Temer: se não tiver votos, Previdência ficará para 2018

Publicação: 2017-12-13 00:00:00
O presidente Michel Temer admitiu, nesta terça-feira, 12, que se o governo não tiver os 308 votos necessários para aprovar a reforma da Previdência, a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera as regras para se aposentar no Brasil ficará para fevereiro.

Créditos: Wilson DiasPresidente Michel Temer tenta mudar quadro, mas encontra resistência na Câmara dos DeputadosPresidente Michel Temer tenta mudar quadro, mas encontra resistência na Câmara dos Deputados

Presidente Michel Temer tenta mudar quadro, mas encontra resistência na Câmara dos Deputados

Em almoço oferecido ao presidente da Macedônia Gjorge Ivanov, Temer confirmou que a discussão sobre o texto começará nesta quinta-feira, 14, na Câmara dos Deputados. Segundo ele, o governo vai avaliar até segunda-feira, 18, se tem a quantidade mínima de votos necessários para aprovar a proposta. Caso contrário, as discussões serão encerradas na Câmara e a votação ficará para fevereiro de 2018. “Em outro cenário", afirmou.

O presidente disse que, até segunda-feira, não haverá decisão se a PEC será votada no plenário. “A não ser que na quinta-feira tenha uma avalancha de votos", afirmou. Ele afirmou que o texto não será votado sem a garantia de vitória. “Não se submete os deputados a esse constrangimento. Tendo os votos necessários, acredito ser possível. Entre quinta-feira e segunda ou terça se verifica: se tiver os 308, vai a voto agora. Caso contrário, se espera o retorno em fevereiro e marca-se a data em fevereiro", reforçou o presidente ao deixar o almoço no Palácio do Itamaraty.

Temer repetiu que o governo está “esclarecendo vários pontos" em relação à reforma, reforçou que haverá uma regra de transição para a idade mínima e numa tentativa de conquistar mais adeptos à proposta disse que "aqueles que ganham mais também não perdem".

O presidente exemplificou casos de funcionários públicos que ganham acima do teto do INSS que terão que optar por uma previdência complementar para pode se aposentar pela totalidade do benefício. “Se ele ganhar R$ 30 mil ele vai ter que pagar R$ 600 por mês para se aposentar na totalidade, isso já ocorre na União", afirmou.

Temer afirmou que a reforma da previdência vai ajudar as contas dos Estados e municípios e ressaltou que "várias associações, dos mais diversos setores" estão apoiando a reforma e que ela tem que ser feita "já".

Obstrução
A oposição anunciou na tarde desta terça-feira, 12, que fará uma obstrução “dura" para evitar o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. Os deputados ameaçam não só impedir a votação de projetos na Casa como avisam que estão dispostos a atrapalhar a sessão do Congresso Nacional, marcada para esta terça.

“Nossa obstrução é para paralisar o Congresso, principalmente a sessão do Congresso. Se não recuarem, não vamos deixar votar nem o Orçamento. É paralisação política mesmo", anunciou o líder da Minoria, José Guimarães (PT-CE).

O petista disse que o governo não tem coragem de anunciar a data de votação da PEC porque não tem os 308 votos necessários para aprová-la. Guimarães informou que, se o governo desistir de colocar o tema em votação antes do recesso, a oposição vai retirar a obstrução.

O grupo de partidos - formado por PT, PCdoB, PDT, Rede, PSOL, PHS e PSB - diz ter 270 votos contra a PEC. “Estamos seguros que vamos derrotar o governo se insistir em votar isso no plenário", emendou Guimarães. Na tarde desta terça-feira, a Comissão Mista de Orçamento (CMO) confirmou que decidiu adiar para a quarta-feira, 13, às 10 horas, o início das discussões e da votação do relatório final do Orçamento de 2018.

Militantes
Desde a segunda-feira, a oposição conta com a mobilização de militantes e sindicalistas para convencer parlamentares a não apoiar a PEC. Um grupo de militantes segue em greve de fome há oito dias na Câmara. Outro grupo faz protestos no aeroporto de Brasília na recepção de deputados que chegam para a semana decisiva da reforma da Previdência.

O líder do PT, Carlos Zarattini (SP), disse que as mobilizações continuarão, inclusive com a expectativa de greve no transporte público de São Paulo. O deputado criticou a vinda de 150 empresários para pressionar parlamentares. "Esse projeto só interessa aos mais ricos, aos grandes empresários e ao capital financeiro", concluiu.