Natal
Tráfico de drogas inviabiliza reabertura de escola em Parnamirim
Publicado: 00:00:00 - 28/06/2017 Atualizado: 21:14:44 - 27/06/2017
Mariana Ceci
Repórter

Um ano depois de ter sido alvo de saques e depredações por parte de vândalos, a Escola Municipal Limírio Cardoso Dávila, localizada no bairro de Bela Vista, em Parnamirim, permanece em ruínas. Com mato crescendo ao redor do terreno; um carro abandonado e destruído em um dos cantos, e a entrada onde ficava o portão bloqueada por um muro, nada, além de uma quadra indica que o local, pouco tempo atrás, era um espaço de ensino e aprendizado para cerca de 600 alunos que cursavam o Ensino Fundamental. Agora, Prefeitura e Secretaria Municipal de Educação estudam a possibilidade de transformar o espaço em um Centro de Educação Infantil, para tentar aproveitar a área e, ao mesmo tempo, impedir a influência de traficantes, como acontecia na escola. Isso porque uma escola de ensino fundamental seria praticamente inviável.

Ao todo, mais de 20 pessoas foram indiciadas pelos saques à escola, dentre alunos, pais de alunos, moradores próximos, funcionários e gestores do colégio, revelando um quadro preocupante da instituição de ensino, que sofria com a influência de traficantes e já tinha tido professores, coordenadores e diretores ameaçados, além de um vigia assassinado. De acordo com a secretária municipal de educação de Parnamirim, Francisca Henrique, a Prefeitura têm focado em fazer um trabalho com assistentes sociais e psicólogos na comunidade, a fim de tentar reverter a situação. “A situação da Limírio era muito séria. A escola estava perto de três bocas de fumo, e os traficantes tentavam vender drogas para os alunos durante os intervalos de aula. Quando os professores começaram a tentar impedir, foram ameaçados e os saques começaram”, disse a secretária.

Magnus Nascimento
Um ano depois de ter sido alvo de saques e depredações, a Escola Municipal Limírio Dávila, no bairro Bela Vista, permanece em ruínas

Um ano depois de ter sido alvo de saques e depredações, a Escola Municipal Limírio Dávila, no bairro Bela Vista, permanece em ruínas


Um ano depois de ter sido alvo de saques e depredações, a Escola Municipal Limírio Dávila, no bairro Bela Vista, permanece em ruínas

Leia Mais

Para ela, a alternativa de construção de um centro de educação infantil é a mais indicada, levando em consideração o histórico do local. “Essa é uma demanda latente da comunidade, a construção de um centro de educação infantil. Acredito que dessa forma também minamos possíveis ações dos traficantes, mas ainda estamos estudando possibilidades”, completou. Atualmente, as secretarias obras e educação estão se reunindo com a Prefeitura a fim de tentar incluir orçamento no Plano Plurianual (PPA) para garantir as reformas.

Para a promotora Luciana Maria Maciel, responsável por acompanhar a situação do processo referente à educação, o Ministério Público vai cobrar para que uma escola de ensino fundamental seja reconstruída no local, para voltar a atender os mesmos alunos que agora estão divididos em quatro outras escolas próximas em Parnamirim.

Em relação ao inquérito criminal e de improbidade administrativa, pelos quais as pessoas foram indiciadas, a promotora afirmou que eles já estão sendo encaminhados para as respectivas promotorias responsáveis, e que nas próxima semanas deverá haver alguma resposta em relação ao andamento dos processos. O último despacho foi referente ao dia 21 de junho, no qual a promotoria demandou à Prefeitura informações sobre onde estavam os alunos que antes frequentavam a escola e qual era sua situação nas novas instituições de ensino.

Magnus Nascimento
Lixo e galhos secos se acumulam, no entorno da área onde até o ano passado funcionou a escola municipal, Limírio Dávila, um espaço de ensino e aprendizado para aproximadamente 600 alunos que cursavam o Ensino Fundamental

Lixo e galhos secos se acumulam, no entorno da área onde até o ano passado funcionou a escola municipal, Limírio Dávila, um espaço de ensino e aprendizado para aproximadamente 600 alunos que cursavam o Ensino Fundamental


Lixo e galhos secos se acumulam, no entorno da área onde até o ano passado funcionou a escola municipal, Limírio Dávila, um espaço de ensino e aprendizado para aproximadamente 600 alunos que cursavam o Ensino Fundamental

Memória
No dia 14 de julho de 2016, a Escola Municipal Limírio Cardoso Dávila começou a ser saqueada e depredada por vândalos. Salas de aula foram quebradas e telhas eram levadas pelas próprias crianças em carrinhos de mão. Participaram da ação pais de alunos, alunos e moradores próximos da comunidade, assim como funcionários da instituição. Ainda em fase de construção, em 2014, a escola já começou a ser alvo de ataques rotineiros, que saqueavam os materiais de construção da obra, que custou R$ 2 milhões. Saques ao patrimônio, no entanto, não foram as situações mais preocupantes. Além da ação de traficantes, tentando vender drogas durante os intervalos, professores e coordenadores foram, ao longo dos dois anos, alvo de ameaças e ataques. O carro de uma das coordenadoras chegou a ser depredado no estacionamento da escola e um dos vigias da escola foi assassinado e o outro espancado. Os casos de violência contra os vigias possuíam indícios de relações com denúncias feitas pelos profissionais contra saques à merenda escolar. Brigas entre alunos também não eram comuns na escola, que em um mês teve três coordenadores de disciplina diferentes, um deles tendo passado apenas um dia no cargo, dizendo que nunca mais “colocaria os pés” na escola. A depredação iniciada dia 14 de julho durou 4 dias e, ao final, pouco restou para ser roubado. À época, o procurador-geral do Município de Parnamirim, Fábio Pinheiro, responsabilizou a Polícia Militar. De acordo com ele, a PM estava ciente dos problemas, como tráfico de drogas e ameaças, mas não agiu para sanar os conflitos.

Leia também

Plantão de Notícias

Baixe Grátis o App Tribuna do Norte

Jornal Impresso

Edição do dia:
Edição do Dia - Jornal Tribuna do Norte