Tom Zé debate Tropicalismo no FLIN

Publicação: 2017-11-09 00:00:00 | Comentários: 0
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“Tropicália Lixo Lógico” foi o tem que marcou a abertura da 5ª Edição do Festival Literário de Natal (FLIN) na noite desta quarta-feira, 8, na Praça Augusto Severo, na Ribeira. O espaço, com tendas para palestras e feiras de livros, montado em frente ao Teatro Alberto Maranhão ficou lotado. A expectativa do público girava em torno da palestra seguida de show do músico Tom Zé.

Tom Zé falou sobre literatura, música e tropicalismo em encontro com o poeta e designer André Vallias; público lotou tenda principal
Tom Zé falou sobre literatura, música e tropicalismo em encontro com o poeta e designer André Vallias; público lotou tenda principal

Após as apresentações formais, o poeta e designer, André Vallias, convidado para compor a mesa,  aproveitou para dizer que não vinha há 30 anos em Natal e ficou espantado com a quantidade de arranha-céus espalhada pela terra do sol. Antes, na Tenda Moacy Cirne, o presidente da Academia Norte-riograndense de Letras, Diógenes da Cunha Lima, e a pesquisadora Michelle Paulista, falaram sobre o escritor Veríssimo de Melo.

O tema ainda não tinha começado a tomar fôlego, quando Tom Zé se levantou do fundo do palco, interrompendo seu interlocutor, que falava sobre quando ambos se conheceram, sob uma boa justificativa: fazer com que o público prestasse bem atenção na fala deles. “Acho que a gente podia contar, três ou  quatro coisas para atingir e prender a atenção”, disse Tom Zé e assim desatou a falar da música que fez para a primeira a namorada, as servícias de Maria Bagumole, mulher que iniciava os meninos em sua pequena Irará, no interior da Bahia e mais meia dúzia de gracejos, levando o público a rir e aplaudí-lo algumas vezes.

Mas, sobre a temática “Tropicália Lixo Lógico” até aquela altura, nada. Até Vallias retomar a fala, faltando pouco menos de 10 minutos do tempo determinado para sua participação, ele falou de sua curadoria que comemorou a carreira de Tom Zé, e apresentou ao público o trabalho “Estudando o Sampler”, do Coletivo Sangue no Silício. Depois, Vallias fez referência ao álbum de Tom Zé, “Todos os Olhos”, no qual o poeta Décio Pignatari colocou um ânus na capa do disco.

A atitude bastante elogiada por Tom Zé, alegando que mesmo hoje, seria necessária muita coragem para criar algo daquela natureza. O poeta visual convidado decidiu fazer a primeira pergunta para abrir para o público se manifestar: “Você é  tropicalista ou não”? E Tom Zé respondeu: “Isso (a pergunta) era bom Vallias, mas eu não quero passar do horário”, levando todos a rir novamente.

E Vallias resolveu ele mesmo responder: “Acho que Tom Zé é um “Tropidadaísta”. “Em 1960 os artistas brasileiros diziam que o Brasil precisava ter um novo impulso tal qual a Semana de 1922. E isso serviu como uma espécie de tiro no hipotálamo dos gênios Gil Caetano”, disse Tom Zé seguindo com seu discurso sempre vasto de referências, ao final fazendo um elogio público à Prefeitura de Natal: “Só vocês e Maringá que fazem essas coisas culturais”.     

A segunda mesa, “Tropicalismo: Inserção e Desdobramentos” foi formada pelo jornalista Carlos de Souza, Gereba e José Carlos Capinam. Nesse segundo momento, Capinam lembrou que Tom Zé foi seu primeiro parceiro musical. “Isso me valeu um inquérito policial militar”, disse ele, que teve de fugir da Bahia e ir para o Rio de Janeiro. E assim, se encontra com Gil, Caetano e outros nomes e o Tropicalismo vai tomando forma.

A última Mesa da noite, às 21h, tratou de “Zuenir, o escritor militante” com o próprio jornalista e o filho Mauro Ventura. O Festival terminou seu primeiro dia com show de Tom Zé.

Veja as imagens do primeiro dia



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