Terapias de cafés

Publicação: 2017-08-30 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Em processos terapêuticos, uma xícara de café pode contribuir para elevar um pouco o astral de pacientes depressivos. Mas não foi por isso que o psicanalista Marcos Cassiano ambientou em cafeterias reais da cidade – algumas já extintas – grande parte de seu novo livro “As Cores da Depressão”. O autor é um dedicado apreciador da bebida, costuma frequentar as cafeterias locais e, assim como ele, os personagens em primeiro plano do livro compartilham do mesmo hábito. Foi num café na Ribeira que Cassiano conversou com o VIVER para falar sobre seu novo livro, cujo lançamento acontece nos dias 31 de agosto e 1º de setembro, no Café do Ponto (Natal Shopping), entre às 18h e 21h30.

Uma xícara de café pode contribuir para elevar o astral de pacientes em terapia. O detalhe serviu de ponto de partida para o livro do psicanalista Marcos Cassiano
Uma xícara de café pode contribuir para elevar o astral de pacientes em terapia. O detalhe serviu de ponto de partida para o livro do psicanalista Marcos Cassiano

Como o título anuncia, a obra trata do tema  depressão, mas oferecendo um leque de abordagens que vai da psicanálise à nutrição, passando por neurociência, psiquiatria, filosofia, dentre outras vertentes do conhecimento, mas dentro de uma linguagem literária, cujo formato é o romance. Ou seja, é literatura. Nas palavras do autor, trata-se de “realismo transliteral”.

“A literatura de informação trabalha em cima de dados concretos. Para o livro quis ampliar a abordagem. Me baseio em histórias reais de pacientes e psicólogos parceiros. O anonimato está preservado. Dou outros nomes aos personagens”, explica o escritor, que tem 12 anos de atuação como psicanalista formado.

Em algumas passagens são citados personagens históricos, como o ex-prefeito de Natal, Djalma Maranhão, que morreu no exílio, no Uruguai, além de João Goulart (que também morreu no exílio, na Argentina), além da Viúva Machado, o radialista João Machado, ambos potiguares. As cafeterias da cidade – algumas históricas como as da Ribeira da primeira metade do século XX, onde a intelectualidade se reunia para conversar sobre os temas da sociedade – aparecem como suporte para o lado científico da obra transcorrer. No entanto, alguns desses espaços são descritos com excessivos detalhes.

São nos cafés que os personagens em primeiro plano lembram casos e colocam suas reflexão sobre o tema chave da depressão, fazendo desde apontamentos históricos, até reflexões com embasamentos contemporâneos. “Apesar de tema atual, a depressão é algo muito antigo. Antes se falava de banzo, uma classificação para negros escravos, se olhar mais longe ainda, o termo Bile Negra também se refere a sintomas depressivos”, comenta o autor, que trouxe para o livro uma contextualização geral que passa por várias áreas da ciência.

Segundo Cassiano, cada segmento tem sua abordagem e, num cenário onde o conhecimento está cada vez mais fragmentado em especialidades, sua proposta foi costurar as várias linhas de atuação sobre a depressão em um único tecido. “O historiador fala em saudade da pátria. Médicos lembraram tratamentos, como os feitos com eletrochoque, outros citam os efeitos da doença na pele, na alimentação. A depressão é universal e no livro tento unir esses vários olhares”, ressalta.

O interesse do autor pela depressão surgiu no curso de Filosofia da UFRN, quando pagou a disciplina “Filosofia e Psicanálise”. Desde então são 15 anos de investigação sobre tema, dedicação que o levou a cursar Psicologia, além de uma graduação em Psicanálise. Para o livro foram seis anos de escrita. A capa foi outro longo processo. “Foram dois anos. Encomendei uma pintura de Fernando Gurgel e, a partir dela, ilustradores e designers desenvolveram a capa”, comenta.

Com o livro concluído, uma editora de São Paulo se interessou pela publicação, mas o autor preferiu fechar com o Sebo Vermelho e acompanhar de perto o processo de edição da obra. “Dessa forma o trabalho de revisão foi feito em parceria. Conseguimos chegar a um ponto em que a vertente científica fosse preservada, mas de uma maneira que fosse acessível ao público em geral”, explica Cassiano.

O livro será lançado com metade da tiragem vendida antecipadamente. “Mostrei o livro para um círculo de amigos e com o boca a boca a publicação chegou a outras pessoas. Alguns já leram, me mandaram comentários”, diz o autor. A obra está disponível para venda na livraria Leitura, no Natal Shopping, e na Cooperativa Cultural, na UFRN.

Serviço
Lançamento de “As Cores da Depressão” (Ed Sebo Vermelho), de Marcos Cassiano, nos dias 31 de agosto e 1º de setembro, no Café do Ponto (Natal Shopping), entre às 18h e 21h30.

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