Todas as cidades do RN registram casos positivos de covid-19

Publicação: 2020-07-08 00:00:00
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Luiz Henrique Gomes
Repórter

No dia em que o Rio Grande do Norte chegou aos 110 dias de isolamento social, a pandemia do novo coronavírus alcançou todas as cidades potiguares. Ao mesmo tempo, a rede pública de saúde registrou mais leitos críticos vagos do que pacientes em estado grave pela primeira vez em dois meses. As duas marcas, distintas entre si, são símbolos da incerteza da pandemia no Rio Grande do Norte nas próximas semanas. Ao todo, o Estado registrou até esta terça-feira, 7 de julho, 35.809 infectados e 1.289 mortes confirmadas  decorrentes da Covid-19. Foram 825 novos casos e 41 mortes registradas nas últimas 24 horas (15 delas ocorreram entre os dias 6 e 7 deste mês).

Créditos: Alex RégisNo dia em que o isolamento social chegou aos 110 dias no Rio Grande do Norte, a cidade de Rafael Fernandes registou caso positivoNo dia em que o isolamento social chegou aos 110 dias no Rio Grande do Norte, a cidade de Rafael Fernandes registou caso positivo


A única cidade que não havia registrado nenhum caso confirmado de coronavírus no Rio Grande do Norte havia sido Rafael Fernandes, de 5 mil habitantes. A cidade é localizada na região do Alto Oeste e fica a 401 quilômetros de distância de Natal. Entretanto, o primeiro caso foi registrado na noite desta segunda-feira, 6, pela Secretaria de Saúde do Município. A vítima é um homem de 40 anos de idade. Ele é um caso assintomático e foi testado após ter contato com familiares do município de Riacho da Cruz que estavam infectados.

Segundo a Prefeitura de Rafael Fernandes, o infectado está em isolamento domiciliar para evitar a transmissão do novo coronavírus. A cidade possui outros quatro suspeitos de estarem com Covid-19 e monitora 11 pessoas que tiveram contato com infectados ou suspeitos. Além disso, 21 habitantes já realizaram o teste para o novo coronavírus, mas os resultados foram negativos.

Rafael Fernandes está desde o dia 21 de março com medidas de isolamento social que afetaram as atividades econômicas da cidade e a circulação de pessoas. Em abril, a Prefeitura proibiu, inclusive, o acesso de pessoas aos reservatórios d’água para o lazer, comum nas cidades do interior potiguar. As outras medidas de isolamento são semelhantes às adotadas pelo Estado, incluindo o uso obrigatório de máscara. 

Localizada na região do Alto Oeste, a situação da cidade é diferente de outras da mesma região e de porte semelhante. O município de Pilões, por exemplo, tem 3,8 mil habitantes e 18 casos confirmados.

A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap/RN) afirmou que desde o mês de abril que o novo coronavírus está espalhado em todo território estadual. A concentração dos casos, no entanto, é nas regiões metropolitana de Natal, e Mossoró, no Oeste. As duas regiões são pólos econômicos do Estado e possuem o maior fluxo de pessoas entre as cidades.

Em reportagem publicada no dia 17 de maio na TRIBUNA DO NORTE, a subcoordenadora de Vigilância em Saúde do Estado, Alessandra Lucchesi, explicou que o comportamento da pandemia do novo coronavírus seguiria o tráfego de pessoas no território estadual. A doença chegou primeiro nas regiões de Natal e Mossoró “importada” por pessoas que viajaram ao exterior e pelo intercâmbio comercial, no caso de Mossoró, com o Ceará - que possuiu uma situação mais crítica no início da pandemia. Mas o vírus se espalhou pelo restante do território com a continuidade do movimento de pessoas.

“Nós vimos no início da pandemia um movimento de pessoas saindo da capital e de regiões mais afetadas para ir para cidades menores com a intenção de se proteger. Em alguns casos, acabaram levando o vírus para esses locais. Esse fluxo diminuiu mais com o avanço da pandemia”, declarou Lucchesi.

Oferta de leitos está maior que a fila de espera
Contrariamente à disseminação do vírus, a pressão de pacientes para leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e semi intensivos (com respiradores) da rede de saúde pública melhorou nesta terça-feira, 7. Pela primeira vez em dois meses, o Estado tem mais leitos disponíveis do que pessoas em estado grave na fila de espera por um leito. Na noite desta terça-feira, 24 leitos estavam vagos e prontos para funcionar. A fila de espera, por outro lado, possuía 15 pacientes em estado grave.

Créditos: DEMIS ROUSSOSPetrônio Spinelli comemorou número, mas reforçou que não é possível diminuírem os cuidadosPetrônio Spinelli comemorou número, mas reforçou que não é possível diminuírem os cuidados


A Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN (Sesap/RN) explicou que a existência de uma fila de espera mesmo com leitos vagos pode ser causada por três situações: o quadro clínico do paciente que está na fila não se encaixa no tipo de perfil de leito de UTI disponível, como, por exemplo, grávidas com Covid-19; os leitos disponíveis podem estar em regiões diferentes da que o paciente está, impossibilitando a transferência caso ele esteja em estado grave; e, por último, o paciente pode estar indicado ao leito, mas ainda aguarda a transferência.

O secretário de Estado adjunto da Saúde, Petrônio Spinelli, afirmou durante a coletiva de imprensa desta terça-feira, 7, que a diminuição de pessoas na fila de espera é um bom sinal epidemiológico e reflete os índices baixos de transmissão observados nas semanas anteriores, assim como a abertura de novos leitos. “Mas é preciso ter muito cuidado. Não é hora de achar que liberou geral. Chegamos a essa situação porque houve um cuidado maior nas últimas semanas”, afirmou.

Spinelli também explicou que a diminuição da fila pode, em um primeiro momento, aumentar a ocupação dos leitos críticos. “Com a diminuição de pessoas na fila, significa dizer que essas pessoas estão em leitos de UTI. A ocupação desses leitos fica maior em um primeiro momento, mas significa que a assistência dada a essas pessoas é a mais adequada do que a recebida enquanto elas estão na fila, porque aí elas estão em leitos clínicos, mas em estado grave”, declarou. A fila de espera por um leito crítico já chegou a ter  mais de 40 pessoas nas semanas anteriores.