Rubens Lemos Filho
Torcida
Publicado: 00:00:00 - 08/10/2021 Atualizado: 22:56:48 - 07/10/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

O torcedor do ABC  e do América está encarando os jogos contra Caxias(RS) e Campinense(PB) em Natal como aquele cervejeiro crônico, proibido de beber por dois anos de doença e liberado para encher o copo e soltar o grito espumado pela classificação do time para a Série C. 

Falo por experiência. É péssimo estar longe do seu time. Em Mato Grosso sabia de notícias esparsas do ABC nos interurbanos para os amigos. Chorava sozinho. 

Quando desci do avião de volta para Natal, numa sexta-feira, domingo fiz questão de chegar antes das duas da tarde ao Castelão para percorrê-lo em revisita, como se a ele estivesse sendo apresentado de novo. Na hora em que Fábio Lima estourou o foguetório na entrada do time, todo de branco em campo, aí foi que chorei, cheio de Brahmas no juízo. 

Era um tempo de porradas tomadas frequentemente do América que, na gestão de Jussier Santos na presidência, nos anos 1980, início dos 1990, bateu sem piedade no alvinegro. 

O emblema: tenebroso 5x0 em 1988, placar devolvido nove anos depois em show do atacante Claudinho, um dos melhores da história alvinegra, que recomeçou na década de 1990.  Só sabe quem sente a emoção.  E a saudade de um time é a saudade do homem de si mesmo. 

Daí que o ABC fez bem em cobrar mais barato, 10 reais em alguns lugares, para o segundo jogo contra o Caxias no Frasqueirão. O Frasqueirão joga e se lá estiverem três, quatro, cinco e o limite de 6.080 mil fanáticos, enchendo o saco do goleiro do Caxias, nenhum preço pagará a eficiência da massa. 

O América cobrou 50 e 100 reais em determinados setores da Arena das Dunas. Seria usura. Diminuiu o valor a tempo, em atitude racional, quanto mais grito, maior a chance de gol. Pedir 100 mangos afasta o humilde. 

A melhor sacada dos dois times teria sido o ingresso único. Afinal, ambos não aguentaram tanto tempo jogando para o cimento e as requintadas cadeiras do trambolho da Avenida Salgado Filho? 

Aí pode estar a dicotomia fundamental: o ABC tem um estádio, apropriado a velhos apaixonados e acostumados ao cimento duro. O América, joga numa casa de shows. Onde pobre é intruso, jamais bem-vindo. 

Lateral 
E se Moacir Júnior fixar Marco Antônio na lateral-esquerda do ABC? É o único jeito de achar um lugar útil para o jogador que, de solução para a camisa 10, está provocando reações cômicas com seu excessivo rebolado. Na lateral-esquerda, ele foi menos complicado. 

Diferente 
Do jeito que é outro time em relação aos momentos finais da primeira fase, o América deve entender que o Campinense também é outro, motivado e cheio de novidades em relação aos dois primeiros jogos da etapa inicial. 

Eleição 
Prioridade total para a classificação à Série C, mas vai ter eleição para presidente do ABC e há três candidatos na luta. O presidente Bira Marques tenta a reeleição. 

Oposição 
A oposição virá com Idamylton Garcia, jovem empresário de informática e há anos participante de movimentos de investigação de todas as diretorias. Vai tentar a chance de passar, ele, a ser fiscalizado. O ex-secretário de esportes de Natal, Dudu Machado, também confirmou candidatura. 

Cenários 
Em qualquer dos cenários, é indiscutível o favoritismo de Bira Marques, nome mais palatável ao eleitorado conservador e sem maiores arestas na juventude, que é a aposta de Idamylton e do seu grupo. Dudu Machado também entra nesse nicho. Oposição dividida, maiores chances para quem está no poder. 

Vice 
O desafio oposicionista é arrumar um bom vice, que se contraponha à suposta inexperiência dos dois. Idamylton carrega a ostensiva militância petista e precisa penetrar no eleitorado de direita dentro do Conselho Deliberativo e nos sócios. Gente que é abecedista, mas vota em Bolsonaro. E não adianta passar banha. 

Cláudio  
O empresário Cláudio Matias é o seu companheiro dos sonhos, mas, a exemplo de 2015, não dá indícios de que estará na disputa. Aliás, sonhar em campanha eleitoral geralmente dá em pesadelo. Dudu Machado me disse estar “conversando”. 

Irapoã 
Há boas possibilidades de Bira Marques contar de vice com o secretário municipal Irapoã Nóbrega, credenciado pela performance de gestor na prefeitura. Ele soma. 

Dilema 
Problema de Idamylton e Dudu é achar alguém mais maduro e que se submeta, no caso do petista, ao tom de assembleísmo de alguns companheiros. 

Sem política 
O importante é evitar intromissão política. O eleitor em geral está de saco cheio e o do ABC mais ainda, pois o clube foi usado e jogado na cesta do lixo por vários profissionais. Apoio sutil  pode ser uma arma de Idamylton junto à governadora Fátima Bezerra. Mas Fátima não deve se queimar com os outros concorrentes. Nem ela nem o ministro Rogério Marinho. 

Alcino 
Amanhã(09/10), é o 38º aniversário da vitória do América sobre o ABC(campeonato de 1983) por 1x0, gol do  centroavante Alcino, público de 23.401 pagantes no Castelão. 

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