TN Business debate desafios do Turismo

Publicação: 2020-10-25 00:00:00
Na edição da última quarta-feira (21), a live TN Business, comandada pelo consultor Flávio Oliveira, recebeu o diretor do Grupo Arituba, Abdon Gosson. Na transmissão, os dois conversaram sobre as perspectivas e oportunidades para o turismo do Rio Grande do Norte.
Créditos: ReproduçãoFlávio Oliveira recebeu o hoteleiro Abdon Gosson, que apontou os principais desafios do setor para a retomada do crescimentoFlávio Oliveira recebeu o hoteleiro Abdon Gosson, que apontou os principais desafios do setor para a retomada do crescimento

Influenciado pelo pai, que abriu a empresa do ramo turístico, Abdon Gosson relembrou a infância que teve ao lado do pai, que viajava bastante pelo mundo e que lhe contou uma vez que não havia nada melhor do que isso. Com o passar dos anos, ele também foi levado pelo pai nas viagens e tomou gosto pelo turismo.

O grupo do qual Abdon é diretor tem uma agência e uma operadora de turismo, além de hotéis, entre eles um de luxo. O conhecimento técnico, segundo o empresário, é fundamental para o sucesso no ramo.

A experiência de mais de 37 anos de negócios rendeu ao empresário uma expertise que possibilita manter a sua empresa com um diferencial no mercado. Ele citou, durante a conversa, o exemplo de um casal que buscou um pacote de viagem para Dubai na sua agência. Era uma família que queria viajar para a capital dos Emirados Árabes Unidos num mês de julho, em pleno verão conhecido pelos registros de altas temperaturas.

“Eu disse 'eu não vou te vender essa viagem para Dubai'. Lá em julho, a temperatura ultrapassa os 50º C. É neste momento que vem a orientação para levar para o lugar certo e no momento certo. Meu pai sempre me disse uma coisa: viagem você tem que sair de casa para um lugar melhor, para passar momentos melhores do que os seus finais de semana", disse o empresário.

Turismo na pandemia

“O turismo foi um dos ramos mais fortemente impactados no mundo inteiro", destacou Abdon sobre o impacto da pandemia do novo coronavírus na economia. O empresário revelou que teve de dispensar cerca de 60% dos funcionários de um hotel. Segundo ele, foi uma sensação de “total impotência" ver o negócio parado.

A rede hoteleira potiguar está retomando as taxas de ocupação, mas a situação ainda está delicada e não atinge os níveis de pré-pandemia, de acordo com Abdon Gosson.

O receio da infecção pelo vírus da covid-19 continua, visto que uma vacina ainda não foi lançada. Neste cenário, Abdon Gosson mencionou que são justamente os turistas acima dos 60 anos - considerados grupo de risco para a doença - que mais gastam em viagens. Por causa disso, o impacto deve permanecer até o ano que vem, pelo menos.

Numa perspectiva pós-pandemia, no entanto, a expectativa do representante do setor do turismo é que haja uma alta no mercado, devido a demanda reprimida durante este período em que as famílias têm ficado mais em casa.

Perspectivas do turismo

De acordo com Abdon Gosson, o “Nordeste é um segundo Caribe para um turista, principalmente o europeu", e nesse perfil há uma perspectiva de crescimento muito grande no turismo da Região nas próximas décadas.

O que é necessário para a concretização desse crescimento é o desenvolvimento da infraestrutura nas cidades, fundamentalmente nas áreas turísticas, segundo o empresário.

Abdon explicou essa importância com uma analogia para casa: “A gente tem a sala de visitas na nossa casa para receber as pessoas, e normalmente ela está melhor do que o nosso quarto ou a cozinha".

Para o representante do ramo turístico, falta uma participação mais eficiente do poder público para sanar os problemas que impedem a consolidação de áreas do Rio Grande do Norte, por exemplo, na rota de viagens internacionais.

Para finalizar o bate-papo, Abdon Gosson deixou uma mensagem para os espectadores. “Aqueles que pretendem se inserir neste mercado, podem se arriscar porque vale a pena o turismo", afirmou ele. “O turismo precisa de gente, ele jamais vai ser robotizado. É uma indústria que cresce, em média, de 3% a 5% no mundo, e ela vai cadê vez mais precisar de gente", concluiu.