Teste para Covid em laboratórios privados custa até R$ 460 no RN

Publicação: 2020-06-04 00:00:00
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Ícaro Carvalho
Repórter

A ausência de testagem em massa para o novo coronavírus na maioria das cidades do mundo tem levado milhares de pessoas a pagarem pelo teste para confirmarem se estão contaminados ou se já adquiraram os anticorpos para o vírus. Em Natal, os preços dos testes em laboratórios e clínicas privadas variam de R$ 280 a R$ 460, a depender do tipo do teste. Alguns laboratórios têm ofertado serviços de drive thru e até coleta domiciliar. Os resultados têm prazos de entrega variados e gerentes de laboratórios ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE alegam que a procura tem sido intensa nas últimas semanas.

Créditos: Adriano AbreuLaboratórios montaram estratégias diversas para que o risco de contaminação durante a testagem rápida seja o mínimo possívelLaboratórios montaram estratégias diversas para que o risco de contaminação durante a testagem rápida seja o mínimo possível


Na capital potiguar, pelo menos quatro laboratórios oferecem os exames. Em alguns locais, é necessária uma solicitação médica para poder fazer a avaliação a partir do exame do tipo RT-PCR. Em outros, não há a exigência da requisição.

“Para realizar o procedimento é necessário ter a solicitação de um médico. Isso vale para o teste RT-PCR e para a Sorologia. Somente um especialista poderá recomendar qual tipo de exame é o mais adequado para o paciente. Tendo a solicitação em mãos, é preciso agendar o dia e horário para realização do exame. O agendamento é obrigatório apenas para a versão RT-PCR do exame”, informou o DNA Center, em nota.

De acordo com a gerente de qualidade da Hemolab, Fábia Medeiros, os exames oferecidos são o RT-PCR, o de sorologia e os testes rápidos. A diferença entre esses tipos de testes são as forma de coleta das amostras dos pacientes, o grau de confiabilidade dos resultados e o tempo de entrega dos exames.

“No início dos sintomas da Covid, do primeiro ao sétimo dia, podendo ir até o décimo dia, a gente indica o RT-PCR. Depois do oitavo dia, começa a ser o aparecimento dos anticorpos, que vem primeiro o IgM. Nisso já podemos fazer um teste rápido ou de sorologia. Depois de 19 dias, começa a produção de anticorpos IgG, que aí você vai saber se teve a doença, que é sua resposta imune”, explicou, acrescentando que o exame por sorologia (de sangue) possui maior sensibilidade ao teste rápido. O RT-PCR é definido pelo Ministério da Saúde como o padrão ouro, que é feito no início dos sintomas, do primeiro ao sétimo dia. 

Alguns laboratórios têm procurado atender clientes que moram em cidades da Grande Natal. Além disso, eles aperfeiçoaram os espaços dos estacionamentos para criar um drive thru de testes para o novo coronavírus. É o que tem acontecido em dois laboratórios da capital potiguar, ambos na zona Leste de Natal, com longas filas de carros. As entregas dos exames podem acontecer horas depois ou em até cinco dias úteis, a depender do tipo do teste. Em Mossoró, um laboratório da cidade organizou o estacionamento como ponto de coleta dos testes.

“Está havendo uma procura, sim. A Prefeitura está fazendo testes rápidos e as empresas vêm buscando fazer os exames em seus funcionários. Fazemos a coleta domiciliar e também a coleta nas unidades avançadas no nosso estacionamento", disse o bioquímico Getúlio Vale, proprietário do laboratório Cacim, em Mossoró.

Quem fez o teste foi o jornalista  Leandro Cunha. Ele disse que estava sem sintomas quando procurou fazer o exame e tomou a decisão após saber que uma pessoa próxima tinha testado positivo. “Fiz de forma particular porque o plano de saúde só faria caso eu apresentasse sintomas, o que não era o caso naquele momento. Me senti seguro com o resultado, uma vez que não estava sentindo nada, o que se confirmou até hoje. Isso foi na metade de abril”, comentou.

Testagem restrita
A procura pelos exames de forma particular no Estado pode estar associada aos critérios de testagem por parte da Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap/RN). Isso porque nem todo mundo pode passar pela coleta dos exames, seja o RT-PCR ou os testes rápidos, este último, indicado para profissionais da saúde e da segurança por parte do Ministério da Saúde. A recomendação vigente é datada do dia 28 de março de 2020 e a coleta é restrita a um grupo de usuários. 

O último boletim da Sesap, divulgado nesta quarta-feira, 3, mostra que o RN já aplicou 13.721 exames do tipo RT-PCR e outros 11.409 testes rápidos, totalizando 25.130 testes. Atualmente, o estoque da Sesap conta com 37.796 exames RT-PCR e 30.060 testes rápidos.

Novo método 
Um novo tipo de diagnóstico para detectar o coronavírus foi estudado e desenvolvido por pesquisadores do Grupo Fleury, em São Paulo, e busca ser uma alternativa ao exame RT-PCR, considerado padrão-ouro pelas autoridades sanitárias. O teste por proteômica, que busca analisar as proteínas do coronavírus, possui a mesma dinâmica do RT-PCR (coleta de amostra da mucosa do nariz do paciente) e já apresenta resultados de confiabilidade de até 84%. O método já está disponível no mercado brasileiro há cerca de uma semana. 

 “O problema é que esse material genético é algo frágil e se quebra com facilidade em função tempo e da temperatura. Se você tem um laboratório num lugar distante, quando chega ao lugar que vai fazer o teste, corre risco de ter quebrado, total ou parcialmente”, comentou o infectologista e diretor clínico do Grupo Fleury, Celso Granato. 

A partir, disso, os pesquisadores conseguem extrair o material genético e armazená-lo de uma forma que a integridade dessa amostra não seja afetada, o que possibilita grandes percursos ou trajetos em até cinco dias. 





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