Traços de um bom tempo

Publicação: 2020-03-05 00:00:00
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

Lá pelo começo dos anos 1980, num papo movido à cerveja e bolinhos de charque, numa tarde morna de um boteco de Olinda, levava um papo com uma namorada, sobre poesia e prosa, quando se estabeleceu uma verdadeira conferência a dois sobre “O Pequeno Príncipe”, de Saint-Exupery. Um papo mais sobre o autor do que sobre a sua obra literária que virou febre mundial a partir dos anos 1940 e que encanta crianças e adultos até os dias de hoje.

Nós falávamos sobre romances de ficção científica,  aventuras com viagens no tempo, teletransporte de matéria e outras coisas exóticas da física como paradoxo do avô e fluxos temporais. Foi aí que a efervescência de mentes juvenis movidas à levedura e salmonela inventou de inventar uma idéia inicial de texto, um pre-texto literário para uma aventura de ficção com o escritor francês em terras e águas do RN na busca do seu avião perdido em 1944.

O eixo do argumento e da trama era uma equipe de aventureiros, na verdade eu e ela, que se transportava no tempo e apareceria em plena Segunda Guerra, 31 de julho de 44, horas após o vôo do avião P.38 F-5B da série J.

Numa ambientação a la Casablanca, surgia Natal recebendo o resgatado aviador, os intelectuais da época no cais da Ribeira, militares americanos e putas em inquieta curiosidade com a chegada do casal trazendo o piloto.

A viagem na maionese em Olinda me voltou anos depois, quando li a notícia de que um famoso desenho do livro “O Pequeno Príncipe” fora encontrado no Japão e que sugeria tratar-se de um original pintado pelo próprio Exupery.

Era uma aquarela sobre papel para cartas, representando a visita do princepezinho a um planeta habitado por um empresário, o homem de negócio que contava estrelas no romance e depois na Banda do Chico Buarque.

Foi um sobrinho do próprio Antoine de Saint-Exupery, François d’Agay, à época com 81 anos, que entendeu a importância histórica do pedaço de papel, encontrado por um japonês em 1994 durante uma feira de sebos em Tóquio.

O papo lúdico de Olinda veio à tona com a força de uma aventura possível. Que maravilhoso seria umas viajadas no tempo em busca de personagens e de coisas perdidas na queda aviões, na queda de barrancos, nas tragédias.

Num presente cheio de desencantos, que bom seria trazer do passado inéditas canções de Glen Miller, dos Mamonas, de Patsy Cline;  voltar a ouvir Ricardo Boechat nas manhãs, ver novos gols de Dener e filmes de James Dean.

Mergulhar num buraco de minhoca, pousar em 1972 só para impedir um vôo da Japan Air e garantir por mais anos a contemplação da sensualidade e do sorriso de Leila Diniz. Porque como dizia o velho slogan da Varig, viajar é bom.

Créditos: Divulgação..


Agronegócio
Do vice-presidente general Hamilton Mourão, na solenidade de abertura do evento “Agro em Questão”, da CNA: “Digo aos senhores que todos nós enxergamos no agronegócio a locomotiva que puxa este país rumo ao futuro”.

Coronavírus
A exemplo de outras capitais, alguns condomínios de Natal já iniciam reação ao contágio, afixando avisos de alerta quanto aos riscos no contato com objetos contaminados, como corrimões, maçanetas e botões de elevadores.

Charlatanismo
No último domingo, em Porto Alegre, uma tal catedral global do espírito santo (a casa do milagre) convocou ingênuos cristãos para uma sessão onde o próprio deus iria combater o coronavírus com jejum e um “óleo consagrado”.

Orçamento
Alguém já disse que é impossível no Brasil governar sem o MDB. Pois foi o velho partido de Ulysses que fez terça-feira a reviravolta no Senado em favor do Planalto, culminando com o apoio integral aos vetos de Jair Bolsonaro.

Impeachment
Como há trocentos anos, a esquerda de Pindorama não se cura dos delírios e não aprende a ler a conjuntura. Semanas atrás, no caso da repórter Patrícia Campos, festejou o impeachment; e volta a delirar com ato no 8 de março.

Superterça
O fator Barack Obama – o mesmo que causou vertigem no Oscar – foi determinante para a vitória do democrata Joe Biden sobre o socialismo gagá de Bernie Sanders. O ex-vice do marido de Michelle ganhou 10 de 14 estados.

Superterça II
Os eleitores democratas devem ter cantado “não me amarra dinheiro não”, de Caetano, para refutar Michael Bloomberg. Abdicou de disputar as prévias anteriores, torrou milhões em marketing e naufragou no dia D dos Democratas.

Literatura
O jornalista Marcos Eduardo Neves festeja o sucesso de vendas na Turquia do livro “Alex, a Biografia”, sobre o ídolo do Coritiba, Palmeiras, Cruzeiro e Fenerbahçe. Ele escreveu também a biografia do craque Heleno de Freitas.

Fagner Pop
Confirmados na segunda edição da homenagem a Raimundo Fagner os artistas locais Sueldo Soares, Isaque Galvão, Dodora Cardoso, Heli Medeiros, Lipi Guedes, Jaina

Elne, Silvana Martins, Ivanildo de Natal e Ivando Monte. Dia 27 de março no bar Me Leve, em Candelária.







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