Trabalhador não faz planejamento para aposentadoria

Publicação: 2015-05-31 00:00:00
Preparar-se para a aposentadoria ainda não é uma cultura entre os brasileiros. É o que mostra pesquisa divulgada, em abril, pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal Meu Bolso Feliz. O estudo aponta que 57% consumidores não faz planejamento financeiro para essa fase – sendo que 17% afirmam que dependerão somente do INSS. Os que ouviu 662 pessoas com idade igual ou superior a 18 anos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais nas 27 capitais. Entre os  mais jovens, com idade de 18 a 24 anos, 59% dizem não se preparar para a velhice.

Para o advogado José Maria Gama, especialista em previdência, isso é reflexo da falta de informação sobre a necessidade de investir desde cedo, bem como sobre a redução dos rendimentos com o fator previdenciário. “Muitas vezes, fazer uma previdência privada pode garantir  a renda principal em vez de um rendimento complementar”, observa ele.

Enquanto na previdência social o teto é fixado em R$ 4.559,00, no casos da privada, não há limite estabelecido. O valor neste caso, explica o advogado, depende de quanto o contribuinte investiu. Além disso, os rendimentos são corrigidos a uma taxa de 9% ao ano. “Mais rentável que alguns investimentos  e que pode ser sacado integralmente ou receber de  forma vitalícia”, analisa Gama.

O advogado alerta  que, além do fator previdenciário em discussão na MP, o fato do correção da aposentadoria pelo INSS não acompanhar o crescimento do salário mínimo, o que causa uma perda do ganho real quando o contribuinte passa a inativo. “Enquanto o mínimo tem 10% de reajuste ao ano, o benefício aumenta 5%. Isso desestimula muitos a, embora aposentados, deixar a atividade”, observa.

Apenas 43% dos consumidores tomam providências a respeito da aposentadoria. A preparação é maior entre o público masculino, entre pessoas pertencentes às classes A e B, e entre os que possuem maior escolaridade. A poupança é identificada como a opção mais frequente de investimentos (25%), seguida da previdência privada (14%).

Mas há também quem não possa fazer o investimento. Entre os que admitem não se preparar para a aposentadoria, segundo a pesquisa, 15% dizem que gostariam de se preparar, mas não sabem por onde começar; 14% não pensam no assunto; e para 10% não sobra dinheiro para guardar ou pagar o INSS. “Por isso, há uma provisão maior entre a classe média e média alta”, afirma.

A programação antecipada pode prevenir o aposentado contra os imprevistos que possam surgir ao longo da carreira profissional e garantir os benefícios do INSS. Para o funcionário de carteira assinada, a própria empresa trata de recolher a contribuição, o autônomo não pode deixar de fazer a contribuição para evitar problemas quando for requerer a aposentadoria.

“O trabalhador não pode passar mais de dois anos sem recolher, mesmo que reduza o valor, pois precisa de, no mínimo, 10 anos de contribuição para poder ter algum direito previdenciário”, aponta José Maria Gama.