Titular da Dehom reclama de falta de investimentos e “terrorismo administrativo”

Publicação: 2015-10-13 15:25:00 | Comentários: 0
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Larissa Cavalcante
Repórter

A transferência de dois agentes do efetivo da  Delegacia Especializada de Homicídios do Município de Natal (Dehom-Natal), publicada no último sábado (10), no Diário Oficial do Estado, não agradou o delegado Fábio Rogério, titular da unidade. Em coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (13) ele afirmou que há um clima de “terrorismo administrativo” na Polícia Civil, desrespeito na transferência de agentes sem o conhecimento do titular da Delegacia e a total ausência de investimento na especializada.

“Eu pensei que terrorismo só existia no Oriente Médio, mas ele está aqui na diretoria da Policia Civil”, desabafou. “Ela ameaça pessoas com insinuações que uma ou outra pessoa vai sair. Duas pessoas aqui já pediram licença para o final do ano por causa dessa pressão”, concluiu o delegado Fábio Rogério. Segundo ele, não houve prioridade nem investimento na Dehom por parte da Degepol.
Larissa CavalcanteFábio Rogério reclamou que não foi avisado sobre a transferência de agentes da DehomFábio Rogério reclamou que não foi avisado sobre a transferência de agentes da Dehom

Ocupando o cargo de titular da Dehom desde fevereiro deste ano, Fábio conta com uma equipe de nove delegados, oito escrivães e 43 agentes na Dehom, além de 11 viaturas, o que a torna uma das delegacias mais estruturadas e com o maior efetivo da capital.

No entanto, de acordo com o delegado, o pessoal não é suficiente para elucidar a quantidade de ocorrências que chegam todos os meses a especializada porque apenas  cinco equipes – formadas por um delegado, um escrivão e três agentes – estão autorizadas a tocar as investigações. “Temos aproximadamente 14 inquéritos solucionados por mês e para ter uma ideia, apenas no mês de setembro nós recebemos 47 inquéritos, referentes a 41 homicídios. Como vamos dar conta de resolver todos eles com esse pessoal?”, questiona. De acordo com ele, para atender a demanda de crimes da capital seriam necessárias mais seis equipes, além de salas na delegacia, equipamentos e veículos em bom estado.

Atualmente, são 380 inquéritos não resolvidos referentes ao período de janeiro a setembro de 2015. Para o Diretor da Polícia Cívil de Natal, o delegado Júlio Rocha, os resultados não são satisfatórios. “A administração não está satisfeita com o índice de produtividade e resolutividade da Dehom. De 100 inquéritos que são instaurados, apenas 14 são solucionados”, afirmou o diretor. Segundo ele, hoje Natal conta com cerca de 30% do efetivo ideal para o funcionamento a contento da  Polícia Civil.

A Delegacia Geral de Polícia Civil (Degepol) afirmou, através de nota, que as declarações feitas pelo titular da Delegacia Especializada não são verdadeiras e que a Dehom possui a maior estrutura de policiais civis lotados em uma unidade, ou seja, 60 servidores sob o comando do delegado Fábio Rogério.


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