TI gera novas oportunidades de negócios

Publicação: 2019-05-19 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Para as empresas que já atuam no mercado, se adequar às demandas das novas gerações de consumidores, acostumadas com o meio virtual, é algo com o qual muitas lutam para se adaptar. "Se adaptar a esse novo mercado não é simples nem trivial. O novo consumidor pesquisa, exige, quer rápido e mais barato.", explica Irís Pimenta, diretora executiva da Inova Metrópole, incubadora de startups do Instituto Metrópole Digital (IMD), departamento da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
No IMD, Miguel Rocha, Gabriel Signoretti e Álvaro Negreiros, egressos do curso de engenharia da Computação, desenvolvem programas, aplicativos, sites e sistemas
No IMD, Miguel Rocha, Gabriel Signoretti e Álvaro Negreiros, egressos do curso de engenharia da Computação, desenvolvem programas, aplicativos, sites e sistemas (Magnus Nascimento)

Se a adequação às demandas que surgem a partir do momento que mais pessoas passam a utilizar as plataformas digitais para solicitar serviços e produtos, para aqueles que desenvolvem as soluções para essas questões, há uma janela aberta para novas oportunidades.

"As empresas tradicionais vem buscando se adequar às novas realidades do mercado, que acabam trazendo a questão da conectividade. Se antes para pedir uma pizza ou um táxi a gente usava o telefone como meio de comunicação, hoje essa intermediação é feita pelos aplicativos mais diversos, o que tem gerado muita oportunidade no setor que desenvolve essas soluções, de tecnologia da informação”, explica Íris.

De acordo com um estudo feito pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) nas 27 capitais do país, em 2017, 89% dos internautas realizaram ao menos uma compra online entre 2016 e 2017. Mesmo no cenário de crise, de acordo com a pesquisa, 43% dos consumidores aumentou a quantidade de produtos adquiridos pela internet.

No IMD, os estudantes estão atentos ao novo cenário, e já procuram empreender na área. É o caso da B2SOFT, empresa de desenvolvimento de programas, aplicativos, sites e sistemas, formada por três egressos do curso de engenharia da computação: Miguel Rocha, Gabriel Signoretti e Álvaro Negreiros.

“A B2SOFT é uma software house, a gente pega a ideia de muitos empresários e transforma elas em aplicativos. Quando a empresa possui a sua plataforma própria, desenvolvida para ele, além de se encaixar às necessidades particulares dele, é ele quem manda no aplicativo, o que para quem trabalha com imagem e redes sociais pode ser muito importante, porque ele não corre o risco de perder todo o público-alvo dele se o Instagram, por exemplo, resolver bloquear a conta dele”, explica Álvaro.

Recentemente, a empresa lançou o “DrinkApp”, aplicativo de entrega de bebidas, que surgiu com base em uma lacuna existente no mercado, observada pelos programadores. “A ideia base veio em um evento do SEBRAE do qual eu participei, o “Start-up Weekend”. Surgiu a ideia da entrega de bebidas em um estágio mais simples, que foi sendo aperfeiçoada quando trouxemos para dentro da empresa”, afirma Miguel.

Diferente dos outros aplicativos, como o Ifood e o próprio Uber Eats, o DrinkApp se apresenta para o usuário como um mapa, que permite mostrar as lojas de conveniência mais próximas do usuário. “A operação de entrega de bebidas já estava funcionando nesses estabelecimentos, o que foi positivo, porque colocar o operacional para funcionar seria a parte mais difícil. Nós automatizamos um processo que antes era feito pelo telefone. Antes, os atendentes muitas vezes tinham que atender ligações de pessoas bêbadas, ficar buscando disponibilidade de produtos...”, diz Álvaro.

De acordo com eles, a demanda por produção de aplicativos por parte de outras empresas foi tão grande que eles tiveram de parar por um tempo de receber os pedidos para dar conta dos existentes, uma realidade similar a das outras empresas que trabalham no segmento e estão incubadas no IMD.

“Existem problemas dos mais diversos tipos entre as empresas: promover conexão com o cliente, gerenciamento interno para otimizar custos... Todas essas demandas chegam. Aqui no IMD, no bacharelado de Tecnologia da Informação, o aluno desenvolve as competências e habilidades para criar esses aplicativos, então fazemos o esforço para conectar essa capacidade produtiva com as demandas do mercado”, diz Íris Pimenta.

Tecnologias reduzem empregos formais

As novas formas de relação de trabalho trazidas à modernidade pelas tecnologias ainda são tema de debate no meio jurídico brasileiro. Membro do comitê de tecnologia do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), o juiz do trabalho Higor Sanches, conta que a medida em que as novas tecnologias ajudam a criar novos postos e oportunidades de trabalho, ela também vem ajudando a reduzir o número empregos formais.

“É um desafio da modernidade: tanto a criação de postos como a sobrevivência da própria economia com base nesse novo modelo”, afirma. De acordo com ele, muitos dos aplicativos trazem demandas que estavam reprimidas em outro lugar, como é o caso do Uber, que traz à tona demandas que estavam reprimidas nos serviços de táxi e transporte público.

“Como trazer uma maior segurança e melhores condições para essas formas de trabalho são algumas das principais questões que estão sendo debatidas”. Com uma educação primária e secundária que, em geral, pouco ensina sobre gestão de finanças a nível pessoal, o juiz afirma que a administração dos ganhos é outra questão com a qual aqueles que usam o aplicativo terão de se adaptar.

“O custo de operação às vezes é muito alto, com gasolina, manutenção do veículo. Quando uma empresa vende um produto, já está incluso ali todo o custo daquela operação, e muitos que se inserem nesse novo mercado não possuem ainda uma noção de gestão financeira para administrar esses ganhos, que em geral são pequenos. O que pode acontecer, por exemplo, é que um motorista de uber, em dois anos, talvez não tenha dinheiro para trocar seu carro, que é o que faz a operação funcionar.”, conclui.

Não é apenas no meio jurídico, no entanto, que as novas relações tem causado impactos. De acordo com o chefe do setor de cirurgia geral do Hospital Walfredo Gurgel, o médico Ariano Oliveira, o impacto dos serviços por aplicativo, em especial os de entrega e transporte de passageiros, vem causando efeitos principalmente benéficos. “Nós temos notado uma redução significativa no número de acidentes de trânsito, em especial por embriaguez. Os aplicativos proporcionaram mais uma alternativa para as pessoas poderem sair, beber e não voltar para casa dirigindo. Reforça a importância do investimento em transporte público também, porque se só com os aplicativos já tivemos essa melhora, com um transporte público de qualidade, poderia ser ainda mais positivo o impacto”, relata Ariano.

Em relação aos trabalhadores, o médico afirma que os acidentes causados pela pressa para atender demandas existe, e está centrado principalmente nas motocicletas. “É um problema real, mas que não representa a totalidade dos casos. A pressa ainda é o principal problema, e acho que caberia às empresas pensarem soluções para aperfeiçoar os aplicativos e torná-los mais seguros tanto para quem trabalha, como para quem usa”, conclui o médico.

Números

50,7% dos potiguares utilizavam a internet somente por meio do telefone celular em 2017

89% dos internautas realizaram ao menos uma compra online entre 2016 e 2017

47,9% utilizavam a internet por meio de computadores e tablets em 2017

43% dos consumidores afirma ter aumentado o número de compras feitas pela internet

continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários