Teori Zavascki morre em queda de avião

Publicação: 2017-01-20 01:01:00 | Comentários: 0
A+ A-
São Paulo (AE) - O ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato na Corte, morreu na tarde de ontem, após a queda de um avião de pequeno porte na costa de Paraty, no Rio de Janeiro. O acidente que o vitimou causou comoção e perplexidade nos meios jurídico e político do País. Condutor da maior investigação envolvendo políticos e autoridades com foro privilegiado, o ministro morreu quando finalizava a análise de 900 depoimentos de 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht, a mais esperada delação até o momento. O fato despertou dúvidas sobre o andamento da Lava Jato no Supremo. Também abriu uma discussão em relação à substituição do ministro-relator - se a função será assumida pelo novo ministro a ser nomeado pelo presidente Michel Temer ou se essa tarefa ficará a cargo de outro integrante do STF, escolhido pela presidente do tribunal, Cármen Lúcia.
ABRTeori Zavascki deixou o Superior Tribunal de Justiça ao ser indicado para a vaga no Supremo Tribunal FederalTeori Zavascki deixou o Superior Tribunal de Justiça ao ser indicado para a vaga no Supremo Tribunal Federal

Teori se notabilizava por um perfil essencialmente técnico e discreto, destoante de parte dos colegas de Supremo. Após horas de apreensão, sua morte foi confirmada pelo próprio filho, Francisco Prehn Zavascki, em mensagem numa rede social por volta de 18h. Outras quatro pessoas morreram na queda, entre elas o empresário Carlos Alberto Filgueiras, dono do Hotel Emiliano, em São Paulo. O avião pertencia ao grupo empresarial. A Polícia Federal em Angra dos Reis (RJ) abriu inquérito para apurar as causas do acidente, que despertou teorias conspiratórias. O delegado da PF Márcio Anselmo, da força-tarefa em Curitiba, chegou a publicar mensagem na qual levantou suspeitas. Temer decretou luto oficial por três dias e lamentou a perda de um "homem de bem". Responsável pela Lava Jato na primeira instância, o juiz federal Sérgio Moro se disse perplexo e chamou o ministro de "herói brasileiro".

Repercussão

“Recebemos com profundo pesar a notícia do falecimento do ministro Teori Zavascki. Neste momento de luto, manifesto aos familiares do ministro e demais ocupantes do voo meus sentimentos de pesar e associo-me a todos os brasileiros ao lamentar a perda de um homem público exemplar"
Michel Temer
Presidente da República

“A consternação tomou conta do Supremo Tribunal Federal, neste 19 de janeiro, com a notícia da morte de um dos mais brilhantes juízes que ajudaram a construir a história deste Tribunal e do País. O ministro Teori Zavaski representa um dos pontos altos na história da nossa Justiça. O seu trabalho permanecerá para sempre, e a sua presença e o seu exemplo ficarão como um rumo do qual não nos desviaremos.”
Cármen Lúcia
Presidente do Supremo Tribunal Federal

“É com imenso pesar que recebo a notícia da trágica morte do ministro Teori Zavascki. Hoje perdemos um grande brasileiro. Como juiz e cidadão, Teori se consagrou como um intelectual do Direito, zeloso das leis e da Justiça. Tive o privilégio de indicá-lo para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), com ampla aprovação do Senado"
Dilma Rousseff
Ex-presidente da República

"O Brasil perdeu hoje um cidadão que honrou a magistratura em todos os postos que ocupou. Minha solidariedade à família do ministro Teori Zavascki e aos membros do STF"
Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-presidente da República

"É com profunda tristeza que recebo a notícia do falecimento do Ministro Teori Savascki, por quem tinha grande admiração. Era um magistrado sério, correto e brilhante.".
José Sarney
Ex-presidente da República

“O Brasil tem uma grande dívida de reconhecimento e gratidão com o ministro pela forma equilibrada e responsável com que ele conduziu um dos momentos mais difíceis da história do país".
Aécio Neves
Senador e presidente do PSDB

“Teori Zavascki honrou o papel de magistrado, ao atuar de forma ética, isenta, discreta e extremamente técnica durante toda sua carreira. Na relatoria da Operação Lava Jato no STF, o ministro não hesitou em adotar medidas inéditas para a Suprema Corte, a pedido do Ministério Público Federal".
Rodrigo Janot
Procurador-geral da República

continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários