Tolice pomposa

Publicação: 2019-09-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

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Não irrita abrir um jornal e encontrar um presidente contra a ideologia de gênero. Há de ser, e com certeza é, o exercício do direito de opinião, mesmo ferindo a mais comezinha noção do direito do outro. Para não cobrar o saber da teoria do conhecimento, porque, aí, seria correr o risco grave de esbarrar em algo muito mais difícil que é tentar explicar, a quem não quer saber, como se forma a capacidade de compreender e julgar os princípios sem apenas negá-los.

O que espanta e só prospera nos cérebros feitos de miolo de pão fermentados a bromato, é alguém, em nome de uma Nação, e por ela eleito pelo voto, determinar estudos para proibir a ideologia de gênero. É possível estudar e, no caso do governo, até aprender com algum esforço, mas é impossível proibir qualquer ideologia. Nem mesmo tendo um ministro da educação tão frágil como esse senhor Abraham Weintraub. Quem tenta proibir já assume uma ideologia. 

A maldição que hoje desaba sobre a educação no Brasil agride pelo pobre modelo que sua prática denuncia. Criado por Getúlio Vargas, em 1930, legado da modernidade da Revolução dos Tenentes, e com a larga nomenclatura de ‘Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública’, lá sentou Gustavo Capanema, que teve como chefe de gabinete Carlos Drummond de Andrade. Vargas também foi ditador, mas com inegável dimensão de estadista. 

A educação repousa sobre o lastro do saber universal, dai ser a universidade seu grau elevado na formação geral das profissões, voltadas para o exercício prático do ensino, pesquisa ou estudos científicos. O que se pretende, no Brasil, ao som dos clarins, é uma educação que não leve os cidadãos e cidadãs à conquista da libertação. É bem simples: livres e conscientes, não serão massificados e manipulados em nome e nem mesmo por amor à pátria tão amada.  

Não é só grave fazer da educação uma usina perversa de deseducação, o que já seria um crime de lesa cidadania. Grave é erguer slogans com a tinta do falso conhecimento e escondê-lo no avesso da discussão entre direita e esquerda, quando a verdade é outra. Seria comunista aquela menina de 16 anos, do sertão nordestino, classificada numa olimpíada de matemática, que chorou com o corte de uma bolsa mensal de 100 reais para manter os seus estudos? 

Não vamos a lugar nenhum com essas falsas elites ditas culturais que mamam nas tetas públicas e defendem a privatização desregrada de tudo. O Estado tem o seu papel, sim, no rol de tarefas indispensáveis ao desenvolvimento na plenitude do seu conjunto. O que se assiste com a Lava Jato não é o exemplo de uma esfera privada como referência para a esfera política.

As duas são protagonistas e sócias integrantes de uma mesma sociedade que o país condenou.

TRAVA - A construção civil tenta destravar a grana do ‘Minha Casa Minha Vida’ ainda presa no cofre da Caixa Econômica. Hoje, em Brasília, é pauta no café da manhã da bancada federal.

MAR - Antônio Gentil foi o grande motor da vinda a Natal do consultor Miguel Marques, da PwC, que falou sobre as riquezas do mar como nova área de investimento. O Futuro é Azul.

ATENÇÃO - A professora Conceição Flores lança amanhã, quinta, às 19h, na Feira de Livros e Quadrinhos - FLIQ - o segundo volume dos estudos sobre a poesia de Maria Teresa Horta.

VALOR - O primeiro volume de “O Sentido Primeiro das Coisas” foi lançado em 2015 e agora, também sob sua coordenação, o novo tomo. Os dois reúnem mais de oitocentas páginas.

FICÇÃO- A nova criatividade da Prefeitura de Natal é o ‘Conselho Municipal do Livro, da Leitura, da Literatura e das Bibliotecas’. Tem livro? Leitura? Leitor? E biblioteca? Onde estão?

ALIÁS - Invencionice é antiga. Desde quando, para efeito de marketing, anunciaram há anos a construção de bibliotecas públicas nas quatro regiões de Natal. Uma perfeita obra de ficção.

POESIA - A Academia de Letras abre as portas para o lançamento amanhã do livro de poemas de Helena Brandão Vilela - Minha Alma Nua. Os autógrafos começam ai pelas sete da noite.

OSWALDO - Sexta-feira 13, mãe da lua, às 19h, uma conversa com Woden Madruga na Feira de Livros e Quadrinhos, na Arena das Dunas. Só sobre a grande obra de Oswaldo Lamartine.

VIVA! - A direção da Escola Estadual Manoel Dantas encaminhou relatório longo e muito bem circunstanciado, demonstrando que tudo está funcionando, e bem, na Escola. Uma atitude de respeito ao seu patrono cumprindo sua tradição de quase 60 anos, apesar da ameaça sofrida.

RISCO - Realmente, a escola chegou a ser esvaziada, em 2014, mas a atuação de professores e alunos, com o apoio da sociedade, manteve a escola aberta logo a partir do ano seguinte, o que serve de exemplo para demonstrar o papel da sociedade na defesa de um ícone da educação.

LUTA - O relatório, mais de duas vezes maior que o espaço desta coluna, torna impraticável a sua transcrição, mas não invalida, em nada, o mérito da sua diretora, Francisca Rosa de Melo; da vice, Ana Lúcia Trindade, e da coordenadora pedagógica, Claudia Santa Rosa. Parabéns!




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