Tom Zé: decifra-me e te encanto

Publicação: 2017-11-08 00:00:00 | Comentários: 0
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Antônio José Santana Martins: compositor, cantor performer, arranjador, escritor. É assim que o baiano nascido em Irará (BA), atualmente com 81 anos recém completados, é apresentado oficialmente em seu site.  Verdade é que, a sonoridade de seu nome mais conhecido e constituído apenas de duas palavrinhas, Tom Zé, vai muito além de simplesmente serem poucas sílabas.

Tropicália Lixo Lógico, álbum bastante aclamado pela crítica em 2012, vira tema de debate hoje. E às 22h, Tom Zé apresenta show Canções Eróticas de Ninar
''Tropicália Lixo Lógico'', álbum bastante aclamado pela crítica em 2012, vira tema de debate hoje. E às 22h, Tom Zé apresenta show ''Canções Eróticas de Ninar''

Ele aporta hoje no Festival Literário de Natal, onde fará duas participações:  será palestrante na Mesa 1, ao lado do poeta André Vallias – esse segundo responsável por fazer a curadoria de sua exposição fotográfica, comemorativa dos 50 anos de carreira. A partir das 19h, eles vão falar sobre o tema “Tropicália, Lixo Lógico", nome homônimo do  álbum de Tom Zé produzido em 2012. Depois desse álbum, ele já lançou Vira-Lata na Via Láctea (2014) e o mais recente, Canções Eróticas de Ninar (2016). Com agenda “plural”, ele ainda encontrou um tempinho para responder algumas perguntas do encarte.

O senhor vai estar no FLIN desse ano em dois momentos. No primeiro, na mesa redonda "Tropicália Lixo Lógico", o bate-papo com o poeta André Vallias. Na sua visão, a Tropicália está viva e pulsante no cotidiano do brasileiro? Se sim, de que maneira?
Voltar a Natal via FLIN é uma oportunidade de conviver com a terra de Cascudo, que ilumina o Brasil ofertando-nos um conhecimento privilegiado sobre nós mesmos. A Tropicália induziu costumes, assimilações artísticas que moldaram e moldam escolhas dos que fazem música, teatro, artes plásticas. Nestas, Beatriz Milhazes é o nome que me vêm à mente aqui e agora. Sobre teatro, “O Rei da Vela” está sendo reencenado em São Paulo. Ainda não fui ver, pela minha pesada rotina de trabalho atual, mas vou assistir antes que termine a temporada.

Na época da divulgação do álbum "Tropicália Lixo Lógico" o senhor se apresentava com um "rabo", referindo-se a uma prática antiga dos faraós, quando eles estavam diante de algo superior. Vai trazer o rabo para o FLIN 2017?
Em Thomas Mann, que em “José e Seus Irmãos” se volta para o Egito ancestral, a prática de o faraó, o humano mais venerado, incluir-se num patamar infra-humano, acrescentando uma cauda à veste real, me fez acrescentar ao então figurino de palco esse adereço animal como matéria teatral e de reflexão.

O senhor disse em entrevista a um jornal impresso que Gil e Caetano eram “superiores" no momento em que trazem à tona a Tropicália, pela coragem em vários aspectos, pela inserção de guitarra nas músicas, sem contar nas letras deles, que era um oásis no deserto de músicas e letras estéreis daquela época. A Tropicália ainda ressoa no atual?
A juventude de então, debruçando-se sobre utopias, propunha um modelo inviável, né? Fomos para um trecho de discussão deslocado de seu contexto. Como muitas utopias, aquela caminhou para distopias. Há jovens brasileiros empenhando-se por músicas que podem ou não ser quebra-louças. Mas que, felizmente, são diferentes. É preciso que sejam. São músicas, até, de outro século. E as canções da época eram, sim,  objeto de admiração dos que fizeram a Tropicália, minha cara Sheyla Azevedo. Essa discussão é um poliedro, não prima pela linearidade.

Tom Zé é um dos grandes artistas da FLIN 2017
Tom Zé é um dos grandes artistas da FLIN 2017

Recentemente, houve uma polêmica envolvendo Caetano, com o cancelamento em cima da hora de um show dele. O senhor acha que estamos vivendo algum tipo de censura velada? Como vê o atual momento da nossa democracia?
Caetano já disse tudo sobre o assunto.

O senhor completou há menos de um mês 81 anos. Mas não parece. Especialmente quando está se apresentando no palco. Qual sua estratégia para se manter esse improvisador, esse “clown" esse detector ambulante de ânimos da plateia e “manuseá-las" com tanta vitalidade?
Obrigado por sua gentileza, se é que ainda é usual agradecer quando se diz que aparentamos menos idade. O que pretendo, sempre, é interagir com a plateia. É uma via de respeito mútuo, de entretenimento mútuo. Olhe, minha paixão pelo trabalho, que é o centro de meu interesse vital, responde pelo que faço no palco. E fora dele.

Tom Zé no FLIN 2017

Mesa 1 – Tropicália Lixo Lógico – Tom Zé e Andrá Vallias - 19h

Show na Praça - 22h


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