Economia
Thiago Dantas e Silva: 'Expectativa é injetar R$ 1,4 bilhão na economia do RN'
Publicado: 00:00:00 - 23/01/2022 Atualizado: 10:54:50 - 22/01/2022
O Banco do Nordeste terá em 2022 forte atuação no setor de energias renováveis no Rio Grande do Norte. Isso porque, dos R$ 1,4 bilhão de orçamento em investimentos  para o ano, quase metade — cerca de R$ 600 milhões — será utilizada em projetos no segmento solar e eólico. Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, o superintendente regional da instituição no Rio Grande do Norte, Thiago Dantas e Silva, também falou das iniciativas da instituição para  este ano. O banco aposta em ações de microfinanças, orientação ao empreendedorismo e editais de incentivo à produção científica. Ele também comemora a manutenção do índice de adimplência da instituição, que passa dos 95%, mesmo com a pandemia de coronavírus. Para ele, essa questão das taxas competitivas do banco junto ao mercado de crédito. Leia a entrevista: 

Ana Lourdes Bal
Thiago Dantas e Silva, superintendente regional do Banco do Nordeste no RN

Thiago Dantas e Silva, superintendente regional do Banco do Nordeste no RN


Como o BNB está atravessando a pandemia?
Um grande desafio. O Banco Nordeste dialoga com seu público-alvo, que eu chamo de atores econômicos, porque engloba os atores agentes produtivos, o produtor rural, as empresas dos mais diferenciados portes — desde o microempreendedor individual até a grande companhia, são os clientes do banco. E a gente atende ali residualmente a pessoa física, mas também atende a pessoa física no financiamento estudantil, no financiamento do sistema fotovoltaico. E atendemos também aquelas pessoas físicas que gravitam em torno da empresa:  os diretores, os sócios, funcionários. Então, você percebe que o principal público-alvo do Banco Nordeste  é esse agente econômico foi quem mais tem sofrido na pandemia, que tem trazido dificuldades para toda a sociedade de um modo geral. Mas os agentes econômicos, em especial, porque ela acaba reduzindo o fluxo de caixa das empresas, interrompendo atividades ou suspendendo a totalidade daquela atividade. Sabíamos da nossa missão. O banco é uma instituição financeira de carteira múltipla, como os demais bancos comerciais, mas a gente tem no DNA, a posição de banco de fomento, de desenvolvimento. É esse o motivo de existir o Banco do Nordeste, que é conseguir implementar políticas públicas federais e fomentar as atividades econômicas. 

Que medidas foram tomadas?
Entendíamos que o nosso papel ia se dividir na verdade em dois desde o início da pandemia. Na verdade, nós íamos fortalecer os dois principais papéis que o banco já tinha. Numa frente que é o fomento ao crédito, ou seja, a concessão de crédito para fomentar as atividades econômicas, seja no custeio, no dia a dia da empresa, seja no investimento, para ampliar a capacidade de produção, para se relocalizar, para se modernizar, implantar. E a segunda frente, que é aquele que já é o nosso cliente, tentar fazer com que ele tivesse uma travessia um pouco mais tranquila. Então foi renegociando as dívidas, sendo sensível aos pleitos de renegociação de dívida, para reescalonamento das prestações, concessão de carência de um prazo maior para o cliente voltar a pagar. É tanto que naquele primeiro momento da pandemia num start que foi dado pelo Banco Nordeste, enquanto a maioria dos bancos estavam naquela política do pula-parcela, a gente já tinha o vislumbre de que seria um momento mais difícil e mais longo. Então, lá em abril de 2020, a gente suspendeu todas as operações do pagamento das prestações dos clientes de 2020. Ou seja, o cliente só retomou o pagamento em janeiro de 2021. E mesmo assim, em janeiro de 2021, que a situação ainda não estava totalmente atravessada, no caso a caso, primeiro fizemos a carência automática em 2020. E para aqueles setores que continuam muito afetados em janeiro de 2021, setores de evento, restaurantes, hotelarias, que acabaram sofrendo mais pelas restrições de locomoção. Então, pra esses setores a gente também teve uma sensibilidade no início 2021 e também renegociou suas dívidas de acordo com a solicitação de cada um. Foram essas duas frentes que a gente tratou muito fortemente.

