Terceiro setor cobra respostas sobre situação de duas das principais bibliotecas do RN

Publicação: 2018-05-17 11:48:00 | Comentários: 0
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Após seis anos fechada, a Biblioteca Câmara Cascudo (BCC), considerada a “biblioteca mãe” do Rio Grande do Norte, teve a conclusão da obra de reestruturação adiada mais uma vez. O último prazo de reabertura dado pela Fundação José Augusto (FJA) seria no fim de abril, mas até o momento a obra orçada em R$ 1,6 milhões ainda não foi entregue. O acervo de mais de 100 mil livros está armazenado na Cidade da Criança. Outra importante biblioteca potiguar que está em condições precárias é a Rômulo Wanderley, em Parnamirim, que foi deslocada para uma sala do Teatro Municipal e funciona sem internet, refrigeração ou qualquer tipo de automação.
Reforma da Biblioteca Câmara Cascudo está em fase de conclusão
Imagem de abril mostra andamento da reforma da Biblioteca Câmara Cascudo, que está em fase de conclusão

Em busca de soluções para a situação, o Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE) vai solicitar visitas às instalações das duas bibliotecas, ainda que a BBC esteja em obras, com o objetivo de cobrar respostas. “É inconcebível que a capital tenha uma biblioteca que é referência fechada há anos, impossibilitando as pessoas de usufruírem desse bem cultural. Em outros estados, já se constroem bibliotecas-parques, ampliando o conceito, e aqui a gente sequer consegue reabrir uma que já existia. Além disso, corremos o risco de perda de acervo de obras raras, inclusive com livros que não têm mais reedições”, denuncia Miriam Dantas, educadora e membro do IDE.

Segundo a organização não-governamental, que atua na defesa do acesso ao livro no Estado, a situação desses equipamentos culturais está na contramão das ações de fomento à leitura e configuram cenário grave de descaso com o fortalecimento da educação e cultura no Estado. Em abril, o IDE lançou, em parceria com o Instituto C&A, a Rede Potiguar de Bibliotecas, cuja meta inicial é cadastrar todas as bibliotecas do RN e interliga-las com ações unificadas como concursos, gestão de acervos e banco de dados. “É uma iniciativa inovadora e que vai proporcionar mais conhecimento para que a população acompanhe as bibliotecas que dispõe e a possibilidade de exercer o controle social. As pessoas vão poder questionar ‘e a minha cidade, não tem? Como estão as bibliotecas escolares que nós temos, precisam melhorar?’”, explica Miriam Dantas.

A recuperação da BCC só teve início em 2017, embora esteja fechada desde 2012. Segundo a FJA, a demora na ação se devia à falta de verba do Governo do Estado para esse fim, algo que só foi resolvido com o Governo Cidadão - parceria do executivo estadual com o Banco Mundial. De R$ 1,6 milhões, R$ 918,4 mil são destinados à obra e o restante à compra de mobiliário e equipamentos eletrônicos.

Em relação à Biblioteca de Parnamirim, que já ganhou vários prêmios literários e tem projeto de leitura consolidado, o descaso atual surpreendeu negativamente. “Fomos surpreendidas por se tratar de um município que tem evoluído em relação à atenção à cultura e comete essa falha de instalar sua tão importante biblioteca em local inadequado”, lamenta a educadora.


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