Tiquinha Rodrigues apresenta seu primeiro trabalho solo com lançamento amanhã (15)

Publicação: 2021-01-14 00:00:00
Tádzio França
Repórter

Entre os arcos da rabeca e do violino, Tiquinha Rodrigues já embalou muitas danças e histórias. Mais conhecida como  rabequeira e cantora da banda Rosa de Pedra, ela pediu licença aos colegas para contar a própria história. Está tudo nos batuques e cordas de “Tica” (Rizomarte Records), seu  primeiro trabalho solo, que terá lançamento oficial na próxima sexta-feira (15), disponibilizado em todas as plataformas digitais. Nas sete canções do álbum, Tiquinha aborda ancestralidade, família, espiritualidade, cultura popular, e como tudo isso se transforma na trilha sonora de sua vida. 

Créditos: augusto juniorTiquinha aborda ancestralidade, família, espiritualidade e cultura popularTiquinha aborda ancestralidade, família, espiritualidade e cultura popular

“Tica” abre e fecha com um ponto da Jurema Sagrada, tradição religiosa afro-indígena  que absorve variadas influências, mas possui uma identidade bem demarcada. Tudo a ver com Tiquinha. A conexão não é apenas religiosa, mas também familiar, já que a artista cresceu numa casa que foi o terreiro de sua mãe. 

“Eu vejo esse disco como uma oferenda, um apanhado de tudo que fez e faz parte da minha vida. Eu não poderia deixar passar, em especial, a relação com minha mãe e seu terreiro. É uma grande referência pra mim”, conta à Tribuna do Norte. Tiquinha ressalta que seu primeiro vôo musical solo já vinha sendo construído há três anos, contando com os lançamentos de dois singles entre 2018 e 2019 (não incluídos no disco), além da interferência da pandemia que atrasou o processo. 

Na vida e na música
Não há dúvidas que “Tica” é um trabalho muito pessoal, onde cada referência – seja nas letras ou nos sons – tem a ver com as vivências de Tiquinha. 

Segundo ela, o disco transita entre diversos momentos por quais ela passou, na vida e na música. Para dar forma a essa matéria-prima de sentimentos, produção e direção musical ficaram a cargo do violonista Toni Gregório e do percussionista Kleber Moreira, que também são parceiros da Rosa de Pedra. 
Apesar de ter curta duração, “Tica” é um disco repleto de colaborações e encontros, de alta intensidade sonora. Além deles, colaboram no disco o instrumentista Fernando Régis, autor do instrumental "Forró para Tica", e os compositores Luiz Mário, Waldemar da Silva e o Mestre Juremeiro Rômulo Angélico, responsável pela canalização dos cânticos de abertura e fechamento do álbum. A sonoridade é concisa, fundamentada no essencial, com arranjos de corda que passeiam em  harmonia com as percussões de Kleber Moreira. 

Dança e contemplação
O disco tem momentos para dançar e outros para contemplar – ou as duas coisas ao mesmo tempo, conforme a disposição e estado de espírito do ouvinte. Para as horas de mexer o corpo, Tiquinha recomenda “Bote um nisso aí”, “Forró para Tica” e “Impoeira”, temas instrumentais que misturam o groove regional/nordestino com sonoridades ciganas; a contemplação encantada da Jurema Sagrada está em “Força Divina” e “Fecha-te mesa”; a relação pessoal com a música está na singela “Licença/Esfrega”, e a homenagem à magia materna em “A benção de las madres”. 

“Não é um disco de uma cor só. Ele tem várias”, ressalta a autora. Em “Tica”, a identidade visual do álbum ficou a cargo de Augusto Júnior. Na capa Tiquinha aparece com sua característica cabeleira ruiva, defumando o espaço com sálvia branca e se misturando ao movimento da fumaça que purifica o entorno. Júnior fez as fotos e a direção de arte do ensaio. O disco terá uma live de lançamento programada para o próximo dia 22 de janeiro. E também terá uma versão física em CD para quem gosta de ter a música em mãos. 











Leia também: