecimentos prévios de balé para fazer o funcional, pois ensinamos as posições básicas de braços e pés necessárias para as aulas”, afirma Raphaela. Outro diferencial é a música: as aulas mesclam as peças eruditas de balé tradicionais com música pop dançante. “Sempre alternamos estilos musicais para fugir da monotonia, mas sempre coreografando bem com os passos”, ressalta. Para as aulas, as alunas trajam collant, meias, saias, polainas e sapatilhas, misturando as referências da modalidade. Raphaela comenta que o visual e a música são estímulos para as alunas. “Muitas mulheres tiveram o sonho de ser bailarina clássica um dia e não seguiram por motivos diversos. Essas aulas as realizam de alguma forma”, diz.

Bailarinas em exercício


A advogada Camila Amorim é uma prova de que não precisa ter feito balé na infância para apreciar a modalidade. “Sempre achei que seria a pior bailarina de todos os tempos. Nunca tive a coordenação motora e a delicadeza exigidas delas, mas acabei me encontrando no balé funcional, o que é maravilhoso pra mim”, garante ela, que já pratica há cinco meses. Camila conheceu através de uma amiga, fez uma aula “só para ver como é”, e gostou tanto que se sentiu segura para superar as próprias barreiras.

“Logo na primeira aula, vi que minhas limitações não me impediriam de praticar o balé funcional”, afirma Camila. Ela conta que estava sedentária, sem praticar exercícios há dez anos, por não conseguir se adaptar ao ritmo das academias. Mesmo assim a advogada conseguiu acompanhar e acertar o passo nos exercícios. E já sente os benefícios deles.

“Há muitos trabalhos de braços e abdômen, e é notório como melhorou minha postura, flexibilidade, e rigidez muscular. Acho que é até mais puxado que uma academia”, afirma. Apesar do ritmo puxado, a descontração do ambiente faz a diferença. “Apesar de ter todos os movimentos do balé, dos alongamentos e tudo mais, não tem a rigidez de uma aula de balé real. A gente não tem a preocupação de errar ou de acertar os passos de uma bailarina profissional”, analisa.

A assessora jurídica Cynthia Bullik fez uma aula experimental de balé funcional e gostou do que viu. “Fiz balé clássico quando era criança, e lembro bem de como as aulas eram rígidas, a tensão para fazer tudo certinho era um pouco estressante. Felizmente, nessa versão fitness, o clima é bem diferente”, conta ela, que conheceu a modalidade por indiciação do fisioterapeuta com quem faz treino funcional.

“O legal é que as aulas são  voltadas mais para o exercício fitness do que para a dança. É mais tranquilo porque a gente pode relaxar na postura e fazer do jeito que a gente conseguir”, afirma Cynthia. Mesmo assim, o praticante sente a musculatura em pleno funcionamento, uma característica do balé que os exercícios garantem. A aula trabalha o corpo inteiro e aumenta o ganho de força sem perder a leveza. A advogada também aprecia a diversidade musical das aulas, que passeia por vários estilos sem perder o ritmo dos movimentos. “Fiquei interessada em fazer mais. Pelo menos durante uns seis meses”, garante.

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