No RN, possuem 70 mil clientes que podem renegociar dívidas e ganhar descontos. 
Essa campanha de renegociação que vai até o dia 29 de janeiro é específica para clientes que estão em situação de inadimplência crônica. Ou seja, aqueles clientes que já abandonaram seus pagamentos há mais tempo. Para os recursos próprios há mais de dois anos e com recursos do FNE, é para clientes com dívidas totalmente vencidas há pelo menos 180 dias. No Banco Nordeste, nós financiamos com recursos próprios, recursos de captação, como todo banco tem e temos a exclusividade de uma fonte de recurso chamado do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). Estamos oferecendo condições diferentes caso o cliente tenha contratado com recursos próprios do banco ou com recursos do FNE. Mas, nos dois casos, estamos falando de clientes com atrasos crônicos. Para quem contratou com recursos próprios, estamos falando de 37 mil clientes. Para quem contratou com recursos do FNE, estamos falando de 32 mil clientes. São quase 70 mil clientes que estão enquadrados. Claro, temos clientes que não estão mais no Rio Grande do Norte, evadiram-se, clientes que não tem mais atividade, mas é uma oportunidade que se tem de regularizar a sua vida financeira. Seja na pessoa física, porque o cliente acaba sendo o sócio da empresa, é avalista e está impedido, seja na pessoa jurídica. Mesmo para aqueles que deixaram de exercer a atividade econômica, é uma oportunidade pra pra retomar a vida financeira. 

A inadimplência aumentou na pandemia? Quais os índices atuais?
Residual. Eu diria o seguinte, a gente teve, na verdade, uma diminuição residual da adimplência. Enquanto analisamos cenários, quando vemos a adimplência do Estado, ficamos muito felizes pelo trabalho que foi desenvolvido e pela firmeza dos nossos clientes. Os nossos clientes, com todas as dificuldades que enfrentaram, quando estava passando por alguma dificuldade rapidamente procurava o seu gerente de negócio, gerente de relacionamento e novas formas de pagamento ou fizeram renegociações ou fizeram amortizações. Mas a nossa adimplência se manteve bem estável, mesmo considerando a dificuldade que nós estamos tendo. Temos uma adimplência superior a 95%. 

Atribuem essa manutenção dessa taxa a quais fatores?
O Banco do Nordeste trabalha com recursos muito competitivos. Somos o banco de quem produz. Temos condições muito competitivas. Nossas taxas de juros são mais atraentes porque são mais baixas e os nossos prazos são mais longos, então, temos financiamentos. Se for para investimento, para pegar o exemplo de quem está montando uma atividade, pode chegar até doze anos. Tem setores que podem chegar até quinze anos. O segmento do turismo, por exemplo, caso a intenção seja para montar um equipamento hoteleiro, pode fazer um investimento com até 15 anos e até 5 anos de carência. Veja, são prazos longos e taxa de juros baixas. Isso faz a prestação ser muito civilizada que é comportada ali no fluxo de caixa da empresa. Temos um acompanhamento muito de perto, nosso gerente de relacionamento.  Ele não contrata crédito e o cliente segue. Mantemos contato, visitamos, dialogamos e tentamos, na medida do possível, é claro que o cliente é soberano, quem tem o conhecimento do seu negócio, mas tentamos orientá-lo financeiramente. 

