Tempo de eleição

Publicação: 2020-11-22 00:00:00
Woden Madruga 
woden@tribunadonorte.com.br 

As eleições municipais de domingo vão permanecer nas capas dos jornais por muito tempo ainda, até porque teremos um segundo turno marcado para o dia 29 na maioria das capitais. Menos em Natal onde a parada foi decidida no primeiro. Eleição tranquila aqui, apesar do atraso na apuração. Na votação, não. Foi rápido. Pelo menos na secção onde votei, cinco minutos da casa onde moro. Caminhada a pé, pegando ainda uma sombrinha matinal, bem-te-vis cantando. Barro Vermelho. 

 O TRE determinou que o eleitor com mais de 60 anos no cangote tem o direito de votar primeiro, das 7 ás 10 horas. Em lá chegando (prédio da Escola Estadual Jerônimo Gueiros) me senti entrando no acolhedor Juvino Barreto de velhinhos amáveis.  Na minha frente apenas quatro eleitores, filas curtas também nas outras secções. Mostrando a identidade, assinando o papel, passando para a cabine onde teclei duas vezes, depois gel nas mãos, tudo deu menos de dois minutos. Ponto para a turma do TRE e viva a Democracia!

O resto do domingo foi acompanhando o noticiário nacional no rastro da   apuração.  Comentários abundantes. Quem ganhou, quem perdeu, como será o segundo turno. Na verdade, apenas em sete capitais a eleição foi decidida no primeiro turno. Natal, entre elas. Os analistas políticos começam então a projetar como será o pega pra capar do segundo turno e, a partir daí, o novo cenário político nacional. Sim, a eleição para prefeito e vereador - de São Paulo, Rio de Janeiro e de Lagoa de Velhos, passando por Natal - terá reflexos na sucessão presidencial de 2022.

Foi isso o que andei lendo toda esta semana nos principais jornais do país: editoriais, artigos, colunas. Todos apontam o presidente Bolsonaro como o grande derrotado. Ele e o seu grupo de seguidores. Transcrevo, agora, trechos de algumas dessas leituras. Começo pelo artigo de Eliane Cantanhede, de O Estado de S. Paulo. Título do artigo: “O grande derrotado”:

- Tal qual verdadeiro Trump nos Estados Unidos, o Trump tupiniquim, Jair Bolsonaro, também nega a realidade, não reconhece a derrota e, como não dá para acusar a mídia desta vez, atacar a urna eletrônica e já ensaia o discurso da fraude! Nenhuma pirotecnia, porém, é capaz de anular o esconder Suas Excelências, os fatos. E os fatos são claríssimos: Bolsonaro é o grande derrotado das eleições municipais de 2020. ” 

Míriam Leitão, de O Globo, na edição de terça-feira, 17, começa o seu artigo “Muitas dimensões de uma derrota”, assim:
- A maior derrota do presidente Jair Bolsonaro é no campo das ideias. Ele defendeu o descuido com a vida, o eleitor premiou quem a defendeu. Ele quis o extremismo, o eleitor, a moderação. Ele ofende minorias, e as urnas elevaram a diversidade das câmaras de vereadores. Ele administra de forma errática, o eleitor quis boa gestão. Ele ameaça a democracia, o eleitor a defendeu. Sua derrota tem várias dimensões. A mais importante está ligada à pandemia. O “e daí? ” pra vida dos brasileiros levou uma surra nas urnas.
Do analista político Hélio Schwartmann, da Folha de S. Paulo, em seu artigo, “O que as urnas disseram”:

- O que as urnas disseram no domingo? Várias coisas. A mais eloquente delas é que Jair Bolsonaro se deu mal. Dos 13 candidatos a prefeito que o presidente decidiu apoiar, nove fracassaram já no primeiro turno, dois se elegeram – os de Ipatinga (MG) e Parnaíba (PI), que não chegam a megalópoles – e dois passaram para o segundo escrutínio – Rio de Janeiro e Fortaleza -, com chance maior de perder do que de ganhar. ”

Vitória de Álvaro Álvaro Dias (PSDB) ficou entre os sete candidatos a prefeitos de capitais eleitos no primeiro turno, ocupando o quarto lugar com 56,58% dos votos apurados. O mais votado foi Bruno Reis (DEM), de Salvador, com 64%, seguido de Alexandre Kalil (PSD), de Belo Horizonte, com 63,36%, e de Rafael Greca (DEM), de Curitiba (59%).

 Álvaro somou 194.764 votos, obtendo uma maioria de 145.274 mil votos sobre o segundo colocado, Jean Paul Prates (PT), com 14,38% dos votos apurados. A maioria de Álvaro sobre a soma de todos os demais candidatos (12) foi de 45 mil e 305 votos, um recorde na história política da aldeia de Poti mais votante.

Prêmio Jabuti Dia 26, quinta-feira que vem, saberemos quais os vencedores do Prêmio Jabuti. Tem nordestinos entre os cinco finalistas por categoria. Na categoria Romance, o baiano Itamar Vieira Junior, com o livro “Torto arado”, e a paraibana (nascida em São Paulo) Maria Valéria Rezende, com “Carta à rainha louca”. No Conto, a cearense Jarid Arraes ( “Redemoinho em dia quente”).

Na Poesia, o paraibano (nascido em São Paulo) W. J. Solha com “Vida aberta – Tratado poético filosófico”.  Na categoria Crônica, tem o baiano Marcelo Torres, autor de “O dia em que achei Drummond caído na rua”. Tem ainda o paraibano radicado no Paraná, Jotabê Medeiros, disputando na categoria Biografia, Documentários e Reportagem, com “Raul Seixas: Não diga que a canção está perdida”.

Djalma Maranhão Vivo fosse, Djalma Maranhão completaria 105 anos dia 27, sexta-feira. Jornalista (fundador do Diário de Natal), professor de Educação Física, desportista, deputado estadual, deputado federal, prefeito de Natal em dois mandatos, dos grandes incentivadores da cultura popular em nossa terra. Como prefeito criou o projeto exemplar: “De pé no chão também se aprende a ler”. Figura inesquecível.

Roberta Sá Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:
- Roberta Sá vai participar pela primeira vez de uma disputa de samba enredo. A cantora compôs um samba para a Vila Isabel, movida pelo carinho pelo amigo Martinho da Vila, o homenageado deste ano na escola, que ela chama de “gênio do Brasil”. A música foi composta em parceria com Didi Tupinambá, Rafael Zimmermann, Thiago Meiners, Cláudio Mattos, Diego Gaúcho e Marco Moreno.

Chuva Muita chuva no sul do Piauí, chegando sexta-feira ao Ceará. Choveu em quase todos os municípios cearenses que fazem divisa com o Piauí, regiões do Sertão Central e da Ibiapaba. Em Tauá foram 76 milímetros, em Crateús, 63. Em Jati, no Cariri, 59.

A Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí confirma: “O período chuvoso já começou no sul do Estado e a partir de dezembro teremos a regularidade das chuvas em outras regiões. Até janeiro vamos ter chuvas acima da média no extremo semiárido. ”