Tempo médio de regulação de leitos para Covid é de 10 horas no RN

Publicação: 2020-06-04 00:00:00
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Mariana Ceci
Repórter

Com apenas 15 leitos críticos disponíveis pra pacientes de covid-19 até o início da noite desta quarta-feira, 3, o tempo médio de espera dos pacientes que estão conseguindo ser regulados pela Central de Regulação montada na Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap/RN) é de 10 horas e 36 minutos. Em alguns casos, como nas regulações de São Paulo do Potengi para Natal, a transferência superou um dia de espera, aproximadamente 25 horas. Para muitos, que estão fora das prioridades 1 e 2, as que necessitam com maior urgência de leitos críticos, essa espera pode ser maior, e o Estado já registra mortes de pacientes à espera de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). 

De acordo com o que foi apurado pela da TRIBUNA DO NORTE,  dois pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19 já morreram à espera de leitos no Estado,  um no município de São Rafael e outra em Ipanguaçu, na região Oeste do Estado. 

Conforme a plataforma Regula RN, as duas cidades que estão recebendo a maior parte dos casos encaminhados no Estado são Natal e Mossoró. A capital já recebeu pacientes de 12 cidades do Rio Grande do Norte, enquanto Mossoró recebeu pacientes encaminhados de 8 municípios. Caicó, por sua vez, que está com a menor taxa de ocupação do Estado, 45,5%, recebeu pacientes de seis cidades. 

Pressão em Natal
A capital potiguar vive uma pressão particular em relação aos demais municípios. De acordo com dados da pesquisa Região de Influência das Cidades, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que detalha os fluxos de deslocamento da população para atendimento de saúde nos Estados brasileiros, 143 dos 167 municípios potiguares (85,6%) dependem de Natal para os atendimentos de alta e média complexidade, o que revela que a dependência dos municípios do interior pela capital não é um problema recente e nem se restringe à crise da Covid-19.

A superlotação das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) com pacientes de fora da capital foi criticada pelo prefeito Álvaro Dias em entrevista concedida à TRIBUNA DO NORTE na terça-feira, 2. À reportagem, o prefeito disse que “elas estão superlotadas de pacientes oriundos do interior, quando deveriam estar atendendo pacientes da cidade de Natal". 

A Secretaria Municipal de Saúde de Natal foi questionada sobre a porcentagem de pacientes do interior que estariam internados nas UPAs da capital, entretanto, não obteve o número até o fechamento desta edição. 

A ferramenta Regula RN aponta, ainda, que Natal também concentra o maior número de leitos bloqueados no Estado: são 23 dentro do Hospital Municipal de Natal, que conta com 15 leitos de UTI ocupados por pacientes em tratamento para Covid-19. Desses, 8 estão fechados por falta de monitor multiparâmetro, o equipamento que mostra em tempo real a frequência cardíaca, saturação de oxigênio, pressão arterial e outros indicadores importantes do paciente. Outros 7 encontram-se em reforma, 5 em manutenção e 3 estão bloqueados por falta de recursos humanos. Ao todo, 34 leitos estão bloqueados no RN. 

A falta de monitor multiparâmetro é o principal motivo de bloqueios dos leitos no Rio Grande do Norte, representando 23,5% dos leitos nessa situação. Outros 23,5% encontram-se em manutenção, 20,6% em reforma e 20,6% estão bloqueados por falta de recursos humanos que permitam seu funcionamento.

Dia após dia, o Estado vê crescer o número de pacientes que necessitam de leitos críticos para internação e aguardam na fila de regulação. Até esta quarta-feira, 4 pessoas encontravam-se na prioridade 1, outras 26 na prioridade 2 e outras 86 estavam nas prioridades 3 e 4, que não demandam necessariamente leitos críticos, mas sim de estabilização.

Idosos morrem à espera de leito de UTI no Oeste
Após passar 72 horas à espera de um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), um idoso de 80 anos com suspeita de Covid-19 morreu na noite do dia 20 de maio na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na cidade de São Rafael, distante 216 quilômetros de Natal. O município está localizado na Região Oeste, cujos leitos gerais de UTI destinados aos casos suspeitos e confirmados de Covid-19 estão lotados, com taxa de ocupação em 100%. Em São Rafael não há respirador mecânico disponível na unidade de saúde local.

No dia 6 de maio, uma idosa de 72 anos também com suspeita de Covid-19 morreu na cidade de Ipanguaçu, também na região Oeste do Estado, enquanto aguardava regulação para um hospital estadual com suporte de leito de UTI. O óbito de Asclepíades Jales ocorreu enquanto a equipe médica o preparava para levá-lo ao Hospital Regional do Seridó, em Caicó, distante aproximadamente 100 quilômetros de São Rafael e em outra região do Estado do Rio Grande do Norte. 

Antes da tentativa de transferência de São Rafael para Caicó, os médicos tentaram regular o paciente para a cidade de Mossoró, também na região Oeste, mas não obtiveram sucesso em decorrência de um impasse entre as Secretarias Municipal de Saúde de Mossoró e a de Estado da Saúde Pública. Após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), a Secretaria Municipal de Saúde de Mossoró assumiu a gestão da regulação de leitos para todos os municípios da região Oeste do Estado.  
   
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) esclarece que não houve até a tarde da quarta-feira, 20 de maio, uma solicitação no sistema da Central Metropolitana de Regulação por parte do município de São Rafael para realizar a regulação e transferência do paciente com suspeita de Covid-19. 


Veja abaixo quais cidades mais enviam pacientes para Natal, Mossoró e Caicó:
Créditos: Divulgação

Natal 
Touros
Ceará-Mirim
Extremoz
Guamaré
Poço Branco
São Paulo do Potengi
Lagoa Salgada
São José de Mipibu

Macaíba
Ares
Nova Cruz
Macau

Mossoró
Barauna
Tibau
Porto do Mangue
Angicos
Serra do Mel
Carnauais
Pendências
São Rafael
Caicó 
Caraúbas
Barauna
Lagoa Nova
Acari
Carnauba dos Dantas
Parelhas

Pau dos Ferros
Areia Branca













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