Três PMs são afastados após ação que resultou em morte em Heliópolis

Publicação: 2019-12-08 00:00:00
São Paulo (AE) - Três policiais militares envolvidos na ação que resultou em uma morte em Heliópolis, na zona sul de São Paulo, no domingo, 1/12, foram afastados. A Polícia Militar afirma que perseguia um suspeito. A atuação dos agentes na maior favela da capital paulista causou a dispersão de um baile funk que ocorria no local. Imagens divulgadas por moradores mostram PMs encurralando os frequentadores do pancadão em um beco estreito. A gravação mostra dezenas de pessoas circulando em um beco. Em dado momento, o fluxo começa a andar rapidamente no sentido contrário até não ter mais para onde ir.

À frente do grupo, aparecem dois policiais militares e um deles desfere seguidos golpes de cassetete em pessoas que tentam se proteger; um terceiro policial se junta ao grupo. As agressões continuam até o grupo de pessoas conseguir se deslocar para trás e sair dali. A operação em Heliópolis foi parecida com a que aconteceu em Paraisópolis no mesmo fim de semana, quando nove pessoas morreram pisoteadas.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo informou neste sábado (7) que o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, realiza diligências para o esclarecimento dos fatos em Heliópolis. Na quarta-feira (4), a Ouvidoria da Polícia informou que solicitou realização de perícia técnica para esclarecimento das circunstâncias em que a perseguição em Heliópolis aconteceu. O suspeito teria sido morto em uma troca de tiros. A Ouvidoria também instaurou procedimento para apurar eventual abuso de autoridade e agressão no local. O órgão havia pedido à Corregedoria da PM o afastamento dos policiais envolvidos na perseguição e na dispersão da festa.

O caso em Heliópolis é um dos quatro que está sob análise da Ouvidoria diante de indícios de excesso na atuação policial. Os outros são: nove mortes em Paraisópolis; Três mortes que aconteceram na dispersão de um baile em Guarulhos, em novembro do ano passado; e o ferimento que deixou uma jovem cega em um evento em Guaianases.

Paraisópolis


A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), cobrou uma investigação imediata e imparcial que leve à punição dos responsáveis pelas mortes de nove jovens durante um baile funk em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. A comissão disse condenar categoricamente a ação policial que ocorreu no local e instou o Estado "a iniciar, sem demora, uma investigação eficaz dos fatos, orientada a determinar a verdade, assim como a individualização, julgamento e eventual sanção dos responsáveis por esses fatos".

A comissão destaca que "vítimas e testemunhas da tragédia afirmam que os policiais teriam fechado a rua onde estava ocorrendo a festa, utilizando gás lacrimogêneo e balas borracha contra as pessoas presentes, sem que houvesse um confronto". "Segundo informações públicas e vídeos disponíveis, os policiais cometeram maus tratos e abusos de maneira indiscriminada", declarou o órgão.

O advogado Fernando Fabiani Capano, responsável pela defesa de alguns dos policiais militares disse que "o resultado trágico nada tem a ver com a conduta direta ou indireta dos policiais militares que lá estavam". A conduta deles, diz o defensor, "serviu em grande medida para acautelar a ocorrência e evitar tragédia maior".