Toda história é quase efémera

Publicação: 2018-12-04 00:00:00 | Comentários: 0
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Valério Mesquita
Escritor

01) Um tio de Valmir Targino estava passando uns dias em Boa Saúde, na granja de um amigo. Num domingo, acontecia um casamento. Igreja lotada, a cerimônia corria seu curso. O vigário anuncia: “Fulano de tal, natural de Pau Ferro, etc., etc. Fulana de tal, natural de Buraco de Pedras – uma comunidade de Boa Saúde”, e fechando o ato litúrgico: “Quem tiver algo, contra que fale agora ou se cale para sempre”. Na porta principal da igreja, o velho Targino gritou: “Seu vigário”, todos se voltaram rumo à voz. Alguns esperavam uma bomba. A noiva empalideceu. O noivo amarelou. Targino sentenciou: “Eu só quero parabenizar os nubentes. Só mesmo uma moça do Buraco de Pedra para casar com um rapaz do Pau de Ferro”. Foi um “Ohh” geral. A cerimônia prosseguiu em meio aos risos e chacotas. Coisas do interior.

02) Mais uma decisão do campeonato estadual de futebol envolvendo ABC x América. Tal fato faz lembrar outra refrega entre vermelhos e alvinegros. Jogo renhido, difícil. Só a vitória interessava a ambos. Faltando cinco minutos para o final da partida, o árbitro marca alguma coisa dentro da área do mecão. Foi meio mundo pra cima do juiz. Aí começou o festival de empurrões, chutes, tapas, etc. Todo mundo brigava em campo. O locutor de “pista” da emissora gritou para o seu comandante: “Zé Ary, você aí em cima, que tem uma melhor visão, diga o que está acontecendo. Fala meu comandante”. Zé Ary muito empolgado, soltou o verbo: “ Meus amigos, eu não sei quem começou... Só sei que aqui na área do América, tá formado o maior “c... de burro” da história do nosso futebol”. A emissora saiu do ar na hora.

03) O major Ademar Cirilo tentou duas vezes conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa, nos anos sessenta e setenta. Infiltrado na rede palaciana, Ademar achava-se demais merecedor da aclamação popular. Sua votação não foi suficiente. Desolado, falou a Dinarte Mariz, seu amigo e líder político: “Veja bem, senador, eu sou por demais conhecido na área militar. Na área civil, metade do estado me conhece. Como se explica esse insignificante resultado?”. O velho cacique foi enfático: “É simples, meu querido. A metade do eleitorado do Rio Grande do Norte não votou em você por que não o conhece. A outra metade não votou, exatamente porque o conhece”.

04) Em fins de semana prolongados, o então governador Dinarte Mariz, dava uma esticadinha à Serra Negra e Caicó, mas sem perder o contacto com seus auxiliares. Certa feita, assinava alguns documentos e um palpiteiro mais chegado insinuou: “Você acha que seus secretários mesmo recebendo esses papéis hoje, irão se empenhar, diante de um feriadão desse?”. Dinarte, sem mudar de vista, respondeu: “Eu não sou dono de ninguém. Secretário meu, faz tudo o que quer, só não faz o que eu não quero”.

05) O então deputado federal Aluízio Alves dava início a sua peregrinação pelo estado rumo ao Palácio Potengi. Foi escolhido o município de Angicos para o pontapé inicial. Em meio às explanações, Aluízio falava em energia de Paulo Afonso e água do Rio São Francisco. Nesse momento, o vereador José Barbosa, o Zé Doido, que não perdia oportunidade de alfinetar Aluízio, criticou: “Lá vem esse homem com sonhos e fantasias. Olhe deputado, a tal luz de Paulo Afonso, possa ser que os meus bisnetos vejam. Agora, água do São Francisco? Vai morrer todo mundo aqui esturricado e ninguém prova desse precioso líquido. Deixa de onda, rapaz!!”. Aluízio teria comentado baixinho com alguém ao lado: “Esse doido às vezes tem momentos de lucidez”.

 06) Pery Lamartine relembra essa história da antiga Faculdade de Direito da Ribeira cujo protagonista foi o doutor Carlos Augusto Caldas da Silva, desembargador da Justiça do Rio Grande do Norte e professor da UFRN. Era conhecido pelo seu espírito humorístico que a toda hora se manifestava. Havia no curso de Direito uma bonita jovem de corpo escultural que, na sala de aula, sentava-se na primeira fila. Naquele dia usava saia justa de fechar a faculdade. O professor Carlos Augusto ministrava aula de Direito Penal, indagado de repente por um aluno que sentava lá no fundo da sala: “Professor, o que é coação irresistível?”. O mestre respondeu em cima da bucha: “Coação irresistível é ministrar uma aula com essa jovem aqui na minha frente, de vez em quando, passando uma perna sobre a outra...”. A turma não parou de rir.



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