O que projetam para o segmento de energias renováveis em 2022?
Nós temos para 2022, falando de todo o orçamento do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), uma expectativa de injetar R$ 1,4 bilhão na economia potiguar. E temos reservados para projetos de infraestrutura, a energia eólica contemplada neste segmento, por volta de R$ 600 milhões.E temos demanda para muito mais do que isso. Esse orçamento já está todo solicitado. Claro que entre a solicitação da empresa até o credenciamento mesmo ou seja assinatura do contrato, tem um prazo. Como temos uma super demanda, mesmo quem já está com essas consultas aprovadas dentro do banco, não conseguem atender todos os requisitos e selecionamos outro. Mas hoje, primeiro mês do ano, estamos com esse orçamento totalmente comprometido, tamanha é a competência do Rio Grande do Norte. Tudo em matriz solar e eólica. Nascemos com um orçamento e não quer dizer que vamos executar somente aquele orçamento. A depender da velocidade que os pleitos dos outros estados tenham, se eventualmente a gente conseguir evoluir numa velocidade maior, então além desses R$ 600 milhões, de repente conseguimos injetar mais recursos que isso. 

Como vocês atuam no fomento à inovação?
Temos uma atuação forte que não é só o crédito. Claro que quando você fala num banco, numa instituição financeira o número que chega na frente é o do quanto se emprestou, quanto financiou? Foram quantas mil operações? Mas o banco tem um trabalho que vai além disso. Nas microfinanças, a orientação ao empreendedorismo. Vamos além de só colocar o dinheiro no caixa da empresa. Temos um fundo que é o que é o Fundece (Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) em que lançamos editais ao longo do ano para acesso a esse recurso, que não é reembolsável. O edital traz os temas que o banco vai priorizar naquele momento. Em 2020, por exemplo, os editais que nós soltamos foram muito vinculados ao tema pandemia. Então, era para inovações no tratamento da pandemia, inovações na gestão hospitalar, na gestão laboratorial da produção de máquinas e equipamentos de combate ao surto de Covid-19 que tínhamos naquela ocasião. No triênio 2019/2021, conseguimos aprovar R$ 3,6 milhões só no RN em projetos de desenvolvimento científico e tecnológico. E temos para o próprio cliente convencional do banco, a MPE, temos um recurso para inovação, chamado FNE Inovação, que tem uma taxa de juros mais baixa do que o crédito convencional. Isso mostra a competitividade das nossas linhas. taxa de juros muito baixas. O FNE Inovação é a mais baixa taxa de juros entre as nossas linhas de crédito. Uma indústria que vai adquirir uma máquina que já faz parte do processo produtivo dela, ela vai adquirir por exemplo num num programa FNA Indústria. 

Como o BNB encara esse fenômeno agora de digitalização e de modernização de processos? 
A gente acredita que tem muita tecnologia atualmente é muito modelo de negócio que está sendo testado. O futuro é quem vai nos dizer quais vão ser aqueles que vão permanecer ou não. Os grandes bancos têm a seu favor o fato de já conhecer o mercado, de ter uma carteira de clientes. Se eventualmente algum modelo de atendimento prevalecer, o cliente faz a opção lá na frente. Se percebemos que há uma aptidão muito forte do cliente em ter um atendimento cada vez mais digital, mais distante do humano. Abertura de conta, cadastro, tudo pela internet os grandes bancos conseguem montar rapidamente essa plataforma também, como estão montando. Hoje, na maioria dos bancos, o Banco do Nordeste inclusive tem, você pode fazer o seu cadastro digital. E ao seu tempo as fintechs estão tentando também identificar qual é o modelo de negócio que consegue ser longevo. A gente sabe que as instituições financeiras têm um um custo elevado e essas operações mais digitais, mais modernas, elas não conseguiram ainda repassar esses custos, é tanto que a gente tem visto aí algumas operações que ainda não conseguiram se rentabilizar. É algo que o futuro vai nos apontar quais serão os caminhos. O fato importante é que o Brasil está na vanguarda do sistema financeiro, com transações instantâneas de pagamento, de transferência e o advento do PIX, o advento do Open Banking. São tecnologias bem brasileiras.

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